Executivo aposta no esporte como integração entre municípios do Rio

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Criado para traçar estratégias de atuação conjuntas entre os 16 municípios impactados pelo Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, o Comperj, o Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento do Leste Fluminense (CONLESTE) atua para, via parcerias públicas e privadas, contribuir para o crescimento econômico, cultural e sustentável das regiões consorciadas, que vão desde o Leste Metropolitano, passando pela Baixada Fluminense, Região Serrana, até as microrregiões da Baixada Litorânea. E o esporte está entre as prioridades.

Diretor geral do CONLESTE, João Leal, com passagem pelo Flamengo na gestão de Eduardo Bandeira de Mello e pelo Comitê Olímpico Brasileiro durante as Olimpíadas de 2016, falou dos planos e de como acredita no esporte como uma importante ferramenta para a otimização do trabalho feito pelo consórcio.

Ao todo, são cerca de 3,2 milhões de pessoas impactadas pela ação do consórcio, que trabalha em inúmeras frentes para melhorar o IDH da região, sustentada basicamente pela agricultura familiar, turismo verde e gás natural. As cidades que fazem parte são: Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Rio Bonito, Maricá, Tanguá, Cachoeiras de Macacu, Casimiro de Abreu, Silva Jardim, Araruama, Saquarema, Cachoeiras de Macacu, Guapimirim, Magé, Nova Friburgo e Teresópolis.

Veja entrevista com João Leal:

Antes de chegar ao CONLESTE, você trabalhou nos bastidores do esporte. Conte um pouco sobre suas experiências na área.
Trabalhei no Flamengo em 2015 durante o mandato do Eduardo Bandeira de Mello, fiz parte da governança que estruturou os pilares para sucesso para o clube. Lembro que o Flamengo ia contratar um placar eletrônico por 45 mil reais, era um contrato de fornecimento e prestação de serviço, e quando cotei descobri que o valor do fornecimento do placar era 15 mil, e os 30 mil era o valor da prestação de serviço, que era só apertar os botões do placar. A gente saneou o clube nesse sentido. Tive experiência nos Jogos Olímpicos, nos contratos de patrocínio, e depois fui cuidar das cidades que receberam o futebol. Em 2017 me chamaram para assumir a Secretaria de
Desenvolvimento Econômico de Itaboraí. Em 2019 surgiu a oportunidade de assumir a diretoria geral desse consórcio.

Qual o papel do esporte na integração entre os municípios do consórcio?
O esporte apresenta valores universais tais como disciplina, espírito de equipe e solidariedade, que conversa muito com o momento em que vivemos hoje. É entender, num momento de pandemia, como a gente tem que se comportar. Bem como, no âmbito da competição, o adversário não é seu amigo, você tem que respeitá-lo acima de tudo. Respeitar a opinião do outro é importante.

Pode dar um exemplo de alguma ação?
No ano passado a gente fez a Copa CONLESTE, com o objetivo de promover a integração dos servidores municipais com excelência. Tive o cuidado de mandar planilhas para os secretários de esportes, eles escolheram os número das camisas, tamanho e nomes dos atletas. A final foi na Granja Comary. O detalhe é que esse evento não contou com nenhum centavo público, mas com apoio da iniciativa privada. Com a credibilidade do CONLESTE, conseguimos ajuda para comprar medalhas, troféu e as coisas do churrasco. Foi bem bacana.

Além das ações que promovem a interação dos servidores públicos, existe alguma que privilegie os jovens dessas regiões?
Um projeto muito emblemático, que está na fase final de estruturação, vai ser a primeira Comunidade Pelé Academia, em Resende. É um projeto no qual um grupo de empresários adquiriu o Resende Futebol Clube para fazer um centro de treinamento de primeira linha. Já tem até um convênio com o Lyon, da França. A missão é formar cidadãos, inclusive, estão construindo uma escola e um alojamento dentro do CT. São dois times, 25 meninos e 25 meninas, que terão acompanhamento nutricional, odontológico e acadêmico durante um ano, vão ficar hospedados na Pelé Academia e vão poder participar de torneios pelo estado. A ideia é mostrar a esses jovens da comunidade da Reta que existe um caminho bom, que é o caminho do esporte. Também tem uma contrapartida ambiental, que eles vão estruturar o bosque dos mais de mil gols do Pelé. Vai ter uma plantação dentro da comunidade. Estamos há um ano estruturando, o Ministério Público aprovou, a Secretaria de Estado de Ambiente já aprovou e, passando a pandemia, a gente vai iniciar o projeto em Itaboraí. Mas a gente pretende estender para os demais municípios. A gente já tem desenhado o torneio sub-15 do CONLESTE, que também vislumbra essa integração. A ideia é que esses times sejam formados por alunos das escolas públicas dos municípios. O Instituto Pelé já tem interesse em patrocinar, assim como a DSoccersports. A WTVision já se candidatou para transmitir a competição pela internet. Nossa ideia é fazer a final na Granja Comary também. Esse torneio não deixa de ser uma oportunidade para descobrir novos talentos. Por conta das olimpíadas, a gente faz uma parceria com o COB para o programa Transforma, que tem uma série de ações, como contar um pouco da história olímpica nas escolas; COB Portas Abertas, que leva os alunos para conhecerem as instalações dos Jogos Olímpicos; e formação voltada para os docentes dos municípios para proporcionar essa qualificação e fazer com que as crianças do interior experimente o legado das instalações dos jogos.

Qual a projeção da CONLESTE para 2021?
Continuar o trabalho que a gente tem feito, potencializando esses vetores, como agricultura familiar, ecoturismo e ao ano da energia. Hoje no cenário está sendo chancelado o novo marco regulatório do gás, que vai permitir uma maior competição nesse mercado. 21 MM de m³/dia que serão processados na GASLUB (antigo COMPERJ) a partir de 2022. No campo esportivo a gente quer entregar mais uma edição da Copa CONLESTE, promover a Copa Sub-15 e resgatar nessa região os jogos estudantis, que é para agregar outras modalidades, como vôlei, basquete, futebol, natação entre outros.