“Eu nunca me encontrei com nenhum chefão da máfia”, garante presidente da Juventus

Presidente da Juventus, Andrea Agnelli confirmou que ele e outros dirigentes do clube foram chamados para uma reunião do Comitê Disciplinar da FIGC (Federação Italiana) por causa das acusações envolvendo irregularidades na venda de ingressos.

Vários dirigentes do clube de Turim já foram chamados para falarem na Comissão Parlamentar Antimáfia, em meio às acusações de que existiria uma ligação entre dirigentes do clube, torcedores organizados (conhecidos na Itália como ‘ultras’) e chefes do crime organizado para a distribuição de ingressos das partidas.

Neste sábado (18), Agnelli concedeu entrevista coletiva na qual defendeu a sua reputação e a de seu clube: “Há meia hora eu fui notificado de que eu fui deferido à Comissão Disciplinar (da FIGC) junto do Francesco Calvo, que na época era o nosso diretor (de segurança), Alessandro D’Angelo e Stefano Merulla (que administrava a questão dos ingressos)”, disse.

“Este clube, os seus dependentes e eu não temos nenhum motivo para temer ou mentir, e é por isso que eu estou hoje aqui na frente de vocês. Nos últimos meses, membros da administração da Juventus, nos quais eu tenho a maior confiança, testemunharam para a Comissão Antimáfia. Esses testemunhos foram analisados meticulosamente, de maneira invasiva, inclusive com grampos telefônicos, e isso nunca mudou. Eles foram testemunhas e continuam testemunhas até o final da investigação”.

Andrea Agnelli Juventus

"Não temos nenhum motivo para temer ou mentir", garantiu o presidente da Juve (Foto: Divulgação/Juventus)

“Hoje, a FIGC, ao invés de se limitar aos questionamentos de eventuais irregularidades nas vendas dos ingressos, está acusando a mim e nossos dependentes de colaborar com o crime organizado”, disse Agnelli. “Eu vou me defender, vou defender os meus colaboradores e vou defender o bom nome da Juventus, que já passou pela lama durante alguns curiosos experimentos da justiça desportiva no passado”.

Os curiosos experimentos citados pelo dirigente foram as punições direcionadas à Juventus após o escândalo de manipulação de resultados em 2006, que entrou para a história como Calciopoli. Naquele ano, a ‘Velha Senhora’ teve dois títulos nacionais revogados e foi rebaixada para a Série B , por ser considerada a principal culpada.

“Eu nunca me encontrei com nenhum chefão da máfia, e gostaria de lembrar a todos que naquela época estes ultras foram, e ainda estão, livres de qualquer registro criminal. Eu me encontrei com ultras de vários grupos diferentes.... e sempre na luz do dia. Isso é normal para um presidente de um clube de futebol”.

“Alguns ultras não são exatamente santos? Eu concordo, mas eles possuem um registro criminal limpo e não têm restrições para entrarem aos jogos. Achei que era o meu dever vir aqui e lhes avisar diretamente desta situação, sem qualquer tipo de mediação”, lembrou, antes de completar.

“Sinto muito em desapontá-los, mas este grupo de dirigentes formados por mim, pelo vice-presidente Pavel Nedved, o diretor geral Giuseppe Marotta e o diretor esportivo Fabio Paratici pretende manter o crescimento da Juventus por um longo tempo”.