Epidemia de cirurgias plásticas: autoaceitação conquistada em consultórios estéticos?

Emily Santos
·3 minuto de leitura

Autoaceitação é uma palavra popular entre os jovens da Geração Z. Mas, em um momento em que as cirurgias plásticas estão mais em alta do que nunca, se torna um termo no mínimo irônico.

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Não é incomum vermos influenciadoras e blogueiras pregando que todos deveriam se amar como são e não buscar se encaixar em padrões sociais opressivos, que delimitam as formas e tamanhos dos corpos, o conteúdo que cada um deve consumir e como devem se expressar.

Mas ao mesmo tempo, vemos as mesmas pessoas formadoras e influenciadoras de opinião se submetendo a cada vez mais procedimentos estéticos e cirurgias plásticas. Parece uma epidemia. Como não questionar que o caminho da autoaceitação passa por consultórios e clínicas de estética cujo objetivo é mostrar que a única forma de se aceitar é mudando tudo em você?

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As plásticas não são os inimigos, obviamente. Procedimentos permitem que algumas pessoas possam viver uma vida mais tranquila, muitas vezes longe de bullyings e traumas. Uma rinoplastia aqui, uma otoplastia ali podem, sim, garantir uma melhora na autoestima e até na saúde mental. Até um procedimento de redução de peso e gordura não é criticável por si só, já que é indiscutível que cada um precisa ter o direito de fazer suas próprias escolhas. Mas quando vemos uma pessoa que já é magra se submetendo a uma cirurgia invasiva que muda a forma de seu corpo para ficar ainda mais magra, é impossível não questionar o poder do padrão social.

E em uma era em que a internet é a porta de entrada para os jovens na busca do autoconhecimento, não dá para controlar ou impedir que aquela pessoa em desenvolvimento passe a ver como natural a realização de procedimentos sérios como uma Lipoaspiração de Auta Definição (LAD), por exemplo.

Ludmilla, Paula Amorim e Flayslane fizeram lipo LAD. Foto: Reprodução/Instagram
Ludmilla, Paula Amorim e Flayslane fizeram lipo LAD. Foto: Reprodução/Instagram

Mas este não é o único exemplo e não é um problema recente. Os jovens brasileiros passam cada vez mais por cirurgias plásticas. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), houve um aumento de 141% no número de procedimentos entre jovens de 13 a 18 em um período de dez anos.

Parece ser uma contradição que resulta na banalização de procedimentos que podem representar riscos à saúde, e, claro, à vida. O dermatologista Érico Pampado Di Santis provou em um estudo de Pós-Graduação em 2017 que os números de mortes relacionados à lipoaspiração são maiores do que se sabe. O que acontece é que em 93% das certidões de óbito de pessoas que morreram após se submeterem a cirurgia há falhas no preenchimento. Segundo o estudo, isso resulta na subnotificação de casos fatais.

Não podemos esquecer que Brasil ocupa o topo do ranking de procedimentos estéticos do mundo. Por isso, é importante que haja discussões sobre como acontece a banalização destes serviços e os impactos que causam na saúde mental e física. Afinal, não é que você não deva se submeter a eles. Mas deve se perguntar se você quer ou precisa mesmo fazer isso para se sentir bem consigo mesmo.

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