Ex-Inter, Timão e Peixe, Nilmar revela que convive com quadro da depressão

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(Foto: JEWEL SAMAD / AFP)

Ex-Inter, Timão e Peixe, Nilmar revela que convive com quadro da depressão

(Foto: JEWEL SAMAD / AFP)


O mundo do futebol e seu ambiente glamourizado, por vezes, fazem torcedores e mesmo os comentaristas esportivos esquecerem que, dentro de campo, estão pessoas passíveis de problemas sérios. Como, por exemplo, quadros de depressão que, segundo informações da Organização Mundial da Saúde datada de outubro de 2018, 300 milhões de habitantes em todo o planeta são vítimas.

Quem admitiu ser uma das pessoas que sofre com esse tipo de situação quase que incapacitante em diversos níveis foi o atacante Nilmar, cria da base do Internacional e com carreira em clubes como Corinthians, Lyon-FRA e Villarreal-ESP.

Em entrevista que concedeu ao portal Globo Esporte no último fim de semana, Nilmar falou pela primeira vez em caráter mais aberto sobre o tema e esclareceu que os sintomas iniciais vieram pouco tempo antes de uma partida contra o Cruzeiro quando, em 2017, havia sido contratado com grande expectativa como reforço do Santos.

- Eu relutei um pouco para falar sobre isso porque até pouco tempo atrás eu não me sentia confortável. Eu tive o apoio da minha família mas onde eu diagnostiquei mesmo foi quando eu cheguei ao Santos. Antes mesmo do jogo com o Cruzeiro, na verdade, duas semanas antes, eu vinha me sentindo diferente, até mesmo nos treinamentos, naquele momento da ansiedade de voltar a jogar. Eu vinha de um ano muito conturbado nos Emirados e acredito que isso possa ter sido um dos gatilhos. Mas esse dia específico foi o dia em que acabou desligando a chavinha, como eu costumo dizer. Eu desconectei totalmente e entrei naquele mar que é tipo uma bolha. Quem viveu isso sabe o que eu estou contando. Eu só chorava. Todos os sintomas que vocês puderem pesquisar, eu vivi; insônia, eu não conseguia dormir, mas isso já depois desse caso da concentração - falou o atacante.






- Depois da concentração passei, dois dias no hospital, não diagnosticaram nada e entendi que eu precisava procurar os profissionais. O pessoal do Santos me auxiliou, colocou psicólogo, psiquiatra, comecei a fazer tratamento com medicação. Então aquilo para mim foi um choque muito grande. Eu sou um cara tranquilo e eu me cobrava muito em não querer estar naquela situação, foram três meses ali num processo muito difícil, só quem passa sabe a dor que é - ratificou Nilmar.

Atualmente em plena recuperação, o atleta com 34 anos de idade disse que a força tirada da sua família foi elemento crucial para que ele pudesse ter forças para seguir o tratamento:

- Hoje eu consigo ver que a gente passa uma imagem de super-herói paras pessoas e por trás de tudo, um atleta profissional é muito exigido, é muito cobrado, então sem dúvida nenhuma prejudica até certo ponto. Tudo aquilo que eu vivi foi para fortalecer mais ainda. Hoje estou dando valor às pequenas coisas, que às vezes a gente está num mundo de muito glamour e a gente acaba esquecendo as pequenas coisas da vida. Estou tomando esse tempo agora, melhorei, me reergui, estou mais presente com eles, meus filhos, me dá uma alegria que é estar mais presente. No futebol a gente não está junto por conta das viagens. Todo pai sonha em levar o filho para escolinha de futebol, levar pro colégio e ter finais de semana com eles, isso aí sem dúvida nenhuma me ajudou bastante. A minha esposa foi muito importante nesse momento




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