Após escândalos de Platini, Ceferin apresenta planos para sua presidência da Uefa

Por Yassine KHIRI
O presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, no dia 21 de março de 2017 em Praga

"Restaurar nossa credibilidade e reforças nossa legitimidade". Assim se posicionou nesta quarta-feira, em Helsinque, Aleksander Ceferin, em seu primeiro congresso como presidente da Uefa, sete meses depois de suceder a Michel Platini, que precisou entregar o cargo após escândalos de corrupção relacionados à Fifa.

O esloveno tem como objetivo promover mudanças rápidas e profundas na entidade europeia. Para isso, já aprovou uma série de medidas mediante a introdução de novas regras nos estatutos da Uefa.

A norma mais importante é a limitação do número de mandatos do presidente da entidade continental e dos membros do comitê executivo a três mandatos de quatro anos.

Os dirigentes deverão exercer obrigatoriamente "uma função ativa" (presidente, vice-presidente, secretário-geral e diretor-geral) em suas federações nacionais para serem reeleitos para um novo mandato.

Outras modificações, com o intuito de dar mais "transparência", também foram adotadas por unanimidade, algo "bastante infrequente", segundo Ceferin, que considerou o fato "uma mensagem forte".

Entre essas medidas, a garantia de que as sedes de todas as competições da Uefa sejam escolhidas mediante um processo de licitação transparente.

"Para os verdadeiros torcedores do futebol, estas medidas estão longe de suas preocupações e são mudanças obscuras que não vão revolucionar o futebol. Mas são mudanças indispensáveis para limpar nossa imagem, restaurar nossa credibilidade e reforçar nossa legitimidade", declarou Ceferin em seu discurso de abertura.

Após a saída de seu antecessor, espera-se se muito de Ceferin em relação ao combate contra a corrupção. Platini, 61 anos, está atualmente suspenso de toda atividade relacionada ao futebol pelo recebimento de 1,8 milhão de euros em 2011, sem contrato escrito, por um suposto trabalho de consultoria para Sepp Blatter, ex-presidente da Fifa, que teria sido concluído em 2002.

- Apoio de Infantino -

Na última quinta-feira, ao jornal francês Le Monde, Platini acusou a "administração" da Fifa de querer "ferir". Quando foi revelado o veredito do Tribunal Arbitral do Esporte, em 9 de maio de 2016, Platini anunciou sua intenção de "continuar o combate nos tribunais suíços". "Não está acabado", afirmou ao Le Monde.

Desde este momento, seu sucessor pôde contar com um comitê executivo com seis novos membros, encarregados de "fazer passar todas as outras reformas indispensáveis para o futebol de amanhã".

Decidido a provar que é o senhor da nova geopolítica do futebol europeu, Ceferin não hesitou em mostrar sua força aos grandes clubes, acabando com a possibilidade da criação de uma "Super Liga" europeia, sonho antigo de gigantes do continente, como o Bayern de Munique.

"Nunca cederemos à chantagem (de algumas ligas) que acham que podem manipular as ligas menores ou ditar suas leis para as federações. Só porque elas geram dinheiro astronômico, se sentem poderosas. Simplesmente, o dinheiro não faz a lei e existe uma hierarquia no futebol que precisa ser respeitada", declarou durante seu discurso.

Após um excelente resultado financeiro no período 2015/16, com 4.580 bilhões de euros em receita gerada, 64% a mais em relação a 2011/12, o esloveno anunciou sua intenção de estabelecer o "fair-play financeiro 2.0".

A ideia consiste em seguir reduzindo a dívida dos clubes europeus, e que isso se torne um mecanismo de estímulo para a "economia do futebol europeu".

Para realizar seus planos, Ceferin, 49 anos, conta com o apoio do presidente da Fifa, Gianni Infantino, presente em Helsinque. Durante a eleição de setembro, alguns críticos acusaram Ceferin de ser um fantoche de Infantino.

"Após um ano e meio de presidência na Fifa e seis meses da presidência de Aleksander Ceferin na Uefa, esta é a principal diferença entre o passado e o presente: esta estúpida rivalidade entre Fifa e Uefa já não existe", declarou Infantino, que passou 16 anos trabalhando dentro da entidade europeia antes de assumir o comando da Fifa.

Leia também