‘Fantástico’ celebra 2.500 edições no ar, e os vizinhos Tadeu Schmidt e Poliana Abritta entregam detalhes de sua longa parceria

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No último domingo, Poliana Abritta esqueceu de levar seu lanche reforçado para a redação do “Fantástico”. Na escala de revezamento elaborada com Tadeu Schmidt, era a vez dela começar a trabalhar às 14h. Ele entraria às 17h. A questão foi resolvida com uma mensagem ao parceiro de programa, que chegou um tempo depois com a sacolinha largada para trás.

— Poliana pediu que deixassem no hall do meu apartamento, e eu levei para ela. Bem coisa de vizinho mesmo — conta Tadeu.

Sim, além de os colegas da mesma faculdade de Jornalismo de Brasília formarem há sete anos uma dupla dinâmica na TV, os dois moram, atualmente, no mesmo prédio. Como diz um dos novos quadros da revista eletrônica dominical, que chega às suas 2.500 edições no ar, “É muita coincidência!”.

— Fui recebido por Poliana na Globo, em Brasília, e depois a recebi no “Fantástico”, no Rio. Sempre mantivemos contato, mesmo quando ela ainda estava lá e eu aqui. Hoje, moro no quarto andar, e ela, no terceiro. Minha colega de faculdade, minha amiga, companheira de trabalho, parceira de apresentação, também é minha vizinha. Faltou ovo aqui, batemos lá. Falta açúcar lá, ela pede aqui. Também dividíamos carona, só deixamos de fazer isso durante a pandemia — detalha o potiguar, de 47 anos.

Apesar de muito diferentes em personalidades e nos gostos, Poliana e Tadeu garantem: nunca brigaram. No estúdio, ele entrega, o único motivo de discórdia é a temperatura do ar-condicionado. Já fora dele...

— Se Tadeu gostou de um filme, já sei que eu não vou gostar; e vice-versa. Eu tenho uma vibe “fitoterápicos”, ele é mais “antibiótico”. Ele adora doce muito doce; eu, se o brigadeiro está muito açucarado, só como a metade. Como nos conhecemos há muitos anos, brincamos com essas diferenças. Mas existe muito respeito entre a gente. Não tem concorrência, jogamos juntos.

Até na hora em que o cabelo está despenteado ou o dente está sujo para voltar ao vivo, o cuidado com o outro fala mais alto.

— São três horas de “Fantástico”, tem vez que bate a fome. Aproveito a exibição de uma reportagem mais longa, viro de costas para as câmeras e como uma barrinha de cereal, uma banana... Se alguma coisa sai de ordem, ele me avisa. Eu também. Estamos sempre atentos um ao outro — revela Poliana, que passou a usar saltos altíssimos no trabalho para que outra diferença, a de tamanho, entre os dois não ficasse tão evidente na telinha: — Tadeu mede 1,92m de altura. Eu, 1,70m. Já cheguei a calçar sapatos com 13cm, 15cm de salto.

A brasiliense completou ontem 46 anos, dois a menos que o programa que comanda desde 2014. Não é de se admirar que o “Show da vida” tenha marcado diversas fases da vida dela.

— Eu e o “Fantástico” somos praticamente contemporâneos. Eu acho isso lindo: uma atração que não tem prazo de validade, está sempre atual. A ponto de eu ter crescido assistindo à Zebrinha; já adulta, acompanhar quadros marcantes como “Mister M”, “Retrato falado” e as entrevistas emblemáticas do Geneton Moraes Neto; me tornar apresentadora do “Fantástico” e hoje ter meus filhos de 13 anos e os colegas deles acompanhando e comentando todo domingo. A idade do programa mostra sua consistência e sua relevância; ao mesmo tempo, ele mantém o frescor da renovação.

De renovação, Tadeu entende bem. Em 2007, ele chegou ao dominical com a missão de reformular o bloco esportivo, tornando-o mais atrativo. Foi tão bem-sucedido em suas ideias, que os Cavalinhos do Brasileirão acabaram virando xodós dos torcedores. No programa especial deste domingo, aliás, haverá um grande encontro, ele anuncia:

— Teremos um quadro que promete mexer com a memória afetiva de muitas pessoas: a Zebrinha vai se encontrar com os Cavalinhos. Será emocionante!

Nos últimos anos, os telespectadores se divertiram ao contribuir com vídeos para o quadro “Bola cheia, boa murcha” e adotaram para o seu dia a dia a máxima do “Artilheiro musical”: quem faz três gols (e aí leia-se gol como qualquer conquista na vida) tem direito a pedir música no “Fantástico”.

— No início, tínhamos que explicar a ideia aos jogadores. Depois da terceira semana, eles já pediam naturalmente, fingiam cantar com microfone na comemoração do gol. Deixou de ser simplesmente uma forma de ilustrar nossa reportagem e acabou virando uma homenagem ao artilheiro. Eu adoro ouvir que a pessoa que fez qualquer coisa três vezes vai “pedir música no ‘Fantástico’”. Principalmente quando são coisas fora do esporte — celebra o jornalista, que tem na ponta da língua a sua própria pedida caso protagonizasse o grande feito: — Eu escolheria “O que é, o que é”, do Gonzaguinha, uma música que eu adoro desde criança e que passa essa mensagem boa de viver e ser feliz. Afinal, no fim das coisas, tudo o que fazemos é com esse objetivo.

Em 2013, Tadeu foi convidado a assumir a apresentação do “Fantástico” na vaga deixada por Zeca Camargo, que passou a comandar o extinto “Video show”. Na época, sua parceira de palco era Renata Vasconcellos, que depois migrou para o “Jornal Nacional”, sendo substituída por Poliana Abritta. As reformulações no quadro de apresentadores da Globo de tempos em tempos apontaram para uma nova possibilidade no último fim de semana: na internet, rumores deram conta de que o irmão de Oscar Schmidt é o profissional mais cotado para assumir o “Big Brother Brasil 22” e que já teria recebido o convite. Também jornalista, desenvolto no “ao vivo”, carismático e querido pelo público, ele segue o perfil dos dois líderes anteriores do reality. Apesar de todo o burburinho, Tadeu não se pronunciou. Questionado pela Canal Extra, não quis se comprometer:

— Vejo com naturalidade a curiosidade das pessoas em sugerir nomes para substituir um trabalho feito com tanto talento pelo Tiago Leifert e pelo Pedro Bial. Dois grandes jornalistas e comunicadores que ajudaram a fazer do “BBB” o grande sucesso que é hoje.

Talentoso e criativo, ao longo da década e meia em que integra a equipe do “Fantástico”, ele tem elaborado com a equipe do programa outros vários quadros de sucesso.

— Criamos um ambiente em que tudo é possível e, ao longo desses 14 anos, vieram muitas novidades. Sugeri o “Detetive virtual”, que foi o precursor das agências de checagem, criado em uma época em que fake news era uma expressão ainda desconhecida. O “Fantasmagoria”, que eu adorei fazer, se propunha a dar explicações científicas sobre o que as pessoas acham que é fantasma. Tempos depois, veio o “Tá de brincadeira?”, baseado em vídeos que circulam na internet. Minha mais recente contribuição, “É muita coincidência!”, é uma forma de levar histórias divertidas e incríveis, sempre com um final surpreendente, também com a participação dos telespectadores. E já temos uma nova ideia começando a ser produzida, para levar muita emoção a quem nos assiste — adianta ele, honrado com o espaço que ocupa na TV: — A responsabilidade é enorme, mas o orgulho é maior ainda. O “Fantástico” é feito por uma equipe brilhante, que realiza coisas incríveis toda semana.

Poliana ratifica:

— Tem dias em que a gente, no meio do programa, troca mensagens no grupo falando: “Que orgulho fazer parte desta equipe!”. E o mesmo vale para a questão da responsabilidade, ainda mais nesses tempos de pandemia. Que fundamental é a informação e quantas vidas ela pode salvar se for correta!

Neste domingo, marcando as comemorações por suas 2.500 edições, o “Fantástico” contará com matérias especiais e ganhará uma nova abertura e duas estreias: uma série com Dráuzio Varella explicando o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), e o quadro “Ilusões de risco”, com os ilusionistas Henry Vargas e Klauss Durães, que quebraram o recorde mundial de levitação na Avenida Paulista.

— Na nossa redação, tem uma parede de vidro com a letra da música do “Fantástico” escrita. A fórmula do programa está toda ali: uma mistura de mágica, entretenimento, ciência, investigação... Como numa receita de bolo — compara a ruiva, afirmando que trabalhar todos os domingos, dia de folga para a maioria dos mortais, está longe de ser um ônus: — Eu me acostumei bem rápido com isso. Aquela atmosfera de nostalgia no finzinho do domingo acabou na minha vida, porque este é também o meu dia útil. É claro que a gente fica na contramão, mas eu não me sinto solitária. Tanta gente também trabalha nesse dia: garçons, médicos, seguranças, artistas...

Tornar-se apresentadora do “Fantástico” deu uma guinada na carreira da doce Poliana, que até então se destacava como repórter de política na Globo. E o carinho do público veio a reboque dessa grande visibilidade. É raro ela não ser reconhecida nas ruas. Quando acontece, acaba identificada por duas marcas pessoais:

— Antes da pandemia, eu sempre ia à feira de short, chinelo, cabelo preso. As pessoas ficavam me olhando, davam aquele “confere” de cima a baixo e falavam: “Te reconheci pela tatuagem (uma orquídea grande, na panturrilha da perna direita). Ou, numa fila, se eu fazia algum comentário, ouvia: “Te reconheci pela voz”.

O mesmo acontece com Tadeu:

— Desde que fui para o “Fantástico”, nunca mais entrei em um lugar sem ser percebido. Mas, claro, há quem não saiba quem eu sou.

Assíduo nas redes sociais, o apresentador interage com seu 1,1 milhão de seguidores com muito bom humor. Não raro, vira meme. Foi o que aconteceu em junho, quando surgiu mais moreno que o normal na TV e foi comparado ao personagem Ross, da série “Friends”. Será que o maquiador do “Fantástico” exagerou na base?

— Eu morri de rir com essa história! O que aconteceu foi que, naquele dia, eu fui jogar golfe e não usei boné. Fiquei muito bronzeado, e isso chamou atenção no ar — explica ele, contando que, geralmente, sua comunicação com o público é muito carinhosa: — Com os haters, eu faço o que eles mais odeiam: ignoro. Apago e bloqueio. Comentários educados são sempre bem-vindos. Se a pessoa critica com educação, eu faço questão de responder.

O SHOW DA VIDA

Convidamos Poliana Abritta e Tadeu Schmidt para um “bate-bola” com respostas pessoais a partir de nomes de quadros do “Fantástico”. Confira:

É muita coincidência!

Poliana: “Eu e Tadeu termos nos conhecido lá atrás, nos reencontrarmos no ‘Fantástico’ e ainda morarmos no mesmo prédio.”

Tadeu: “Entrei para o clube do golfe, comecei a fazer aulas e só chamava o professor de Aníbal. Mandava mensagem para ele, sempre chamando de Aníbal, e ele respondia com 'Um abraço do Abílio'. Nunca percebi. Passei três meses chamando Abílio de Aníbal sem me dar conta. Até que um amigo que jogava golfe comigo perguntou por que eu chamava o Abílio de Aníbal. Só então me dei conta e pedi desculpas. Quando fui comprar o título para virar sócio do clube, qual era o nome do sócio de quem eu estava comprando o título? Aníbal. É muita coincidência!”

Tá de brincadeira?

P: “Quando eu vejo alguém sem máscara ou que se nega a tomar vacina. Não dá pra brincar!”

T: “Meu sobrinho é campeão olímpico! Isso é a coisa mais incrível do mundo. Foi, sem dúvida, o momento esportivo mais emocionante da minha vida. Vi, ao vivo, o meu sobrinho, que eu vi no dia em que nasceu, que eu carreguei no colo, com quem brinquei quando criança, sempre tão presente na minha vida, campeão olímpico de vôlei de praia. Ele realizou o o sonho que eu tive um dia. Tá de brincadeira? Isso é bom demais!”

É golpe?

P: “Nunca caí em um, ainda bem!”

T: “Eu nunca caí num golpe, mas minha mulher já caiu. Clonaram o celular da nossa comadre, mandaram mensagem do número dela pedindo uma transferência e a minha mulher fez na hora. Faz tempo, era o início desse golpe, ela nem pensou. Só depois descobrimos que era golpe.”

Cadê o dinheiro que estava aqui?

P: “Não sou consumista. No geral, controlo bem os gastos, ainda mais com três filhos”.

T: “Sou viciado em planilhas e aprendi a fazer uma planilha de gastos com um amigo contador, quando ainda não havia computador. Aprendi o que eu tinha que fazer para equilibrar as contas. Faço várias planilhas todo mês. Hoje serve pra mim como terapia.”.

Medida certa

P: “Sou privilegiada por ser longilínea. Só que adoro hambúrguer, devoro um todo domingo depois do ‘Fantástico’. Adquiri esse hábito durante a pandemia. Como de tudo e pouco, não exagero.”

T: “Com a pandemia, parei de ir a academia evitando ambiente fechado e perdi 4kg de músculo. Depois ganhei 8kg. Voltei a malhar em casa, a jogar tênis com regularidade, a jogar golfe, a fazer caminhadas com ritmo forte e já perdi uns cinco ou seis quilos. Voltei a cuidar da alimentação e já estou me sentindo muito melhor. Medida Certa pode contar comigo em uma próxima temporada.”

Anjo da guarda

P: “Minha funcionária Raimunda, de 60 anos. Ela esteve comigo enquanto morei em Brasília, em Nova York e, agora, no Rio”.

T: “Ana Cristina Melo Schmidt. Passamos por tantas coisas juntos e ela sempre esteve do meu lado, em todos os momentos, mesmo nos mais difíceis. Sempre de maneira apaixonada, há 23 anos”.

Meu filho nunca faria isso

P: “Ah, eu nem vou dar ideia, porque eles vão acabar fazendo (risos).”

T: “Eu tenho um orgulho absurdo das minhas filhas. Elas nunca fariam um ato de mau-caratismo. Ponho minha mão no fogo por elas. Minhas filhas nunca fariam isso.”

F:15 (a vida em 15 segundos)

P: “Eu digo que o Jornalismo me escolheu. Durante muito tempo eu tentei ser mãe e foi uma batalha, os trigêmeos vieram e mudaram meu modo de ver o mundo. Essa minha trajetória pessoal virou quadro no 'Fantástico', que entrou na minha vida como um enorme presente e uma grande responsabilidade. Eu tenho muito orgulho de fazer parte disso e chegar aos 2.500 programas.”

T: “Eu participei desse quadro, mas não consigo contar a minha vida em 15 segundos. Se tiver que falar em 15 segundos, eu falaria: Tadeu é um homem que lutou a vida inteira para ser feliz de maneira correta. Se é pra resumir, eu resumo em cinco segundos. Mas para dar os detalhes, preciso de 15 horas.”

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