Ex-assessora de Flávio Bolsonaro diz que foi orientada a não atender chamado do MP em reunião com Wassef

Redação Notícias
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Brazilian Frederick Wassef, lawyer of senator Flavio Bolsonaro - son of President Jair Bolsonaro- leaves the Federal Police Headquarters in Rio de Janeiro, Brazil on May 26, 2020. - The Brazilian Federal Police carried out searches, as part of the Operation Placebo, at the official residence of the governor of Rio de Janeiro, Wilson Witzel, and at the homes of Brazilian former Secretary of Health Edmar Santos and former undersecretary Gabriel Neves. The operation is part of an investigation of the misappropriation of funds and fraud in the bidding processes for the purchase of equipment and supplies intended to combat the new coronavirus in Rio de Janeiro. (Photo by FABIO MOTTA / AFP) (Photo by FABIO MOTTA/AFP via Getty Images)
A reunião ocorreu no mesmo dia em que ela tinha sido chamada para prestar esclarecimentos na investigação (Foto: Fabio Motta/AFP via Getty Images)

A ex-assessora do antigo gabinete do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Luiza Sousa Paes, afirmou que foi chamada para uma reunião com o ex-advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef, no mesmo dia em que ela tinha sido convocada para prestar esclarecimentos na investigação do Ministério Público (MP).

A reunião de Luiza com Wassef ocorreu no dia 20 de dezembro de 2018 em um hotel na Barra da Tijuca, dia em que ela deveria prestar esclarecimentos ao MP. Luiza afirmou ter sido orientada a não atender a convocação dos promotores, de acordo com o jornal O Globo.

À época, em 2018, ela trabalhava como ex-assessora do antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Nesta semana, porém, a ex-assessora admitiu em depoimento ao MP-RJ que nunca atuou como funcionária do filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e que era obrigada a devolver mais de 90% do salário, no esquema que ficou conhecido como “rachadinha”.

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Luiza ainda apresentou extratos bancários para comprovar que, entre os anos de 2011 e 2017, entregou cerca de R$ 160 mil para Fabrício Queiroz, ex-chefe da segurança de Flávio que é apontado como operador do esquema de desvios de salários. O dinheiro era enviado por meio de depósitos e transferências, segundo depoimento.

Embora as investigações corram por meses, é a primeira vez que um ex-assessor admite o esquema ilegal no gabinete do parlamentar.

Ao MP, a ex-assessora revelou o episódio e cedeu localizações de GPS que mostraram esse encontro. Quem a direcionou para a reunião foi o advogado Luiz Gustavo Botto Maia, que também já atuou para Flávio Bolsonaro.

Luiza teria encontrado com Botto Maia em seu escritório e de lá seguiu com ele, no carro do advogado, para um hotel na Barra onde estava Frederick Wassef. No encontro, segundo ela, Wassef não se apresentou como advogado de Flávio. Ele apenas afirmou que era "poderoso" e que cobrava milhões nas causas em que atuava. Porém, desta vez, ele estava fazendo a defesa de graça porque considerava que aquilo tudo era uma "covardia".

Segundo ela, os advogados disseram que não era para ela prestar depoimento porque nenhum assessor iria fazê-lo. Wassef era advogado de Flávio no procedimento e também atuava em outras causas da família Bolsonaro.

Em junho, depois de um ano e meio escondido, Queiroz foi preso na casa do advogado em Atibaia, no interior de São Paulo. Após a prisão do ex-assessor de Flávio, Wassef deixou a defesa do senador.