Europa investiga Instagram por uso indevido de dados de crianças

Felipe Ribeiro
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O Instagram virou alvo de investigação na União Europeia. De acordo com a BBC, a rede social de imagens e vídeos estaria tendo um comportamento inadequado quanto aos dados de perfis de crianças. A empresa estaria oferecendo contas corporativas para pessoas a partir dos 13 anos, o que acabaria expondo seus e-mails e telefones.

A Comissão de Proteção de Dados da Irlanda (DPC na sigla em inglês) iniciou a investigação para ver se o Facebook, dono do Instagram, tem o direito legal de utilizar os dados pessoais de crianças. A entidade também está verificando se a companhia usou proteção e restrições suficientes no site para menores. Vale lembrar que sempre que você cria uma conta corporativa, esses dados se tornam públicos.

“O Instagram é uma plataforma de mídia social amplamente usada por crianças na Irlanda e em toda a Europa. O DPC tem monitorado ativamente as reclamações recebidas de indivíduos nesta área e identificou potenciais preocupações em relação ao processamento de dados pessoais das crianças no Instagram que requerem uma análise mais aprofundada", disse Graham Doyle, vice-comissário do DPC.

Acusação séria

As investigações tiveram seu embrião no ano passado, quando o analista David Stiers afirmou que o Instagram havia liberado que jovens pudessem trocar suas contas pessoais para perfis empresariais. Ao fazer isso, os usuários podem verificar dados de visitação e engajamento, algo de enorme interesse de adolescentes. Mas isso, claro, tem um preço: seus dados ficam expostos na rede social e sujeitos a acessos via código HTML, já que, antes, não havia esse bloqueio.

O resultado disso: um site chegou a compilar as informações de contato de menores em meio a tantos outros de perfis de adultos, o que escancara a falta de proteção do Instagram às contas infantis. “Sempre fomos claros que, quando as pessoas optam por abrir uma conta comercial no Instagram, as informações de contato que compartilham são exibidas publicamente. Isso é muito diferente de expor as informações das pessoas", disse um porta-voz do Facebook à BBC

A empresa acrescentou que fez várias atualizações em contas comerciais desde que o relatório de Stiers foi divulgado e agora permite que os usuários optem por não incluir suas informações de contato. Além disso, a rede social não incorpora mais informações de contato no código-fonte de suas páginas. É bom lembrar, também, que a rede social tem excluído contas de pessoas menores de 13 anos compulsoriamente.

As investigações do DPC seguem e, caso o Instagram não esteja adequado ao que exige a GDPR (as leis de proteção de dados da Europa), poderá ser aplicada uma multa de até 4% do faturamento total do Facebook.

Fonte: Canaltech

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