Família Zarif rumo à 5º Olimpíada em busca da 1º medalha

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(Foto: Divulgação)
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Por Marcelo Romano

Uma tradicional família da vela brasileira está próxima de disputar a 5º Olimpíada. Jorge Zarif conseguiu no último final de semana, durante o campeonato europeu, a vaga para o Brasil na classe Finn. Pelo histórico nos últimos anos, Zarif de 26 anos, deve ser o indicado para sua 3º e provavelmente última Olimpíada. A tradicional classe Finn, presente nos Jogos desde 1952, deve desaparecer do programa olímpico para 2024.

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O currículo de Jorginho nos últimos anos é bem interessante: tem um título mundial e vitórias em etapas da Copa do Mundo. O pai dele, Jorge Zarif Neto, disputou duas edições olímpicas, na mesma classe: foi 8ª em Los Angeles 1984 e 19º em Seul 1988.

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Jorginho com apenas 15 anos, em 2008, graças aos ensinamentos do pai, ficou a 1 ponto de garantir vaga para os Jogos de Pequim, em uma seletiva nacional, em que ambos competiram. Um mês depois da seletiva, o pai, com 50 anos, faleceu, vítima de um infarto fulminante.

A estréia olímpica de Jorge Zarif ocorreu aos 19 anos, em Londres 2012. Ainda inexperiente e com uma lesão no joelho, acabou na 20º colocação. Os resultados começaram a aparecer a partir de 2013. Jorge foi campeão mundial da classe Finn, superando todos os favoritos, em uma das maiores surpresas positivas daquele ano para o esporte brasileiro. Após boas performances em todo o ciclo, chegou para a Rio 2016 entre os 10 cotados a brigar por medalha. Terminou a uma posição do bronze.

No atual ciclo olímpico, Jorge Zarif teve resultados importantes como títulos nas etapas de Copa do Mundo em Miami 2017, Hyeres 2018 e na etapa final da disputa em 2018. Apenas no mundial, já valendo vagas olímpicas, ficou longe dos primeiros colocados. Zarif acredita que este ciclo está sendo melhor: “Ano passado foi muito bom. Briguei pelo pódio em todos os campeonatos. O mundial foi um ponto fora da curva. Tanto que no mês seguinte fui 4º no evento teste da olimpíada. Tive que trocar de técnico duas vezes desde a olimpíada. Este ano ainda não velejei o meu melhor, apesar de ter ganho uma etapa da Copa do Mundo. Tive alguns problemas de lesões, mas nada muito preocupante. Possuo todas as condições de medalhar no mundial 2019 e no evento teste que é importantíssimo”.

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As competições de vela na Olimpíada de 2020 serão disputadas em Enoshima, local que agrada Zarif: “ É fantástico. Fiquei um mês lá em 2018 e tivemos condições muito boas. Pode dar de tudo: vento fraco, forte, pouca ou muita onda. A marina está pronta e é boa também. Agora, a cidade é afastada de Tóquio e não tem muito o que fazer. Para quem foi a Weymouth, onde tivemos a olimpíada em 2012, Enoshima é um sonho”.

No ciclo olímpico anterior, o britânico Giles Scott era favorito absoluto ao ouro da classe Finn, após 3 títulos mundiais. E confirmou esse favoritismo. Depois dividiu o tempo entre a vela olímpica e a América’s Cup. Não competiu no mundial 2018. Voltou este ano, mas Zarif acredita que a diferença para os outros velejadores diminuiu: “ No Rio tinham 10 atletas para duas medalhas, pois uma era do Giles. Agora foi vencido algumas vezes, estes últimos meses. O Finn é muito equilibrado, tem medalhista de Londres sem vaga para Tóquio, tem campeão mundial e olímpico na casa do 30º nos dois últimos eventos. Em Tóquio haverão 10, 12 velejadores com chances de medalha e eu estou entre eles”.

O atleta nascido em São Paulo também sofre com o momento complicado da economia brasileira. Conseguiu 2 patrocinadores no ano passado: Mitsubishi Motors e Isa Cteep, além do apoio do Comitê Olímpico Brasileiro e Confederação Brasileira de Vela: “ Fiquei mais de 10 anos sem patrocínio e só ano passado consegui estes dois. Eu não tive quase nada quando estava começando em 2007-2009. Está realidade ainda é igual”.

O treinamento de Jorge Zarif até a confirmação da vaga olímpica terá treinos em Ilhabela e Búzios, que apresenta condições similares a Enoshima. Até Tóquio, a classe Finn terá mais 2 mundiais, duas etapas de Copa do Mundo e o evento teste.

Até o momento o Brasil tem vaga garantida em 4 de 10 classes olímpicas: Laser, Finn, 49er feminina e Nacra.

Jorge Zarif lamenta a provável exclusão da classe Finn da Olimpíada: “ deve ser minha última Olimpíada porque não tenho biótipo para ser competitivo em outros barcos. Acabar a história da família com uma medalha seria muito importante e legal. Espero daqui há alguns anos ter um filho que possa seguir o mesmo caminho que eu e meu pai percorremos, com novas participações olímpicas”.

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