Estádio 974: parece um navio de carga, mas é o palco de Brasil x Suíça na Copa

As cores, as formas e os materiais incomuns para um estádio padrão Fifa tornam o 974 a arena mais curiosa desta Copa do Mundo do Catar. Palco do jogo do Brasil contra a Suíça hoje, às 13h (de Brasília), pela segunda rodada do Grupo G, o estádio foi erguido com aço modular e contêineres em diferentes tons, que ficam aparentes na fachada voltada para o Golfo Pérsico como se fossem peças gigantes de um Lego.

O visual destoa da grandiosidade e até da monotonia dos demais estádios, que têm arquitetura externa ousada, mas são muito parecidos por dentro. A sensação, ao se deparar com o 974, é de estar diante de um monumental navio de cargas. A ideia de manter as cores dos contêineres e usar os números de identificação das entradas pintados neles torna a experiência ainda mais pitoresca.

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Há duas razões para a escolha do nome: 974 é o código de discagem internacional para o Catar e também o número de contêineres usados para a construção do estádio. Boa parte da estrutura é feita de aço reciclado, e os 44.089 assentos são removíveis.

A simplicidade anda de mãos dadas com a praticidade. Com a menor capacidade da Copa, as entradas do estádio são de fácil acesso, apesar não ter estação de metrô perto — uma boa caminhada de quase dois quilômetros, mas há a opções de ônibus fornecidos pela organização.

Desmonte pós- copa

Dificilmente algum torcedor ficará perdido à procura do seu portão e assento, ao contrário de outras arenas que têm estruturas internas quase labirínticas, onde perder alguma entrada ou saída significa dar quase a volta completa no estádio.

Segundo o Supremo Comitê Organizador, ao optar por esse design — uma homenagem às tradições marítimas e portuárias do Catar —, foi necessário usar menos materiais para que ele fosse erguido em comparação com outros estádios do país. Além disso, muitos dos contêineres que hoje compõem sua estrutura serviram para transportar material de construção para o próprio local.

Por causa dessa estrutura, o 974 é o primeiro estádio totalmente desmontável na história das Copas. Após o Mundial, ele será desconstruído, e os diferentes componentes, como teto e assentos, serão reutilizados em outras arenas esportivas. O local dará lugar a uma área verde. A organização ainda não respondeu sobre qual deve ser o destino da estrutura após a competição.

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O 974 começou a ser construído em 2017 e foi inaugurado em novembro do ano passado, sendo sede de jogos da Copa Árabe. Ele fica instalado perto do Aeroporto Internacional de Doha e da região portuária, e é a arena mais próxima da costa marítima do país. Tem dois lances de arquibancada, e do ponto mais alto é possível avistar a linha de prédios modernos da West Bay, uma das regiões mais luxuosas da capital catari.

Sem ar condicionado

Outro motivo faz o 974 ser diferente dos demais. Os outros sete estádios precisam de sistema de ar condicionado para aplacar o calor que costuma castigar o Oriente Médio no verão (durante o Mundial, os termômetros não têm ultrapassado os 30°C, mas a refrigeração é ligada mesmo assim). Por causa de seu design e da localização à beira-mar, esse complexo é naturalmente ventilado, e a aposta da organização é que isso torne desnecessária a tecnologia para resfriar o ambiente.

Porém, no jogo entre França e Dinamarca, que começou às 19h locais (13h no Brasil), no sábado, os ventos do Golfo Pérsico demoraram a fazer seu papel de refrigeração natural. Apesar de o sol se pôr antes das 17h nesta época do ano, ainda era possível sentir o calor absorvido pelas estruturas metálicas. Talvez por isso nenhuma partida foi marcada no local nos primeiros horários.

As estruturas metálicas também são um componente a ser usado pela torcida brasileira, que, novamente, deve ser maioria nas arquibancadas. Se não tem os quase 90 mil lugares do Lusail, é possível transformar o 974 num pequeno caldeirão. Ao pisotear o chão de aço, o barulho ensurdecedor se soma à sensação de um leve terremoto.

Além de Brasil x Sérvia, o 974 recebe cinco partidas da fase de grupos da Copa do Mundo, além de um dos jogos das oitavas de final. Caso o time do técnico Tite se classifique em primeiro lugar do Grupo G, volta a jogar nessa arena na fase final.