Facebook apagou mais de 2 milhões de anúncios com manipulação política

Felipe Demartini
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O Facebook revelou neste final de semana alguns números relacionados à luta contra fake news durante as eleições americanas, falando na remoção de mais de 2,2 milhões de anúncios da rede social e do Instagram. Além disso, 150 milhões de publicações tiveram seus alcances reduzidos ou receberam alertas sobre a veracidade de suas informações ao longo dos últimos meses, em outra das maneiras encontradas pela companhia para minimizar o impacto da manipulação política e da disseminação de mentiras com esse intuito.

No caso mais grave citado por Nick Clegg, vice-presidente de assuntos globais e comunicações do Facebook, 120 mil publicações foram apagadas por conterem informações voltadas à “obstrução de votação”. São postagens que falavam sobre os perigos do coronavírus para quem iria às urnas ou que passavam informações erradas sobre procedimentos com cédulas e cadastros, todos os esforços voltados a invalidar votos ou os registros dos eleitores americanos.

De acordo com o executivo, 35 mil funcionários do Facebook são, atualmente, responsáveis pela segurança e confiabilidade das plataformas da companhia durante o período eleitoral. Além disso, Clegg cita parcerias com 70 instituições da sociedade civil, entre agências de checagem, sites de notícias e mídias especializadas, em diferentes países, para agilizar a verificação de informações e o posicionamento de alertas caso alguma tentativa de desinformação seja identificada. Isso sem falar nos sistemas de inteligência artificial, que de acordo com ele, seria o responsável por apagar “bilhões” de publicações, grupos, páginas e contas antes mesmo de elas agirem ou serem denunciadas por um usuário humano.

Além disso, como forma de garantir a transparência durante o período e auxiliar possíveis inquéritos que surjam depois, o executivo disse que o Facebook vai armazenar as informações sobre anúncios e seus responsáveis por sete anos a partir da data de publicação. Todas as iniciativas, claro, vêm da necessidade de tomar atitudes após as graves denúncias de que as redes sociais da empresa foram acessório de manipulação política durante as eleições presidenciais americanas de 2016 e, também, na votação do BRExit, que optou pela saída do Reino Unido da União Europeia, no mesmo ano.

<em>Nick Clegg é ex-vice-primeiro-ministro do Reino Unido e, agora, está à frente dos esforços do Facebook contra a manipulação política e a desinformação (Imagem: Divulgação/Facebook)</em>
Nick Clegg é ex-vice-primeiro-ministro do Reino Unido e, agora, está à frente dos esforços do Facebook contra a manipulação política e a desinformação (Imagem: Divulgação/Facebook)

Antes de trabalhar para o Facebook, Clegg chegou a pedir oficialmente a abertura de um inquérito no parlamento inglês, do qual fez parte de 2005 a 2017, chegando a ocupar, durante cinco anos, o posto de vice-primeiro-ministro do Reino Unido. Ao deixar a vida política, ele foi contratado pela rede social durante a repercussão das operações de manipulação global, justamente, para combater a onda de desinformação e garantir que a mesma coisa não acontecesse agora, quatro anos depois, quando se disputa um novo pleito nos Estados Unidos.

Entre os esforços do Facebook para lidar com o problema, além da moderação, estão ferramentas de análise de publicidade sobre política, nas quais os usuários podem ter acesso aos anúncios criados, valores pagos e demais informações sobre as propagandas, inclusive aquelas veiculadas no Brasil. Além disso, plataformas de levantamento de dados também estão disponíveis para desenvolvedores, de forma que eles possam usar dados públicos para realizar pesquisas e direcionar os reclames. Ainda, a rede social informa ter aumentado o escrutínio para aprovação das postagens pagas sobre assuntos ligados a temas sociais ou eleições.

Fonte: Canaltech

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