Ex-zagueiro relembra conselho para largar o futebol e salários atrasados no Flamengo: 'Experiência traumática'

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Dono de uma estrutura do 'nível Europa' atualmente, o Flamengo nem sempre foi visto com bons olhos pelos atletas. Um exemplo é o caso do ex-zagueiro André Dias, que teve uma curta passagem pelo Rubro-Negro entre 2022 e 2023. Em entrevista à ESPN, o jogador aposentado relembrou os problemas vividos e não poupou críticas ao clube.

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- Com dinheiro ou sem, as pessoas sempre vão ver (o Flamengo) como um time gigantesco. Na minha época era muito ruim em todos os aspectos: dentro de campo, fora de campo, salários... E o nosso time não era ruim: Júlio César, Fernando, André Bahia, Váldson, Alessandro, Felipe Melo, Jorginho, Athirson, Liédson e Felipe. Os treinadores foram Lula Pereira, Evaristo de Macedo e Nelsinho Baptista. Não devo ter jogado uns 15 jogos.

Revelado no Palestra, de São Bernardo do Campo-SP, o defensor se destacou pelo Paraná Clube antes de chegar à Gávea, com apenas 22 anos. Mesmo em um momento turbulento da história do clube rubro-negro, André Dias avalia que faltou personalidade para mostrar o seu valor.

- A experiência de ver um monte de caras que iam para a seleção foi um choque muito grande. Eu não tinha ambiente por lá, mas não porque os caras fossem 'malas'. Ao contrário, eles me tratavam muito bem. Só que me faltou um pouco de personalidade para mostrar o que sabia fazer. Em time grande não tem muita paciência e acabei saindo.

Além da falta de oportunidades, a outra grande insatisfação do ex-zagueiro era o atraso dos salários. Segundo ele, o clube ficou vários meses sem pagar e a experiência ruim o fez se afastar do Rio de Janeiro nos anos seguintes.

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- Cheguei a fazer as compras do mês com R$ 50 morando na Barra da Tijuca. As pessoas achavam que eu estava milionário por estar no Flamengo. Na época daria para viver tranquilamente com a minha esposa, mas o Flamengo não pagava. Eu tinha que me virar nos 30! Cheguei a ficar sete meses sem receber salários somando o período entre o Paraná e o Flamengo.

- Foi uma experiência tão traumática que só voltava ao Rio quando ia jogar. O Rio é a coisa mais linda, e sei que o Flamengo é gigante, mas para mim foi ruim. Tem clubes que você passa e as coisas não andam - desabafou André Dias.

Em meados de 2003, o zagueiro enfim deixou o Flamengo e acertou a transferência para o Paysandu. No dia da rescisão de contrato, porém, um episódio quase o fez desistir da carreira. Quem mudou a cabeça de André Dias foi a esposa, que o convenceu a seguir o sonho.

- Quando fui rescindir meu contrato com o Flamengo, um cara da contabilidade do clube me disse: ‘Você é novo e está fazendo uma rescisão boa. Vai fazer faculdade. Futebol não dá para você’. Eu nunca tinha visto o cara na vida e ele me jogou esse balde de água fria. Eu pensei que ele tinha razão porque nada dava certo.

- Ela me disse: ‘Você tá louco? Eu abandonei a minha família não só para viver teu sonho, mas para te ajudar também. Sei o quanto é difícil. Você morava na favela até esses dias’. Ela me contou toda a minha história porque eu já estava esquecendo. E resolvi tentar mais um pouco.

Após se destacar pelo Paysandu, ele rapidamente fechou com o Goiás, onde atuou por duas temporadas. Em 2006, André Dias se transferiu para o São Paulo e se tornou tricampeão brasileiro (2006, 2007 e 2008). Em seguida, defendeu a Lazio, da Itália, por mais de quatro temporadas e meia, entre 2010 e 2014.