Estrelas da WNBA deixam o basquete de lado para combater as injustiças raciais

Artur Rodrigues
·4 minuto de leitura
ATLANTA, GA  SEPTEMBER 05:  Atlanta's Renee Montgomery (21) brings the ball up the court during the WNBA game between the Las Vegas Aces and the Atlanta Dream on September 5th, 2019 at State Farm Arena in Atlanta, GA. (Photo by Rich von Biberstein/Icon Sportswire via Getty Images)
Renee Montgomery em partida da última temporada da WNBA (Biberstein/Icon Sportswire via Getty Images)

Os assassinatos de Breonna Taylor e George Floyd em março e maio, respectivamente, desencadearam um movimento mundial na busca por igualdade e justiça racial. Atletas de vários esportes aproveitaram a paralisação dos campeonatos por conta da pandemia para aderir às manifestações. Aos poucos os esportes voltam ao normal, mas para Renee Montgomery e Tiffany Hayes, estrelas da WNBA, o basquete não é o mais importante neste momento. As jogadoras do Atlanta Dream anunciaram há algumas semanas que não jogarão a temporada 2020 da liga, que começou no 25 de julho, para ajudar na busca pela reforma da justiça social.

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Renee, 33, foi a primeira jogadora a anunciar sua decisão de não jogar e desde então tem buscado formas de conscientizar e educar as pessoas sobre o racismo sistêmico presente no mundo inteiro. “Fui a primeira, mas não a última”, falou a jogadora em entrevista ao Yahoo Esportes. “Muitos jogadores da WNBA e da NBA se sentem da mesma forma que eu, mas jogarão a temporada. Estejamos na bolha ou não, todos temos o mesmo objetivo. Aqueles oito minutos e 46 segundos mudaram a América”, disse ela em referência ao vídeo da morte de George Floyd, sufocado pelo policial Derek Chauvin com o joelho.

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Em meio a pandemia do novo coronavírus, a WNBA teve de adaptar e encurtar a temporada 2020. Assim como na NBA, as atletas da liga feminina foram à Flórida para a bolha formada no complexo da IMG Academy. A temporada, que começou no dia 24 de julho, terá 22 jogos por time e se encerrará em outubro após os playoffs.

As duas atletas do Atlanta Dream não conseguiram se concentrar no basquete após as mortes de Taylor e Floyd, por mais difícil que fosse ignorar a ansiedade para voltar às quadras. “O basquete é uma distração para a luta da qual estamos focados”, falou Tiffany. “Quando LeBron James pega uma bola de basquete, ninguém mais se preocupa com Breonna Taylor. Isso é triste. Acredito, sim, que alguns jogadores(as) contribuirão para a luta com os nomes (das vítimas) nas camisas, mas acho que se você pratica esportes, não tem escolha a não ser manter a atenção no que é importante”.

Na WNBA desde 2012, esta será a primeira vez que Hayes desfalca o Atlanta Dream por uma temporada inteira. Enquanto é desfalque dentro das quadras, ela assume o protagonismo no lado de fora em busca da reforma da justiça social. “Venho mantendo as pessoas informadas sobre as coisas que acontecem no mundo e são varridas para debaixo do tapete. Este mundo foi construído com base na supremacia branca, especialmente as leis. É por isso que as minorias sempre lutam para ter sucesso aqui na América”, disse a atleta.

Hayes e Montgomery seguem o exemplo de Maya Moore, com quem jogaram na Universidade de Connecticut e que largou o basquete temporariamente em 2019 para ajudar a revogar a condenação de Jonathan Irons, um homem negro preso injustamente há 22 anos e condenado a 50. Ele foi solto no início deste mês após a justiça anular sua condenação por roubo e agressão.

A conquista de Maya fora das quadras é uma grande inspiração para as suas ex-companheiras de faculdade, que veem uma grande possibilidade de mudança na sociedade mediante as intensas manifestações do Black Lives Matter. “Estudei inquietação civil neste país ao longo da história e desta vez é diferente. Digo diferente porque não são apenas os negros que lutam pela igualdade, muitas culturas têm se juntado ao movimento”, disse Renee.

Montgomery criou em janeiro deste ano a Renee Montgomery Foundation, uma fundação sem fins lucrativos que busca impactar positivamente a vida das pessoas através do esporte, principalmente o basquete feminino. A fundação arrecadou doações para levar água aos manifestantes no auge dos protestos em prol do “Black Lives Matter”.

É dessa forma que as jogadoras buscam atuar durante o período que estão fora do basquete. Não apenas com palavras, mas com ações que, além de promover o movimento, ajudam e dão força aos negros na sociedade. “Devemos manter esse movimento forte até conseguirmos uma mudança real nos Estados Unidos”, falou Hayes.

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