Evolução do futebol feminino no país motiva Bia Zaneratto em busca pelo ouro

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A busca pelo ouro olímpico em Tóquio tem um sentido mais amplo para Bia Zaneratto, 27, além do orgulho de poder exibir a medalha no peito. Autora de um dos cinco gols da seleção brasileira na goleada sobre a China por 5 a 0 na estreia dos países nos Jogos Olímpicos, na manhã desta quarta (21), a atacante deseja fazer da conquista um incentivo para o futebol feminino dar um passo adiante no Brasil.

"Joguei no Brasil em 2013 e fui para a Coreia do Sul em busca de estabilidade financeira, para ajudar minha família. Então tudo o que a gente quer é ser valorizada e que o Brasil tenha estrutura para que a gente não precise sair do país", diz ela à reportagem. "Ainda existem muitas meninas que precisam trabalhar e jogar futebol [no Brasil]. Espero que a gente possa viver só do futebol daqui pra frente."

Bia embarcou para a Olimpíada como a melhor jogadora em atividade no Campeonato Brasileiro, no qual ela é a artilheira isolada, com 13 gols marcados com a camisa do Palmeiras, o vice-líder da competição. Mas foi só em abril deste ano que ela voltou a jogar no país, quando o clube a trouxe por empréstimo.

Nascida em Araraquara, a atleta construiu grande parte de sua carreira no coreano Steel Red Angels, pelo qual jogou de 2013 a 2020, antes de se transferir para o Wuhan Xinjiyuan, da China. O futuro dela ainda é incerto, já que o empréstimo com o Palmeiras terminou pouco antes dos Jogos e ela ainda não sabe se terá de voltar ao futebol chinês. "Isso não está resolvido. Deixei para o meu empresário resolver", afirma.

O objetivo de Bia, neste momento, é corresponder à responsabilidade que a técnica Pia Sundhage deu a ela. Bia foi chamada para ser uma das goleadoras da seleção e suprir, sobretudo, a ausência de Cristiane, a maior artilheira da história dos Jogos, com 14 gols, e que acabou preterida pela treinadora sueca.

Zaneratto diz acreditar que foi levada ao Japão por sua versatilidade, algo que Pia a ajudou a desenvolver. "Ela me trouxe para outras funções dentro de campo. Sou acostumada a jogar mais de atacante e, em vários jogos, ela me utilizou como uma meia aberta. E cobra da gente ter mobilidade, ocupar os espaços."

Também pesou a experiência que carrega, como ter disputado três Copas do Mundo e estar em sua segunda Olimpíada. Bia fez parte do grupo que jogou na Rio-2016 e que acabou eliminado na semifinal ao ser superado justamente pela Suécia comandada por Pia.

Agora com a treinadora do lado brasileiro, ela espera que o Brasil alcance a inédita medalha de ouro. "Nós acreditamos muito no trabalho que ela tem passado para a gente. Esperamos que todo o diferencial dela, agregado com a nossa qualidade, possa fazer a gente trazer o ouro."

A conquista seria um marco na história da seleção brasileira feminina, que busca uma honraria para exibir acima do escudo da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), já que desde 2020 o time deixou de usar as cinco estrelas que representam as Copas do Mundo conquistadas pela seleção masculina.

"Nós precisamos buscar nossas próprias conquistas", enfatiza Zaneratto, que além desta tem motivações pessoais para lutar por títulos pelo Brasil, como poder homenagear sua avó Luzia e uma de suas melhores amigas, Thainá Cássia, que morreram neste ano vítimas da Covid-19.

Foi por elas, também, que ela ajudou a idealizar o projeto NaLuz, para arrecadar doações para pessoas em situação de vulnerabilidade social em Araraquara. "Não sabemos a dimensão que isso pode ganhar, mas esperamos que as pessoas possam ajudar a quem estiver com necessidade", diz.

Com a provável presença de Bia Zaneratto no time titular, o Brasil volta a campo, neste sábado (24), às 8h (horário de Brasília), para enfrentar a Holanda, pela segunda rodada do Grupo F.

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