Entre chegadas e partidas, Uruguai inicia sua campanha na Copa

Darwin Nuñez, da seleção uruguaia. (Foto: Pat Elmont - FIFA/FIFA via Getty Images)
Darwin Nuñez, da seleção uruguaia. (Foto: Pat Elmont - FIFA/FIFA via Getty Images)

José Artigas foi um político, general, comerciante e acima de tudo, é considerado um herói no Uruguai. Lutou em guerras contra ingleses, portugueses, espanhóis e brasileiros. Morreu no exílio, sem nem ter chegado a participar da campanha que deu ao Uruguai sua independência, em 1828, mas ainda assim é considerado o “Protetor dos Povos Livres”, homenageado por todo país e até na vizinha Argentina.

Do berço de uma dessas homenagens nasceu uma das esperanças do Uruguai na Copa: Darwin Nuñez. Localizada no norte uruguaio, a cidade de Artigas faz fronteira com a cidade brasileira de Quaraí e as duas dividem mais do que a ponte que as separa, com a cultura local se misturando entre costumes brasileiros e uruguaios. O carnaval de Artigas reúne a população das duas cidades, o portunhol é falado pelas ruas e se aceitam pesos e reais em ambos lados da fronteira. Talvez seja essa proximidade com o Brasil que tenha ajudado Darwin Nuñez a se adaptar tão bem ao futebol português, pra onde se transferiu em 2020 após rápida passagem pelo futebol espanhol.

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Cria do Peñarol, da capital uruguaia, onde jogou dos 14 aos 20 anos, o jogador inicialmente foi reprovado na peneira do clube, e voltou à Artigas, para junto da família. Menos de um ano depois, o Peñarol foi atrás do garoto, que novamente partiu para Montevidéu. O irmão mais velho, Júnior Nuñez, jogava futebol em um clube da terceira divisão uruguaia e era quem ajudava Darwin a se manter financeiramente. O pai, auxiliar de construção, e a mãe, que catava garrafas para vender, não tinham condições de ajudar o filho mais novo. Mas a humilde família logo precisava de mais ajuda, e Júnior largou o futebol para arrumar outro emprego que pagasse melhor. Proibiu Darwin de fazer o mesmo, pois era ele quem tinha condições de ir adiante, segundo ele. E foi.

Em menos de cinco anos como profissional Darwin Nuñez foi de promessa do time do Peñarol a uma transferência de 75 milhões de euros para o Liverpool. Com isso, chega hoje como uma das esperanças de um Uruguai que disputa sua quarta Copa seguida. A geração de excelente campanha em 2010, quando a Celeste foi parada apenas nas semifinais, deve jogar sua última Copa. São cinco remanescentes daquele time: Luis Suárez, Edinson Cavani, Fernando Muslera, Martín Cáceres e Diego Godín, todos presentes em todas as campanhas desde então. Foram esses jogadores que ajudaram a trazer o Uruguai de volta ao cenário competitivo, e deixam como legado uma seleção que pode sempre surpreender. O Uruguai se despede de uma geração mas segue revelando jogadores, como Nuñez, que em sua primeira Copa do Mundo pode mostrar a todos que a luta do General que dá nome à sua cidade ainda está bem viva.