Escolinha de Rondônia viaja 36 horas para jogar torneio infantil em Goiás

Alexandre Guariglia

Começa neste domingo o Go Cup, o maior torneio infantil de futebol do país, e com ele chegam inúmeras histórias de crianças, times, técnicos e envolvidos no mundo do futebol. O LANCE! foi atrás de uma delas e encontrou Ademílson José da Silva, presidente e técnico da AJS/Unimed, de Rondônia, escolinha de futebol de Ji-Paraná.

Há mais de 20 anos à frente do projeto com os garotos, Coquinho, como é popularmente chamado, e sua escolinha participarão pela primeira vez da competição que será em Aparecida de Goiás (GO), viagem de 36 horas de ônibus.

- Tanto nós da comissão técnicam quanto os pais e as crianças, todos estão muito ansiosos pela magnitude do evento, pela grandeza que vai ser. Nós vamos em dois ônibus, os pais vão também, estaremos representados em quatro categorias e por cinco equipes, já que em uma delas teremos A e B.

Não é de hoje que Ademílson leva as crianças para participarem de torneios em outros centros do futebol, mas dessa vez haverá um apelo especial que será enfrentar equipes de fora do país como o Alianza Lima (PER), Independiente del Valle (EQU) e o Peñarol (URU). Além dos próprios alunos, ele também faz parcerias com outros professores da região para levar o que tiver de melhor.

- A gente já participou de outras copas de futebol de campo, em Goiás mesmo, em São Paulo, no Paraná também, mas em campo de society como a Go Cup, é a primeira vez - ponderou.

Além da diferença no gramado, os garotos também terão pela frente um torneio de alto nível, justamente pela inclusão de equipes estrangeiras e grandes clubes do próprio Brasil.

- Eu acredito que os meninos vão sentir uma diferença, porque o nível da competição vai ser bem mais forte, a gente costuma ir para torneios e disputa contra outras escolinhas. Claro que no Go Cup teremos escolinhas também, mas os clubes também estarão lá, tanto estrangeiros como nacionais - analisou Ademílson

Na AJS/Unimed o perfil dos meninos que frenquentam a escolinha é bastante diversificado. Há aqueles que pagam mensalidade e outros que fazem parte do projeto filantrópico mantido pela Unimed Ji-Paraná. A patrocinadora banca 90% dos gastos, incluindo parte do salário dos professores, os custos do campo e cinco jogos de uniforme por ano.

Mesmo com o aporte da empresa do ramo de saúde, houve um planejamento de longo prazo para garantir a participação das equipes de Coquinho no Go Cup. Os esforços, porém, serão compensados pelos frutos e sonhos trazidos de Goiás.

- A gente se programou há oito meses para poder participar, arrecadamos dinheiro, passamos para os pais, dividimos em parcelas. Não tem premiação em dinheiro nem na Go Cup nem nas outras que a gente participa, a gente dá a oportunidade aos meninos de conhecerem novas culturas, novos países, novas equipes, e também para serem observados por algum olheiro. A pessoa que conseguiu o contato da organização para a gente participar, falou que vai ser uma coisa única, que os meninos nunca irão esquecer.

Curiosamente, entre os jogadores da delegação, o AJS contará com duas duplas de gêmeos, uma no sub-11 (Michael e Cauã) e outra no sub-12 (Cauê e Cauã), a aposta de Ademílson como destaques do time.

A diversidade de perfis, equipes, crianças e histórias trazidas pelo Go Cup permite que uma escolinha de Rondônia, estado que está longe de ser um centro tradicional de futebol, possa fazer o intercâmbio com outras realidades, principalmente como uma vitrine para as jovens talentos que desejam seguir a carreira de jogador.

- Estamos em Rondônia, então a chance de meninos do Rio, de São Paulo e do Paraná virarem jogadores é bem maior do que a nossa aqui, então precisamos fazer o seguinte: ou a montanha vem a Maomé, ou Maomé vai até a montanha, então a gente tem que ir até onde estão os olheiros, onde estão os clubes para mostrar os valores que a gente tem aqui.

Nessas andaças pelo Brasil, a escolinha de Ademilson já revelou jogadores para clubes grandes do cenário do futebol nacional, em breve mais promessas devem seguir para centros mais tradicionais.

- Nós revelamos o Thalisson, 18 anos, está no Coritiba, já teve três conovocações para Seleção de base, foi observado também em viagem. Temos o Renan, 16 anos, na Chapecoense. Dia 10 deste mês dois atletas aqui de Ji-Paraná viajam para Porto Alegre para jogar no Internacional, todos frutos de viagens.

Embora o projeto alimente e proporcione diversão para esses meninos de até 12 anos de idade, o principal recado passado aos alunos é o de que nem todos se tornarão jogadores de futebol, por isso, antes de tudo, devem investir na formação humana.

- A gente fala que futebol não é fácil, que nem todo mundo vai conseguir, a maioria não vai alcançar o objetivo, mas para alcançar o objetivo tem que ter perseverança, tem que tentar, tem que ser visto pra ser lembrado, tem que treinar muito, agarrar a oportunidade que tiver e, principalmente estudar - finalizou.

As histórias do AJS e de suas crianças são apenas parte de um conjunto de epopeias recheadas de sonhos e de lições que o futebol traz. Desta vez, o Go Cup e a cidade de Aparecida de Goiás (GO) são os elementos que reunirão tudo isso em um só lugar.

































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