Ex-árbitros brasileiros de Copas questionam Ricci em 2018

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Sandro Meira Ricci durante partida do Brasileirão de 2017 (Roberto Vinicius/Gazeta Press)
Sandro Meira Ricci durante partida do Brasileirão de 2017 (Roberto Vinicius/Gazeta Press)

Por Rodrigo Herrero (@rodrigoherrero)

A arbitragem brasileira tem tradição na Copa do Mundo. Com exceção de 1934, 1938 e 1958, todas as edições tiveram árbitros do país, incluindo duas finais. Em 1982, na Espanha, Arnaldo Cezar Coelho apitou Itália 3×1 Alemanha. Quatro anos depois, no México, Romualdo Arppi Filho arbitrou Argentina 3×2 Alemanha, no último título mundial dos Hermanos.

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Na decisão, inclusive, Arppi Filho deu um cartão amarelo para Maradona, personagem sobre o qual pairava a polêmica do gol de mão nas quartas de final contra a Inglaterra. Porém, de acordo com o brasileiro, a relação entre eles em campo foi tranquila.

“Eu já tinha apitado vários jogos do Maradona na Argentina. Quando ele estava começando no juvenil eu apitei jogo em um Sul-Americano na Bolívia, já dava para ver que era um jogador que despontava. Na final não teve problema nenhum, eu dei cartão amarelo para ele com 17 minutos, houve uma falta contra a Argentina perto da área e quando eu apitei a cobrança ele saiu na frente da barreira e tomou um cartão amarelo. Mas ele nunca deu problema, craque dificilmente dá problema”, conta Arppi Filho, que trabalhou ainda em França 1×1 URSS e México 2×0 Bulgária como árbitro e atuou também como assistente em outros dois duelos.

Renato Marsiglia, que apitou dois jogos na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, argumenta que, assim como para o jogador, para o árbitro é o ponto máximo. Tanto que, após o término do Mundial, ele encerrou sua carreira, pois, com 43 anos, não teria mais condições de apitar outro mundial de seleções.

Ele comandou Bélgica 1×0 Holanda, um jogo marcado pela rivalidade local e pela alta qualidade técnica, afinal, em campo estavam nomes como Rijkaard, Bergkamp, Koeman e Overmars do lado holandês e Scifo e Preud’homme do belga. Mas o que marcou mesmo a sua memória foi Arábia Saudita 1×3 Suécia, mas por conta de um fato incomum.

“No momento do sorteio eu falei em inglês com o capitão sueco Jonas Tern e ele se virou para mim e disse com um sotaque português lusitano: ‘podes falar normalmente porque eu jogo há cinco anos no Benfica’. Aí fui falar em inglês com o capitão da Arábia Saudita (Mohamed Abdeljawad), já que é a língua oficial de lá, e ele falou em um português bem brasileiro: ‘fala normalmente porque eu sou casado com uma mineira há 12 anos e passo de dois a três meses por ano no Brasil’. Eu nunca poderia imaginar uma coisa dessas. Mas isso facilitou bastante meu trabalho, quando tinha que falar alguma coisa, falava com eles. Eu falo inglês normalmente, mas falando no seu idioma principal fica tudo mais fácil”, lembra.

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Árbitro brasileiro chega à Rússia questionado

O árbitro brasileiro para a Copa do Mundo da Rússia será novamente o mineiro Sandro Meira Ricci, 43 anos, que no Mundial de 2014 apitou em três ocasiões. Mas apesar de ter sido escalado para a sua segunda Copa, não é uma unanimidade no seu país.

“O Sandro teve uma fase muito boa antes da Copa de 2014. Ele fez uma Copa muito boa e isso o credenciou para 2018. Já de 2014 para cá ele não manteve um nível das suas atuações. Certamente hoje ele não é nem o primeiro, nem o segundo melhor árbitro em atividade no futebol brasileiro. Mas ele é um bom árbitro, sabe apitar e acredito que ele faça uma boa Copa do Mundo”, opina Marsiglia.

“Ele não está apitando nem aqui há algum tempo, porque não estava dando sorte aqui. Ele foi o que menos apitou por causa de vários problemas de lances e várias polêmicas”, destaca Arppi Filho. E, de fato, com exceção de algumas partidas da Libertadores e duelos pelo Paranaense, estado ao qual está filiado atualmente, Meira Ricci foi pouco requisitado em 2018.

Vale destacar que, além de Sandro Meira Ricci, vão à Copa os assistentes Emerson Augusto de Carvalho e Marcelo Van Gasse e o árbitro Wilton Pereira Sampaio, sendo que este ficará dedicado exclusivamente ao VAR.

Árbitros brasileiros nas Copas do Mundo


Nome

Mundiais

Jogos apitados

Gilberto de Almeida Rêgo

1930

3

Alberto da Gama Malcher

1950

1

Mário Gardelli

1950

1

Mário Vianna

1950 e 1954

2

João Etzel Filho

1962

1

Armando Marques

1966 e 1974

2

Ayrton Vieira de Moraes

1970

1

Arnaldo Cezar Coelho

1978 e 1982

3

Romualdo Arppi Filho

1986

3

José Roberto Wright

1990

4

Renato Marsiglia

1994

2

Márcio Rezende de Freitas

1998

2

Carlos Eugênio Simon

2002, 2006 e 2010

7

Sandro Meira Ricci

2014

3


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