Ex-líder do PSL: 'Já trato Moro como meu candidato a presidente em 2022'

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Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Adversários de Bolsonaro no partido que o elegeu, como Delegado Waldir, estimulam candidatura do ministro da Justiça.

  • “O presidente Bolsonaro se afastou daquilo que eu milhões de seguidores pensamos. Se afastou da ética. E o Moro representa os valores da Lava-Jato", analisa deputado.

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Uma campanha para convencer o ministro da Justiça, Sergio Moro, em sido empreendida por ex-aliados do presidente Jair Bolsonaro para que o ex-juiz se candidate ao Palácio do Planalto em 2022. A informação foi divulgada pela revista Época, que, na sexta (31), já revelara que Moro recebe há cinco meses pesquisas feitas por um instituto sobre o seu desempenha em uma possível disputa eleitoral.

Ex-líder da legenda na Câmara e aliado do presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, Delegado Waldir (GO) confirmou à revista que tem pedido pela candidatura em todos os posts do ministro no Instagram. Há uma semana, o ministro criou uma conta na rede social.

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"Sempre comento em todas as postagens dele. Não sei se ele vai sair candidato ou não, mas já trato como meu candidato a presidente em 2022. Já lancei aqui em Goiás e já estou lançando em qualquer lugar. O presidente Bolsonaro se afastou daquilo que eu milhões de seguidores pensamos. Se afastou da ética. E o Moro representa os valores da Lava-Jato", analisa Waldir.

Conforme o ex-líder do PSL, o episódio em que Bolsonaro cogitou a recriação do Ministério da Segurança Pública, com a possibilidade de retirar-lhe as atribuições da área, representou um ataque direto ao ministro.

"Todo príncipe que pode se tornar rei é desprezado, humilhado. E há uma tentativa clara de destruí-lo", avalia Waldir.

Outros parlamentares do partido, por outro lado, preferem emitir mensagens cifradas de apoio a uma possível candidatura de Moro. Uma deles é Joice Hasselmann (SP), que escreveu em mensagem no Twitter que o ministro, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, mostrou que "está pronto para desafios ainda maiores".

A parlamentar comemorou a adesão do ex-juiz ao Instagram de forma efusiva: "Moro arrebenta no Instagram! 112 mil seguidores por dia!". 

Para aliados de Bolsonaro, Moro é fiel, e, por isso, não participaria de uma disputa eleitoral contra Bolsonaro. Para o deputado Bibo Nunes (PSL-RS), "não há a menor hipótese de Moro se rebelar".

"Intrigas é o que mais tem contra o governo. E também há a tentativa de colocar em choque o Moro contra o Bolsonaro", disse o parlamentar à revista.

Em transmissão ao vivo publicada durante a semana, a deputada Bia Kicis (DF) também reforçou o mesmo discurso. Ao comentar o desempenho de Moro em entrevista ao Roda Viva, ela usou o mesmo argumento. "Ficou muito claro de que não existe nenhuma animosidade entre ele (Moro) e o presidente. A imprensa vive querendo fazer isso", disse a deputada.

Popularidade maior que a do chefe

O ministro tem popularidade maior que a de Bolsonaro, como apontou pesquisa Datafolha do fim de 2019, Moro ganhou o apelido no Palácio do Planalto de “ministro indemissível” e se tornou, na avaliação de auxiliares do governo, um contraponto ao presidente na Esplanada.

Ex-titular da 13ª Vara Criminal da Justiça Federal em Curitiba e responsável pela Operação Lava Jato, Moro foi convidado por Bolsonaro logo após sua vitória na eleição de 2018. Ele chegou ao governo com a promessa de que assumiria um “superministério” com a missão de reforçar o combate à corrupção e ao crime organizado.

Indicação ao STF

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a mais recente crise política entre o ministro e o presidente, com o risco de desmembramento do ministério, fez com que Bolsonaro voltasse a colocar novamente o ex-juiz da Lava Jato como o seu preferido para substituir o decano Celso de Mello no STF (Supremo Tribunal Federal).

Mello se aposentará em novembro, o que abrirá espaço para o presidente emplacar seu primeiro nome na corte. Segundo o jornal, aliados de Bolsonaro veem, no gesto de indicar Moro, um movimento para blindar um cenário em que ele pode surgir como seu adversário na sucessão presidencial de 2022.

O ministro teria tratado da possibilidade de ir para o STF em conversa com o presidente após a polêmica sobre a recriação do Ministério da Segurança Pública, hoje parte da pasta da Justiça.

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