EUA interromperam internet de agência russa para evitar intervenção eleitoral

O Comando Cibernético dos Estados Unidos bloqueou a internet de uma agência russa durante as eleições de meio de mandato de 2018. A medida foi tomada para evitar campanhas de desinformação. As informações foram divulgadas pelo The Washington Post

O Comando Cibernético dos Estados Unidos bloqueou a internet de uma agência russa durante as eleições de meio de mandato que ocorreram em 2018. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (26) pelo Washington Post.

O alvo da operação foi a Agência de Pesquisa pela Internet (IRA, na sigla em inglês), uma empresa privada ligada ao governo russo e frequentemente usado para campanhas de desinformação.

"Eles basicamente tiraram o IRA do ar", disse uma fonte anônima ao The Washington Post. "Eles o fecharam".

De acordo com a reportagem, a agência permaneceu tanto tempo sem internet que muitos funcionários reclamaram do problema aos administradores de sistema.

A interrupção começou quando os americanos foram às urnas e durou até a computação dos votos, aproximadamente um dia depois. A expectativa era evitar que os russos montassem uma campanha para colocar em dúvida os resultados eleitorais.

Em junho, o governo americano decidiu expandir a autoridade do Comando Cibernético para incluir mais campanhas ofensivas, em contraste com o que anteriormente era uma missão amplamente defensiva. O movimento aconteceu poucos meses antes das eleições do ano passado.

"O fato do processo eleitoral de 2018 ter avançado sem uma intervenção russa bem-sucedida não foi uma coincidência", disse o senador Mike Rounds ao jornal americano.

Ele não discutiu os detalhes específicos da operação, mas, segundo ele, sem os esforços do Comando Cibernético "sofreríamos algumas incursões cibernéticas muito sérias".

A Agência de Pesquisa pela Internet esteve envolvida no caso da interferência russa nas eleições de 2016. Em fevereiro do ano passado, o advogado especial Robert Mueller indiciou 13 russos ligados ao IRA por crimes relacionados à interferência eleitoral, citando postagens falsas no Facebook usadas para "organizar e coordenar comícios políticos dos Estados Unidos em apoio ao presidente eleito Donald Trump".

A interrupção de internet pelo órgão americano é a primeira indicação explícita de uma operação durante as eleições. Contramedidas gerais haviam sido amplamente discutidas durante o ano anterior. No dia da votação, inclusive, as agências de inteligência dos Estados Unidos emitiram uma advertência pública de que as agências estrangeiras ainda estavam tentando manipular o sentimento público.

"Os americanos devem estar cientes de que os atores estrangeiros – e a Rússia em particular – continuam a tentar influenciar o sentimento público e a percepção dos eleitores por meio de ações destinadas a semear a discórdia", dizia o anúncio. "Tais ações são uma ameaça à nossa democracia, e identificar e prevenir essa interferência é uma das nossas maiores prioridades".

Esta foi uma das campanhas mais agressivas realizadas pelo Comando Cibenético – entre as que acabaram se tornando públicas. A legalidade da ação ainda gera dúvidas. Ataques de infraestrutura contra agentes de um governo estrangeiro podem gerar repercussões diplomáticas significativas.

Fonte: Canaltech