"Eu precisava de dinheiro", diz suspeito de integrar gangue que roubou casa de Thiago Silva

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(arquivo) Thiago Silva, então no PSG, durante a partida contra o Toulouse no Parque dos Príncipes, no dia 25 de agosto de 2019 em Paris
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"Precisávamos de dinheiro, não pensamos": julgados por roubar o jogador brasileiro Thiago Silva no final de 2018, os réus descreveram nesta quinta-feira no tribunal de Paris que o furto foi cometido por impulso, negando a ideia de que seriam uma "quadrilha organizada".

Sete homens e uma mulher são suspeitos de terem formado uma gangue de ladrões que tinha como alvo personalidades ricas - dois esportistas, um apresentador de TV, um chef de cozinha e um rapper.

Boubakary T. disse que obteve o endereço do então capitão do PSG no dia 22 de novembro de 2018 por meio de um "marmanjo do bairro", sobre quem ele diz conhecer apenas o nome "Apache".

Nesse dia Thiago Silva tinha um jogo no Parque dos Príncipes. Em casa, ao ir dormir, ele descobriu que seu cofre havia desaparecido, com joias e relógios avaliados em mais de um milhão de euros.

"Eu estava mal, tinha bebido álcool, precisava de dinheiro", argumentou Boubakary T. "Sugeri isso a Mohamed S., ele não estava bem e não tinha dinheiro... Não pensamos muito, fomos direto para lá".

Eles se encontraram à noite no chique 16e arrondissement na capital francesa, passaram por uma casa vizinha em construção e subiram uma calha antes de entrar na mansão pela janela.

"Você quer dizer que, por impulso, foi roubar um jogador de futebol do PSG?" questionou o presidente do tribunal, se mostrando cético.

"Aconteceu como estou lhe dizendo, não houve preparação, não houve um reconhecimento da área", repetiu o réu.

A dupla foi então para Aubervilliers (Seine-Saint-Denis), disse ele, na casa de uma de suas amigas - também julgada, entre outros, por "receptação". O cofre foi aberto com um "pé-de-cabra", foi esvaziado e, em seguida, jogado "em uma lata de lixo na rua".

Foi o "Apache" quem receptou os objetos, revendidos por 90.000 euros ou 30.000 cada. "Eu fiz besteira, bebi álcool, fui a uma boate, joguei pôquer", admitiu Boubakary T.

E o que dizer do "caderninho" encontrado no apartamento de Aubervilliers, que continha "muitos endereços de personalidades" - Laurent Ruquier, Cyril Ligniac, um dos membros do Daft Punk...?

"Nunca vi essa lista", garantiu o réu.

- "Não era uma gangue organizada" -

Mohamed S., que assim como Boubakary, admite o roubo, também se levantou para falar. Na residência (de Thiago Silva), "francamente ficamos chocados com a segurança", disse ele, "soubemos que haveria um evento social (...) dissemos para nós mesmos: 'é como no cinema. Nunca tínhamos estado em um lugar como aquele".

"Isso te deteve?" perguntou o magistrado. "Não, pelo contrário. Disse a mim mesmo que deveria haver algum dinheiro lá".

Três linhas telefônicas suspeitas foram registradas naquela noite e, na câmera de segurança, três homens apareceram com "uma mala e uma bolsa" na rua. Abdelazim G. ou "Bidou" é suspeito de ter feito o papel de "vigia" - o que ele refuta, assim como os outros dois.

"Há um elemento que conecta todos. É que somos amigos" mas "não era uma gangue organizada", garantiu Abdelazim G., que confessou sua participação em seis dos sete assaltos cometidos pelo grupo, exceto esse.

A tensão aumentou à medida que o magistrado, e depois a promotora, interrogaram os dois homens sobre os telefonemas. Houve uma suspensão da audiência, sendo que um deles havia ido fumar em sua cela.

O tribunal prosseguiu abordando um roubo à casa do apresentador Patrick Sébastien, no dia 3 de agosto de 2019. Foram roubados cerca de 150.000 euros em joias e artigos de couro.

"A minha prioridade é dinheiro", admitiu outro depoente, Saad H. Ele foi libertado da prisão há poucos dias. Saad sabia qual era o endereço do apresentador Laurent Ruquier "há algum tempo", mas "balançou", depois de ouvir falar dos roubos a esportistas.

"Estávamos bebendo e sugeri a Abdelaziz G. de irmos embora e fomos", contou.

No dia anterior, eles foram localizados em um carro não muito longe do apartamento, perto do Bois de Boulogne, que poderia sugerir que estivessem fazendo um mapeamento da área, afirmou o magistrado.

"Nada a ver", responderam os depoentes, que garantem terem ido lá para ver prostitutas.

O julgamento se encerra no dia 30 de junho.

alv/nk/cbn/aam

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