Ex-atleta relata estupro cometido pelo professor de judô

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Young karate guy tying black belt, isolated on white background
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Hoje, aos 21 anos e estudante de história na Universidade de São Paulo, Megan Sutton-Kirkby relembrou os traumas de sua época de atleta. Em relato feito ao UOL Esporte, ela contou que foi estuprada pelo seu professor de judô aos 13 anos.

O esporte entrou na sua vida aos oito anos, com o incentivo de sua mãe, que acreditava que a prática faria bem para uma criança. O que as duas não esperavam era que um faixa preta que era visto como “exemplo de atleta” pudesse causar tanto dano.

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“Já tinha meses que ele insistia em sair comigo. Chegou a me convidar ao cinema e prometeu me levar para jantar e me dar flores. A gente se beijava escondido, e como ele era casado, eu sabia que aquilo era muito errado. Ele escreveu uma carta dizendo que era homem, que tinha desejos, e que não podia ficar só no beijo. Que queria mais. Disse que estava apaixonado por mim. Eu respondi que não podia. Ele, sendo pai de família e mestre da academia, jamais poderia fazer aquilo. Ele seria preso”, revelou Megan.

“Um dia, quando a minha mãe não poderia me buscar na academia, ela pediu para o meu técnico que me desse carona. Depois do treino ele fechou as portas. Era por volta das 22h. Os meninos foram comer pizza, e eu entrei no carro porque ele me levaria para casa. Deu uma volta de carro no quarteirão e parou no mesmo lugar. Reabriu a academia. No escuro, tirou a minha roupa e me jogou no tatame”, completou.

A essa altura, a ex-atleta já sabia da existência da lei nª 12.015, que trata a relação sexual com menores de 14 anos como estupro de vulnerável.

“Não foi só uma vez. Ele me estuprou outras quatro, cinco vezes. Na época eu não via como estupro. Ele nunca me violentou fisicamente, mas me seduziu para que eu fizesse tudo que ele queria”, disse.

A mãe de Megan descobriu e denunciou o professor, que não foi identificado na reportagem. Depois de ir à academia e expor o caso, foi prestada uma queixa formal na delegacia.

Depois disso, a ex-atleta passou meses sem treinar, voltou ao esporte no clube Pinheiros, mas passou a praticar autossabotagem. Convivendo com a culpa, Megan desenvolveu um comportamento promíscuo e pensou até em cometer suicídio. Enquanto isso, o processo contra o professor tramitava na Justiça.

Em julho de 2017, ele foi condenado em primeira instância por estupro de vulnerável. Mas, pouco menos de um ano depois, o acusado foi absolvido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Seis anos depois da denúncia, a sentença transitou em julgada.

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