China vive "operação de guerra" contra coronavírus: o relato de Rômulo, ex-Fla e Grêmio

Goal.com

Em janeiro deste ano, depois de uma passagem pelo Grêmio, por empréstimo, Rômulo rescidiu com o Flamengo e acertou a transferência para o Shijiazhuang Ever Bright, da China. Dias depois de desembarcar no país, o surto do novo coronavírus, pandemia que assola o mundo e afeta o futebol, estourou no território chinês

Diante disso, o Ever Bright, que já tinha programado uma pré-temporada de 15 dias fora do país, precisou estender por dois meses. Jogadores, familiares e todo o staff do clube só retornaram à China na última semana. 

"Quando o vírus explodiu na China, por coincidência era o inicio da pré temporada nos Emirados. Ficaríamos 15 dias antes de retornar a China, foram prorrogando até que totalizou dois meses. Retornamos tem cinco dias, mas foi uma operação de guerra. Mais de 12 horas em procedimentos de segurança sanitária após pousar na China", revela Rômulo, em bate-papo exclusivo com a reportagem da Goal. 

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

O volante conta que num primeiro momento não se assustou com o vírus, mas que passou por uma situação mais tensa em Abu Dhabi, quando dois italianos que estavam hospedados no mesmo hotel da equipe tiveram o diagnóstico do coronavírus confirmado. 

"A princípio não me assustei, na verdade nunca cheguei a entrar em pânico. Os amigos e o empresário que sempre traziam notícias, me atualizando da situação pra ver se eu acendia um pouco o alerta. Mas teve um momento mais tenso em Abu Dhabi, quando dois italianos em nosso hotel testaram positivos para o coronavírus e todos nós ficamos dois dias presos no quarto,  daí logo conseguimos mudar de hotel e só os quartos mais próximos dos infectados permaneceram no lockdown. Por desinformação eu também estava no time dos que achavam que não era nada demais, até os números crescerem por todo o mundo.

Enquanto o vírus afeta boa parte do mundo ocidental, a China tem conseguido conter o avanço pouco a pouco e já começa a retomar as atividades. De olho na volta do Campeonato Chinês, Rômulo acredita que, por conta da disciplina e do planejamento no país, o torneio deve iniciar na reta final de abril. 

"Tem sim (condições de retomar o campeonato). Os chineses são muito disciplinados e deram a volta por cima rápido. Nós todos que retornamos do exterior estamos em uma quarentena muito restritiva mas felizmente todos testamos negativos pro Covid-19. Acredito que final de abril o campeonato volta". 

Coronavirus China
Coronavirus China

Sem acesso a Facebook, Instagram, Whatsapp e maioria dos aplicativos conhecidos no mundo ocidental, Rômulo relata a corrida e os cuidados minuciosos do isolamento social que vive neste momento e a confiança que precisa ter na diretoria do clube.

"Certamente o clube tem bom acesso a informação da situação da crise, até mesmo pela questão do idioma e confiamos nos cuidados da diretoria, são bem atenciosos. A quarentena atual é realmente uma maratona mental, estou sozinho no quarto e não podemos nem mesmo ir ao corredor do hotel por 14 dias. Até a comida vem ao quarto. As horas custam a passar, parece que faz um mês. O whatsapp, Insta e face não funcionam bem aqui. Mas enfim, todos estamos passando por isso, o tratamento é igual e isso é bom. Sabemos que é pra segurança de todos então vamos adiante". 

Por fim, ele afirma que por conta de todos os cuidados e a ajuda dos brasileiros da equipe, nunca pensou em desistir de jogar na China. 

"Se eu tivesse sozinho de brasileiro talvez tivesse balançado. Mas após a saída do Marcelo moreno ainda ficamos em três brasileiros. A gente se dá força. A família e meu empresário também estiveram presentes em todos esses momentos. No geral, estamos tranquilos ao ver os cuidados sanitários no retorno à China".

Leia também