F1 completa 50 anos no Brasil e aposta em nostalgia para suprir carência do público

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 10.11.2022 - Preparativos para o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, no autódromo de Interlagos, em São Paulo. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 10.11.2022 - Preparativos para o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, no autódromo de Interlagos, em São Paulo. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma exposição na Oca do Ibirapuera apresenta momentos marcantes das últimas cinco décadas da F1 no Brasil. Em Interlagos, uma escultura com o busto de Ayrton Senna foi idealizada pela família do ídolo para agradecer o carinho dos fãs, enquanto Emerson Fittipaldi será homenageado por seus feitos na categoria.

Com o Mundial de 2022 já decidido, conquistado por Max Verstappen, da Red Bull, e novamente sem um brasileiro no grid, a F1 desembarcará no Brasil neste fim de semana apostando na nostalgia para renovar sua conexão com o público, justamente no momento em que essa relação completa 50 anos.

Palco do GP São Paulo neste domingo (13), às 15h (de Brasília), o Autódromo de Interlagos também foi o cenário da primeira corrida da categoria no país, em 1972.

Ainda com seu antigo traçado, de 7.960 metros de extensão, a pista recebeu uma prova que não fez parte do calendário oficial, algo comum na época, sobretudo quando um país se candidatava para ter um grande prêmio. Era como um teste de viabilidade para sediar o evento.

Por ser tratar de uma corrida extracampeonato, nem todas as equipes vieram para São Paulo. A Ferrari, a McLaren e a Tyrrell, por exemplo, foram as maiores ausências. Com isso, apenas 12 pilotos, sendo quatro brasileiros —os irmãos Emerson e Wilson Fittipaldi, José Carlos Pace e Luiz Bueno—, inscreveram-se para a prova, realizada em uma inusitada quinta-feira, 30 de março.

Emerson fez a pole, mas a cinco voltas do fim viu a suspensão de seu carro quebrar e a vitória cair no colo do argentino Carlos Reutemann. O sueco Ronnie Peterson chegou em segundo, enquanto Wilson fechou o pódio, em terceiro.

Nas arquibancadas, nem a vitória escapando das mãos do brasileiro já no fim diminuiu a empolgação dos mais de 60 mil presentes. Uma característica que também seria marcante nas décadas seguintes.

Em 1973, já com seu título de 1972 na bagagem —o primeiro do Brasil na F1 e pelo qual ele ganhará uma homenagem neste fim de semana no autódromo— Emerson viveu a consagração de vencer o primeiro GP Brasil oficial da história. No ano seguinte, repetiu a dose. E, em 1975, foi a vez de José Carlos Pace ganhar a etapa. Foi uma sequência determinante para cativar o público.

A partir dali, Interlagos seria palco de alguns dos momentos mais marcantes dos brasileiros na categoria, que ajudaram a nutrir a paixão do país por automobilismo. Depois de Fittipaldi e Pace, outros dois pilotos daqui também venceram no autódromo, Ayrton Senna e Felipe Massa, o último titular do país na categoria e que se despediu em 2017, dando início ao atual hiato.

O tricampeão subiu pela primeira vez no lugar mais alto do pódio em 1991, ano em que conquistou o seu terceiro título, e também em 1993. Nesta semana, o ídolo ganhou um busto de 3,5 m de altura e 550 kg, que ficará exposto na área das arquibancadas do setor A, na reta principal. A peça batizada como "Nosso Senna" é de alumínio e facetado e foi concebida Lallali Senna, sobrinha do piloto.

Já Massa ganhou as provas de 2006 e 2008, quando teve início um jejum de 14 anos, que inevitavelmente não será encerrado este ano devido à ausência de brasileiros no atual grid.

Ao longo dos últimos 50 anos, contudo, São Paulo não foi o único lugar a abrigar o GP Brasil. O autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, também sediou o evento dez vezes. Foi lá que o tricampeão Nelson Piquet, que hoje enfrenta problemas judiciais por declarações racistas e homofóbicas, entrou para a seleta lista de brasileiros com vitória na etapa brasileira.

Mesmo com a importância do período na pista carioca, Interlagos se consolidou como o grande palco do automobilismo nacional. Sediou 37 etapas como GP Brasil e uma com seu atual nome, GP São Paulo. Só deixou de receber uma corrida que estava prevista no calendário em 2020, por causa da pandemia.

O breve hiato foi o suficiente para aumentar a expectativa do público para o retorno da categoria em 2021. A espera foi recompensada como uma prova emocionante, que terminou com uma homenagem do inglês Lewis Hamilton aos brasileiros. Depois de cruzar a linha de chegada em primeiro, ele repetiu um gesto que ficou marcado com Ayrton Senna e desfilou com a bandeira brasileira.

Com o triunfo, o heptacampeão igualou o argentino Carlos Reutemann e o alemão Sebastian Vettel como o terceiro que mais vezes venceu uma etapa no Brasil. Cada um tem três vitórias.

O francês Alain Prost, com seis pódios em primeiro, e o alemão Michael Schumacher, com quatro, lideram o ranking de maiores vencedores de uma das etapas mais clássicas do mundial de F1, em seu aniversário de 50 anos.

EXPOSIÇÃO "50 ANOS DE GP NO BRASIL"

Local: Oca do Parque Ibirapuera, em São Paulo

Data: de 18 de outubro a 20 de novembro (de terça a domingo)

Horário: 10h-21h (ultimo grupo com entrada às 20h)

Preço: grátis (terça-feira), R$ 50 (de quarta a domingo) e R$ 150 (em fins de semana de corrida - direito a assistir a um GP com telão e DJ); crianças menos de 5 anos não pagam e há meia-entrada.