Equador não tem condições de organizar a Copa América, diz chefe do futebol do país

O presidente da entidade máxima do futebol equatoriano, Francisco Egas, disse que seu país não tem condições de sediar uma Copa América no futuro próximo, segundo entrevista divulgada pela imprensa.

"Os eventos estão ficando cada vez maiores e mais exigentes. Hoje, o Equador, ouso dizer, não tem estádios adequados", disse Egas à rádio La Red de Quito na quarta-feira.

Embora tenha ressaltado que a Copa Libertadores Feminina deste ano foi um "sucesso", o presidente da Federação Equatoriana de Futebol (FEF) insistiu que as instalações esportivas do país "não estão à altura do que uma Copa América exige hoje".

"Em algum momento as sedes se revezavam por todos os países, depois ficou com um acordo tácito. Hoje me parece que não depende disso, depende mais das condições que se tem para organizar um evento dessa magnitude", disse Egas.

A última vez que o Equador sediou uma Copa América foi em 1993, e de acordo com o sistema de rodízio, caberia a eles organizar a de 2024.

"É um evento para o qual não estamos preparados hoje e temos que ver se estaremos amanhã", acrescentou o presidente da FEF, ressaltando que a organização de uma Copa América exige um grande investimento econômico.

A pandemia de covid-19 alterou o calendário e o evento que seria disputado em 2021 na Argentina e na Colômbia mudou sua sede para o Brasil, que na época contava com a infraestrutura necessária após sediar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

"O Equador tem uma situação social que exige a prioridade do governo", disse Egas, explicando que, diante das necessidades sociais, o futebol "fica em segundo plano".

O Equador também enfrenta problemas de segurança ligados à atividade de grupos de narcotraficantes, que na semana passada lançaram uma ofensiva com tiroteios e carros-bomba em postos de gasolina e delegacias de polícia em retaliação à transferência de mais de 2.400 presos.

Os ataques, que deixaram oito mortos, obrigaram o governo a declarar estado de emergência em três províncias do país, as mais atingidas pelos narcotraficantes.

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