Como ex-F1 não tinha dinheiro para pagar aluguel e deu a volta por cima na FE

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O piloto da Virgin e quarto colocado no atual campeonato se viu em uma situação dramática depois de ser dispensado da Mercedes
O piloto da Virgin e quarto colocado no atual campeonato se viu em uma situação dramática depois de ser dispensado da Mercedes

Por Julianne Cerasoli (@jucerasoli)

No imaginário popular, pilotos de automobilismo são jovens bem-nascidos que teriam a vida feita mesmo fora do esporte. E não precisam se preocupar em pagar as contas mesmo quando param de correr. Mas a história do britânico Sam Bird, hoje na sua quinta temporada na Fórmula E, mostra que não é sempre assim.

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O piloto da Virgin e quarto colocado no atual campeonato se viu em uma situação dramática depois de ser dispensado da Mercedes, onde era piloto de testes na F-1, no final de 2013, aos 27 anos. “Quando 2014 começou, eu não tinha nada. Eu não tinha dinheiro para pagar minhas contas de gás e eletricidade e eu tinha decidido me tornar um personal trainer. Certa noite, tinham cortado o aquecimento da minha casa e eu não tinha como pagar meu aluguel. Lembro de ligar para minha mãe, chorando, e dizer ‘me desculpe, você pode me ajudar a voltar para a escola para fazer a qualificação final para me tornar um personal? Porque eu preciso ter dinheiro para viver, do jeito que está não consigo fazer nada’”, revelou ao Yahoo Esportes.

Anos antes, Bird tinha decidido deixar a escola antes de se formar para seguir a carreira no automobilismo, aconselhado por um professor. “Eu estava tentando estudar para os meus exames ao mesmo tempo em que jogava futebol em alto nível e corria de kart. Eu estava tão cansado que estava indo mal em tudo. Até que um dos meus professores disse: ‘Se você tem um sonho, vai atrás dele. Você pode voltar a estudar depois. O que não pode fazer é acordar todo dia pensar no que poderia ter sido. Vai em frente e, se não der certo, pelo menos você tentou.’ Foi o que eu fiz. Quase não funcionou, mas fico contente que deu certo.”

Isso porque, logo depois da ligação para a mãe, Bird conseguiu marcar uma reunião com a equipe Virgin para uma vaga na Fórmula E, categoria que ainda estava se formando na época e era uma grande incógnita. Bird contou que ainda teria que esperar mais duas semanas para receber qualquer tipo de contato. “Mas, quando eles me ligaram, falaram que a vaga era minha. Isso me deu outra chance na vida. Eu não sabia se iria durar ou o que aconteceria com a categoria - se cresceria, se seria um fiasco. Muita gente na época falava que ia ser igual à Superleague, que seria grande por seis meses e depois acabaria.”

Sem saída, Bird resolveu apostar e hoje é um dos poucos pilotos que disputaram as mais de 50 corridas já realizadas pela categoria em cinco temporadas. “Enfrentamos todas as dúvidas e tenho orgulho de estar lá desde o começo. É algo que deu a minha vida de volta, minha carreira de volta. As pessoas agora escrevem coisas boas sobre mim.”

O britânico se orgulha de ter sido colocado entre os 20 melhores pilotos de 2018 na votação da respeitada revista Autosport. “Fui dar uma olhada em quem são os 20 melhores jogadores de futebol e o número 18 [mesma posição dele] é o Marcelo, do Real Madrid. Eu sou o Marcelo do automobilismo!”

Com todas as contas em dia, falta a Bird somente o título da Fórmula E: mesmo ficando entre os cinco primeiros em todos os campeonatos disputados na categoria, seu melhor resultado foi o terceiro do ano passado.

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