Ex-presidente da federação de El Salvador é extraditado para os EUA por corrupção

Laura BONILLA
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(arquivo) O ex-presidente da Federação Salvadorenha de Futebol, Reynaldo Vásquez, é detido pela polícia de seu país no dia 16 de dezembro de 2015 em San Salvador

O ex-presidente da Federação Salvadorenha de Futebol, Reynaldo Vásquez, foi extraditado aos Estados Unidos nesta sexta-feira para ser julgado no âmbito do escândalo de corrupção na Fifa e se declarou inocente perante uma juiza federal em Nova York.

Vásquez foi acusado pela justiça dos Estados Unidos em dezembro de 2015 de violar a lei das organizações influenciadas pela extorsão e corrupção (RICO na sigla em inglês), criada para combater o crime organizado, assim como por diversos crimes de fraude bancária e de lavagem de dinheiro.

Porém, ele foi extraditado para os Estados Unidos apenas para ser condenado pelo primeiro delito de crime organizado, informou a promotora Kristin Mace na primeira audiência de Vasquez antes do juíza de Brooklyn, Pamela Chen, encarregada do mega escândalo de corrupção na Fifa.

Na audiência virtual, Chen perguntou a Vasquez se ele se declarava culpado ou não. "O réu se declara inocente", respondeu Gary Cutler, o advogado de Vasquez.

Cutler disse que irá propor condições de fiança em breve, para que seu cliente possa aguardar um julgamento em liberdade.

Mas a promotora Mace pediu ao juiz que o réu fosse detido pelo menos até então porque enfrenta uma acusação "muito grave" que "acarreta uma pena de até 20 anos" e porque ele tem vínculos com um país estrangeiro.

A juíza Chen acatou o pedido considerando que o réu "apresenta risco de fuga", e marcou a próxima audiência para 7 de abril.

A justiça americana garante que Vásquez recebeu propina em troca de direitos televisivos e comercialização de jogos da seleção salvadorenha, e por facilitar a participação da equipe em amistosos.

Há pouco mais de um ano, em outubro de 2019, a Fifa suspendeu Vásquez para sempre de todas as atividades relacionadas ao futebol.

Em março de 2017, o dirigente foi condenado a oito anos de prisão em El Salvador por outro crime: desvio de contribuições sociais de mais de 200 funcionários, no valor de cerca de 400.000 dólares.

O escândalo conhecido como "Fifagate" descoberto pelos Estados Unidos em maio de 2015 revelou uma trama de subornos milionários pagos por empresas de marketing esportivo a dirigentes do futebol das Américas em troca de direitos em transmissões televisivas e promoção de torneios, entre eles a Copa América e a Copa Libertadores.

No caso, que causou a queda do presidente da entidade, Joseph Blatter, o governo dos Estados Unidos acusou cerca de 45 pessoas e várias empresas esportivas de mais de 90 crimes e de pagar ou aceitar mais de 200 milhões de dólares em subornos.

Dos quase 45 réus, cinco morreram. No total, 26 se declararam culpados e, desses, pelo menos seis foram condenados.

Três se declararam inocentes e foram a um julgamento histórico em Nova York no final de 2017: o ex-presidente da CBF, José Marin, e o ex-presidente do futebol paraguaio e da Conmebol, Juan Ángel Napout, foram considerados culpados e presos, enquanto o ex-chefe do futebol peruano Manuel Burga foi absolvido.

Dez ainda estão em seus países, onde foram processados pela justiça local ou estão liberdade enquanto lutam contra a extradição.

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