F4 busca preencher lacuna no Brasil e levar pilotos do país à F1

***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL, 11.11.2017 -  O piloto brasileiro Felipe Massa. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL, 11.11.2017 - O piloto brasileiro Felipe Massa. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em 2017, quando correu pela última vez no Brasil como piloto da F1, Felipe Massa se despediu do público no autódromo de Interlagos com uma previsão pessimista. Para ele, o país demoraria anos para voltar a ter um representante na categoria.

O paulista acreditava que não seriam apenas patrocínios e dinheiro que levariam os brasileiros de novo ao maior campeonato do automobilismo mundial. Seria necessário, também, investir na formação de pilotos, algo que, segundo ele, o país havia deixado de fazer.

A maior consequência disso é que há sete anos nenhum competidor do país chega à F1. O último a entrar como titular na categoria foi Felipe Nars, em 2015 -Pietro Fittipaldi disputou duas corridas em 2020, mas como reserva da Haas.

Após 15 anos de vazio e projetos frustrados para encontrar e formar novos talentos, uma nova iniciativa vai tentar quebrar esse hiato. A partir deste fim de semana, 16 pilotos com idades a partir de 15 anos vão disputar a inédita F4 Brasil.

A competição nasceu da união entre a recém-criada Associação dos Pilotos de F4 do Brasil e a Vicar, que, além de investidora e promotora da nova competição, também organiza a Stock Car.

O objetivo do campeonato é solucionar falhas na formação dos atletas e preencher a lacuna entre o kart e as competições de fórmula, como F1 e Indy -quem deseja seguir carreira nas pistas geralmente precisa deixar o país e buscar competições de base na Europa ou nos Estados Unidos.

"Quando você manda um menino de 15 anos para a Europa, ele tem que aprender um novo idioma, vai ficar longe da família, dos amigos, da namorada, e vai ter que aprender a cozinhar e morar sozinho. Ou seja, 90% de tudo o que pode dar errado vai ser fora do carro", diz à Folha Fernando Julianelli, CEO da Vicar.

Segundo o executivo, ao dar continuidade à carreira sem ter de sair do país tão jovem, o piloto vai ter uma chance maior de sucesso. "Quando ele chegar à Europa depois de competir aqui, estará mais maduro."

A última iniciativa parecida no Brasil havia sido a Fórmula Renault, disputada de 2002 a 2006, que ajudou a formar nomes como Lucas Di Grassi, Daniel Serra, Allam Khodair e Bia Figueiredo.

Sem projetos parecidos, a presença de pilotos brasileiros nos campeonatos de F4, F3 e F2 foi diminuindo ao longo dos últimos anos, o que prejudicou a ascensão até a F1.

"Se não tem pilotos nas categorias de baixo, F4, F3 e F2, não tem como mandar para a F1. Agora, se nós aumentarmos esse número, vamos ter mais chances de chegar à F1", afirma Alberto Cho, vice-presidente executivo da Associação de Pilotos da F4 no Brasil.

O empresário é pai de Álvaro Cho, o mais jovem garoto do grid -ele tem 14 anos e vai completar 15 no dia 27 de junho. Ao todo, dos 16 pilotos, 10 são ligados à associação.

O campeonato contará, ainda, com sobrenomes de peso do automobilismo nacional, como o de Fernando Barrichello, filho de Rubens Barrichello.

Como a F4 Brasil é licenciada pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo), a idade mínima para competir é de 15 anos. Dessa forma, Cho só poderá estrear a partir da segunda etapa, no dia 31 de julho, em Interlagos. A abertura da temporada será neste sábado (14), às 9h40, no Autódromo Velocitta, em Mogi Guaçu, município do interior de São Paulo.

Serão seis etapas ao longo do campeonato, e cada um delas contará com três corridas no mesmo fim de semana, sendo duas aos sábados e uma no domingo. As provas serão transmitidas pelo BandSports.

Por ter a chancela da FIA, o campeonato também contará pontos para a superlicença, necessária para um piloto chegar à F1. Para ter essa espécie de carteira de motorista, cada piloto precisa somar 40 pontos ao longo das competições de base. O campeão da F4 vai somar 12 pontos.

Além disso, o carro que será usado aqui é o mesmo modelo recém-lançado na Europa, fabricado na Itália e utilizado nas principais categorias de base do mundo, o Tatuus F4 T-021, com pneus da Pirelli.

Para o piloto Felipe Giaffone, também membro da associação e pai do piloto Nicolas Giaffone, 18, usar esse modelo ajuda a diminuir a distância entre os pilotos formados fora do país. "Correr com esse carro e com os mesmos pneus fabricados e usados na Europa é uma grande oportunidade", diz.

Ao todo, a Vicar investiu cerca de R$ 20 milhões para comprar 17 carros, além de peças de reposição e os pneus. Para recuperar o investimento, o promotor da categoria poderá comercializar 30% dos patrocínios dos carros --por enquanto, o Banco de Brasília é o único parceiro da categoria. Já os outros 70% serão das equipes.

A ideia da associação que reuniu dez pilotos do grid nasceu justamente para facilitar as negociações por essas cotas de patrocínios. Embora eles tenham a liberdade de buscar parcerias individuais, o grupo tem oferecido ao mercado a possibilidade de um patrocínio conjunto, aparecendo em dez carros.

"No nosso caso, dos 16 pilotos, 10 são da associação. Então, a visibilidade é garantida. A probabilidade de ter um piloto da associação no pódio é grande, e a chance de visibilidade para o patrocinador, também", explica Ricardo Gracia, membro da associação, e pai do piloto Ricardo Gracia Filho, 17.

Fernando Julianelli diz que, mesmo com o investimento necessário para organizar o campeonato, a F4 no Brasil será uma das mais baratas do mundo. Segundo o executivo da Vicar, isso é possível porque a categoria vai correr junto com a Stock, nas mesmas pistas e fins de semana.

"Primeiro, a gente amortizou o custo do evento com a Stock Car. Segundo, homologamos as equipes da Stock Car para fazer a gestão dos carros. Então, grande parte do custo de oficina já está amortizado em cima da Stock", explica. "Além disso, a mão de obra e parte dos insumos são em Real, então, quando você compara isso internacionalmente, a F4 no Brasil é muito atrativa", encerra.

Programação da primeira etapa da F4 no Autódromo

Velocitta

Sábado (14)

9h40 - Corrida 1 (25 minutos + 1 volta) - BandSports

14h40 - Corrida 2 (18 minutos + 1 volta) - BandSports

Domingo (15)

12h10 - Corrida 3 (25 minutos + 1 volta) - BandSports

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