Ex-Inter faz caminho inverso, troca Brasil pela Argentina e se rende: "incentivam do início ao fim"

Goal.com

Ex-atleta do Internacional, Guilherme Parede fez o caminho inverso do que tem sido habitual nos últimos anos: trocou o Brasil pela a Argentina e é, hoje, o único brasileiro atuando na divisão principal do Campeonato Argentino. O jogador desembarcou no Talleres em janeiro deste ano, após ser vendido pelo Coritiba, que detinha seus direitos federativos, por cerca de R$ 3,4 milhões.

"Muitas pessoas viram como algo estranho, um brasileiro vindo para a Argentina, mas eu vi como uma oportunidade de fazer história num país diferente, que tem rivalidade com o Brasil, onde eu posso através do futebol, da minha história, tentar quebrar um pouco isso. Eu fui muito bem recebido aqui, pela diretoria, pelo clube, o projeto que me apresentaram e o esforço para contar comigo, fiz ótima escolha vindo para cá", ressalta Parede, em entrevista exclusiva à Goal.

A mudança de ares fez bem ao atacante que, antes da paralisação por conta da pandemia do coronavírus, marcou quatro gols e deu duas assistências em sete jogos com a camisa do Talleres. Apesar do pouco tempo no país vizinho, deu para sentir a diferença de "intensidade" entre os dois campeonatos. 

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"O futebol tem mais contato, o tempo todo você quer ter a bola, roubar a bola e não desiste por nada, o jogo também segue, não para por qualquer coisa acho que é isso, a intensidade é a maior diferença, poucos times no Brasil jogam com essa intensidade. Quando estava no Inter, os adversários que vi jogar assim foram Grêmio e o Flamengo".

Guilherme Parede Michel Internacional Grêmio 14042019
Guilherme Parede Michel Internacional Grêmio 14042019

Fora de campo, o atacante também sentiu diferença de intensidade e destacou a forma como as torcidas na Argentina apoiam suas respectivas equipes. 

"Com certeza há diferença, eles incentivam do início ao fim e no Brasil são poucos os times onde isso acontece, acho que depois que acaba o jogo, o torcedor tem todo o direito de cobrar, vaiar. Aqui, não só no Talleres, como em outras equipes, a torcida incentiva do início ao fim, canta, empurra até o time reagir, criar situações. Isso é muito importante para o jogador dentro de campo, fica fácil da coisa acontecer, não tem como não correr, não querer ganhar, ter a bola". 

Confira abaixo a entrevista completa: 

Como foram seus primeiros dias no Talleres e como foi a recepção do grupo?

"Os meninos aqui são muito receptivos, no primeiro momento que eu cheguei já me chamaram para hablar un poquito (risos) e como eu entendia um pouco por jogar com gringos no Brasil ficou muito mais fácil. Me receberam super bem, no primeiro jogo, contra o Boca, me passaram tranquilidade, confiança, me disseram para dar todo de mi. Antes da quarentena, colocaram até um samba lá no vestiário para eu sambar, mas não sou muito do samba não, não levo jeito, tenho o corpo 'meio duro' (risos)". 

Fora de campo, quais foram as principais diferenças que você sentiu ao chegar na Argentina? 

"Aqui eles comem muita massa pelo o que eu percebi, eu gosto bastante de massa, mas o feijão, principalmente foi a dificuldade, é difícil achar aqui, até tem mas é totalmente diferente, o tempero. A gente conseguiu inventar uns temperos, aprendi a cozinhar na quarentena, agora já faço de tudo, aprendi coisas que eu não sabia, procurei evoluir. Agora, cozinho, limpo a casa, lavo roupa eu não fazia muito isso e agora já até falo para minha esposa ficar no sofá, descansar, que eu vou fazer a comida, vou lavar a roupa". 

Falando um pouco do Internacional, você teve um ótimo início, mas depois acabou caindo de rendimento, como analisa a sua passagem e o que deu errado?

"Jogar 47 partidas num clube como o Inter não é para qualquer um, a gente tem altos e baixos e comigo não foi diferente. O time deu uma caída de rendimento no final, mas acredito que fiz um bom ano. Eu aprendi muitas coisas fora de campo, minha esposa e eu, estávamos grávidos e a gente perdeu um filho, foi muito complicado, muitas pessoas não sabem dessa situação e às vezes o torcedor não quer saber, mas somos seres humanos, tem algumas coisas que fogem do nosso controle e com certeza refletem dentro de campo. Jogar com a cabeça boa, alegre e feliz faz toda a diferença. Tive um ano bastante intenso, joguei Libertadores, final de Copa do Brasil, foi bom terminar o Brasileiro bem". 

Sobre Libertadores, contra o Flamengo no Maracanã, logo depois que você entrou teve um lance com o Nico Lopéz, uma chance clara que todo o torcedor ainda pensa naquela bola, você também?

"Foi um lance com o Pablo Marí, ele foi dar um passe para o Filipe Luís e acabou errando, eu tinha acabado de entrar, roubei a bola e passei para o Nico, ele tinha opção com D'Alessandro, atrás com o Guerrero, eu que tinha dado a bola e passei, ele optou por finalizar e acabou errando o chute, ele tomou a decisão dele, achou que era a melhor, não sei se prejudicou o time mas tinha outro jogo também, talvez se ele tocasse tinha feito o gol ou também não tinha feito, ele tomou a decisão dele, fez o certo. Esses jogos de Libertadores me fizeram crescer muito". 

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