Ex-dirigente revela como o Palmeiras superou a concorrência de Boca e Flamengo por Gustavo Gómez

Antonio Mota
·4 minuto de leitura

Pilar do Palmeiras nas últimas três temporadas - inclusive nas conquistas do Brasileirão de 2018 e do Paulistão e da Conmebol Libertadores de 2020 -, e autor do gol que abriu o caminho para o Verdão sair em vantagem na final da Copa do Brasil, o zagueiro Gustavo Gómez trilha uma trajetória sensacional no Allianz Parque e é um dos grandes ídolos recentes do clube.

Contratado junto ao Milan, da Itália, em 2018, o paraguaio de 27 anos acumula 114 partidas e 14 gols pelo Alviverde Paulista, sendo um dos dez maiores zagueiros artilheiros da história da equipe. A sua trajetória, porém, poderia ter sido muito diferente.

Gustavo Gómez se tornou ídolo do Palmeiras em pouco tempo. | Silvio Avila/Getty Images
Gustavo Gómez se tornou ídolo do Palmeiras em pouco tempo. | Silvio Avila/Getty Images

Ex-diretor de futebol do Palmeiras, Alexandre Mattos concedeu uma entrevista à ESPN e revelou como 'descobriu' e como foi o processo para contratar Gustavo Gómez. "O Gustavo estava no Milan, mas não jogava. Um dia, eu vi uma matéria, no começo de 2018, que o Boca Juniors queria contratá-lo por empréstimo", iniciou o dirigente, antes de emendar:

"Depois disso, passei a me informar melhor sobre a situação dele e conversei bastante com o Roger Machado, que era o treinador do Palmeiras à época. Ele me disse que estava satisfeito com os zagueiros que tinha, mas deixamos a situação em aberto", completou Mattos.

Da movimentação

Após o bate-papo com o Roger Machado, Mattos continuou com o nome de Gómez na cabeça e sempre pensando em trazê-lo ao Allianz Parque. O tempo passou e ele seguiu conversando com o estafe do zagueiro. Porém, com o passar dos meses, o Flamengo se juntou ao Boca Juniors e a situação ficou contra o Palmeiras. E foi aí que o dirigente decidiu pegar o celular e agir para contratá-lo:

"A gente tinha vendido o Yerry Mina ao Barcelona e tinha uma lacuna na zaga, na minha visão. Nisso, eu conheci o empresário do Gustavo Gómez e nós nos falamos por uns quatro meses. Só que aí o Boca entrou muito forte para fechar a negociação, e o Flamengo também", lembrou, acrescentando:

"Eu estava com muitas dificuldades para negociar por causa disso, e aí precisava de um algo a mais para mudar a balança a meu favor. Peguei meu telefone e liguei para Lucas Barrios, que estava com o Gómez na concentração da Seleção do Paraguai", salientou.

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Já em conversa com o atacante, Mattos perguntou sobre o zagueiro e pediu ajuda: "Perguntei pra ele: 'Lucas, você conhece bem o Gustavo Gómez? É bom jogador? Posso tentar trazer?', e ele respondeu: 'Sim, Alexandre, é um baita jogador, pode confiar'. Aí falei para o Barrios que ia precisar de uma ajuda, porque eu estava disputando com Boca e Flamengo", disse.

"Falei para o Lucas para conversarmos nós três. O Barrios falou maravilhas do Palmeiras, da Academia de Futebol, do nosso projeto... E foi ali que convencemos o Gustavo. Ficou acertado que, caso o Milan fosse negociá-lo para um clube do Brasil, seria o Palmeiras", lembrou.

"Lembro que nesse dia ele já foi muito firme. Descartou Flamengo e Boca e me falou: 'Quero ir para o Palmeiras. Só jogo com você, diretor'. Ele acreditou na gente logo de início e foi comigo até o fim. Um clube da Itália também queria tirá-lo do Milan, mas ele disse não. Tenho que agradecer muito ao Barrios, pois ele ajudou demais a gente nisso", encerrou.

Da contratação

Gustavo Gómez superou todos os desafios e hoje é ídolo no Palmeiras. | Alessandra Cabral/Getty Images
Gustavo Gómez superou todos os desafios e hoje é ídolo no Palmeiras. | Alessandra Cabral/Getty Images

Fechado com o zagueiro, Alexandre Mattos passou a conversar com o Milan e precisou ‘dobrar’ os italianos, que haviam desembolsado uma alta quantia para tirar o defensor do Lanús, da Argentina, em 2016. À época, o cartola tratou da negociação diretamente com Leonardo, ex-diretor de futebol milanista: "Tive que conversar muito com o Leonardo. No início, ele estava irredutível, dizia que só venderia por 6 milhões de euros. Era pegar ou largar", lembrou.

"A gente foi falando e acabou chegando a um acordo de empréstimo, no qual, caso o Gustavo batesse as metas estabelecidas, a gente teria a obrigação de compra no Palmeiras. E o Gustavo bateu todas elas! Foi titular, campeão brasileiro e, quando terminou o empréstimo, tivemos que comprá-lo exatamente por 6 milhões de euros", frisou.

Para completar, Mattos lembrou das críticas que recebeu quando contratou Gustavo Gómez: "Na época que contratamos, sofremos com muitas 'cornetas', porque ele havia jogado pouquíssimo em dois anos no Milan. Mas ele é um cara muito profissional e correto, um exemplo de atleta. Era óbvio que teria sucesso no Palmeiras", encerrou.

As informações acima são da ESPN Brasil.

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