Por que "Falcão e o Soldado Invernal" é tão importante quanto "Pantera Negra"

Thiago Romariz
·2 minuto de leitura
Anthony Mackie em
Anthony Mackie em "Falcão e o Soldado Invernal". Foto: Divulgação/Disney+

Durante 2021, a Marvel, querendo ou não, abusou da expectativa em volta de suas primeiras séries. Seja pelas teorias na internet, seja pelos nomes envolvidos, não há uma semana desde o início do ano que não se especule sobre o futuro do estúdio no streaming e no cinema. E mesmo com WandaVision mostrando que a empresa quer um caminho mais sólido, maduro, sem esquecer de suas fórmulas, é de se impressionar o resultado conseguido com "Falcão e Soldado Invernal".

Assim como a série da Feiticeira Escarlate, pouco importa o desfecho da história, a jornada aqui é o que realmente vale, pois poucas vezes neste mundo atual da cultura pop ela foi tão intrínseca a origem dos personagens. Em Falcão, o legado do Capitão América serve como pano de fundo e motivação para a dupla principal, mas o desenrolar da história mostra que a força do roteiro está mesmo na emancipação do herói dentro de Sam Wilson. Um cara que negou o escudo, viu o mundo ruir e no quinto episódio buscou entendimento histórico para assumir o manto.

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Existe pouco da Marvel tradicional dos cinemas neste último episódio da série. A não ser pela comédia da dupla principal, a bela luta de início e as pontas soltas com Zemo e a nova Madame Hydra (o Nick Fury do Mal), vemos uma viagem dramática à história de Sam como cidadão negro nos EUA e membro ausente de uma família que sempre o esperou. Entre piadas e jargões, o que fica é o conflito das visões de Isaiah Bradley, o primeiro negro a usar o soro do super-soldado, e do próprio Sam Wilson. Ambos carregando feridas de uma história racista, mas com abordagens e escolhas totalmente diferentes - mas válidas e compreendidas por ambos.

É simbólico que o maior dos episódios de streaming da Marvel negue qualquer teoria e diminua explosões, para dar espaço a uma forte discussão sobre racismo e o poder de um símbolo dentro do sistema. Com a emancipação de Wilson, nota-se que a opção de lutar sempre foi dele, a opção de manter o escudo também. Só não havia na totalidade, o entendimento de quão importante é ser combativo com o legado de preconceito que até um símbolo altivo como o escudo de Rogers carrega.

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 Do seu jeito, influenciado por Pantera Negra e sendo produto da era George Floyd, a Marvel explana a importância de se discutir desigualdades e segregação no mundo dos heróis, sob a batuta de um personagem que precisou visitar o passado para entender seu papel no presente.

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*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.