Cristiano Ronaldo ou Messi? Rei do futsal, Falcão revela qual dos dois é o seu preferido e escala a seleção de todos os tempos

Renan Nievola
·7 minuto de leitura
Falcão já levantou mais de 100 títulos na carreira
Falcão já levantou mais de 100 títulos na carreira

Mais de 100 títulos e uma marca que supera 3000 gols na carreira – sendo 401 pela seleção e, desses, 48 em Copas do Mundo. Taças conquistadas em todos os anos da carreira como profissional, por todas as equipes que passou. Nove Ligas de Futsal ganhas, por cinco times diferentes. Essas são as principais estatísticas de Falcão, considerado o maior jogador de Futsal de todos os tempos.

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Mesmo com tantas glórias individuais, o rei do futebol de salão sabe que o esporte praticado por ele é coletivo. Tendo consciência disso, Falcão escalou os jogadores que considera os melhores da história da modalidade, sem se incluir na lista, no bate-papo exclusivo com o Yahoo Esportes.

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O ex-jogador ainda respondeu qual foi a partida mais importante para ele, comentou sobre a experiência que teve no futebol de campo atuando pelo São Paulo, revelou quem prefere entre Cristiano Ronaldo e Messi e se acha que pode ser superado no Futsal. Confira a entrevista exclusiva.

- Das 258 partidas que te fizeram somar 401 gols pela seleção brasileira, qual foi a que mais te marcou e por que?

Falcão: “A partida que mais me marcou foi Brasil e Argentina, no Mundial de 2012. O Brasil perdendo de dois a zero. Eu, com paralisia facial e a perna machucada, não esperava entrar naquele jogo. A bola não estava entrando. Aí eu acabei entrando e fazendo a diferença naquele jogo, que nos deu a vaga para a final, para depois sermos campeões. Acredito que, pelas circunstâncias de tudo que aconteceu dentro e fora de quadra, esse jogo, com certeza, está marcado na cabeça de todo mundo”.

- Mesmo com a curta passagem no São Paulo, dá para dizer que o fato de você ter jogado no tricolor do Morumbi foi um sonho realizado? Por que?

Falcão: “Jogar no São Paulo foi um sonho realizado sem dúvida nenhuma. Poder viver o ambiente do futebol, ainda mais no time em que eu joguei, que foi vitorioso. Foi o último título paulista do São Paulo da história, no título da Libertadores eu também estava lá. Então, viver esse ambiente do futebol foi muito bacana, muito prazeroso. Foi muito bacana entender que meu nome era gritado e ovacionado pelo que eu fazia nas quadras. Eu já era reconhecido como o Falcão do futsal”.

- Outros jogadores conseguiriam mudar tão facilmente do salão para o campo como você fez? Qual ou quais?

Falcão: “Acho que, hoje, esse timing de mudança para muitos já foi. Para fazer a mudança do Futsal para o campo, o ideal é que o atleta sempre seja jovem. Eu tive essa oportunidade dos 14 aos 17 anos, mas eu escolhi sempre o Futsal. Eu poderia ter jogado na base do Corinthians. Todos os jogadores de sucesso saem nessa idade. Depois, eu fui para o campo já sendo uma realidade no Futsal, e sempre sabendo que eu tinha uma plano B e que, se acontecesse alguma coisa, eu voltaria. Mas a idade ideal para a mudança é essa de transição, entre 14 e 17 anos”.

Falcão já atuou com paralisia facial e ajudou o Brasil a se classificar para a fianl do Mundial de Futsal, em 2012
Falcão já atuou com paralisia facial e ajudou o Brasil a se classificar para a fianl do Mundial de Futsal, em 2012

- O Palmeiras faz um trabalho nas categorias de base de mesclar salão e campo, proporcionando que os jogadores transitem entre as duas modalidades. Quais são os benefícios disso na sua visão?

Falcão: “O Palmeiras é um exemplo disso. Esse é o ideal. A maioria dos clubes tem a comissão técnica do futsal e a comissão técnica do futebol. Eu acho que tem que ser em conjunto, ter um planejamento, principalmente dos dez aos doze anos. Com dez, onze anos, deve haver mais futsal do que futebol. Com treze anos já equilibrando. Com catorze anos já invertendo, para com quinze já “desmamar”, para ver se o atleta vai para o futebol ou para o futsal, mas o ideal é fazer isso de juntar o trabalho. A comissão técnica tem que falar em conjunto. Um zagueiro de treze anos, às vezes é grande e forte, mas não tem qualidade. Ele só vai levar vantagem por causa do tamanho. Se colocarem um trabalho específico para ele no futsal, com certeza esse zagueiro vai evoluir pelo menos 50% na sua carreira, principalmente na posse de bola”

- Houve um convite para voltar a jogar, feito pelo Magnus Futsal? Você o recusou?

Falcão: “Não tive esse convite de voltar a jogar, mas aqui eu tenho abertura total para voltar quando eu quiser. Era uma ideia pra série do Fred (do desimpedidos), que foi gravada, de eu jogar junto, mas eu já não queria passar por tudo isso de novo. Para o Fred era uma novidade para a pré-temporada. Para mim, era o principal motivo de eu ter parado de jogar. Então, eu preferi participar só da forma como eu participei e foi muito bom para todo mundo”.

- O que dificulta que o futsal se torne uma modalidade olímpica?

Falcão: “O futsal não é um esporte olímpico porque é um esporte da FIFA, e a Olimpíada é no mesmo ano da Copa do Mundo de Futsal, então para a FIFA não é interessante liberar ou fazer um acordo para que o futsal seja olímpico. Não só o futsal como o futebol de areia também, que são esportes dos quais a FIFA é detentora. Para a FIFA, não é interessante”.

- Dos jovens talentos do futsal, qual ou quais você poderia citar que tem potencial e uma brilhante carreira pela frente?

Falcão: “Hoje, no futsal, com a nova realidade, sempre se procura os jogadores que são habilidosos e decisivos. Eu vejo o Leozinho (da Magnus) fazendo uma grande diferença, o Leandro Lino, o Matheus (do Corinthians)... Eles são jogadores jovens e habilidosos, decidem jogos. Eu gosto de jogadores assim”.

- Qual jogador é melhor? Messi ou Cristiano Ronaldo? Por que?

Falcão: “Sobre Messi e Cristiano, é muito difícil. Eu coloco que, na disputa, o Cristiano fica com 49,9%, pela força de vontade dele ter se tornado o que ele é. E o Messi com 50,1% com o Messi por ser um dom natural. Ambos são vencedores, ambos são mágicos à sua forma e buscam excelência em números. Os dois estão muito à frente de todos os outros em relação a números. Mas se eu tiver que escolher um, é o Messi, por esse 0,1%, por ser um dom natural”.

Falcão em partida pela seleção brasileira
Falcão em partida pela seleção brasileira

(Foto 3. Falcão em partida pela seleção brasileira)

- Para muitos, Pelé, o rei do futebol, é insuperável na modalidade. Você, como rei do Futsal, acha que algum dia pode ser superado por algum jogador, em termos de títulos e importância para o esporte?

Falcão: “Ser o Pelé do futsal foi uma coisa que eu transformei em números. Quando perguntam se vai ter alguém que vai se comparar comigo, eu sempre falo que tem que fazer 401 gols pela seleção, tem que fazer 48 gols em Copas do Mundo, tem que ter mais de 100 títulos, tem que ganhar títulos em todos os anos da carreira profissional em todos os clubes que passou... Não é só pelo jeito de jogar. São os números. Tem que ganhar a Liga Futsal nove vezes por cinco times diferentes, tem que fazer mais de 3000 gols... Tem que decidir uma Copa do Mundo com paralisia facial... Eu sempre coloco os números e a história como um exemplo a ser superado. No futsal, eu busquei bater todos os recordes, e consegui, então acredito que o dia que alguém fizer tudo isso, aí a gente pode conversar”.

- Escale a melhor seleção de futsal de todos os tempos, os cinco jogadores que foram os melhores na sua opinião.

Falcão: “Na seleção que eu vou escalar, eu não vou me colocar. Vou colocar jogadores com quem eu joguei. Eu colocaria o Tiago no gol, Schumacher, Manoel Tobias, Vinicius e Lenísio”.

- Você criou há não muito tempo um canal no YouTube, que recentemente bateu a marca de um milhão de inscritos. Qual o tipo de conteúdo que nele?

Falcão: “Meu canal tem sido um sucesso. Foi muito assertivo eu ter criado o canal parando de jogar, então eu não dei esse buraco, essa brecha. É um canal de brincadeira, de desafios. Tudo relacionado a futebol, à bola. Lá eu posso juntar os amigos, Youtubers, ex-jogadores, jogadores, então realmente tem sido muito bacana. Foi uma novidade muito legal para mim e eu estou muito feliz”.

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