Entrada de Ronaldinho no Paraguai causa troca de acusações no governo

Folhapress
***FOTO DE ARQUIVO*** SALVADOR - BA - BRASIL, 24-06-2013 - COPA DAS CONFEDERAÇÕES. O atacante do Atlético Mineiro Ronaldinho Gaúcho durante entrevista coletiva na Cidade do Galo. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** SALVADOR - BA - BRASIL, 24-06-2013 - COPA DAS CONFEDERAÇÕES. O atacante do Atlético Mineiro Ronaldinho Gaúcho durante entrevista coletiva na Cidade do Galo. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A investigação sobre a entrada do ex-jogador Ronaldinho Gaúcho, 39, e de seu irmão Roberto Assis, 49, com documentos falsificados no Paraguai gerou uma crise institucional em dois órgãos governamentais do país, que culminou com o pedido de demissão do diretor de departamento de migrações.

Nesta quinta-feira (5), o ministro do Interior, Euclides Acevedo, afirmou que o erro que permitiu a entrada dos brasileiros com os documentos adulterados foi da alfândega no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Luque.

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

"A polícia advertiu e, de pronto, foi feita uma ata onde consta que o funcionário da migração, sabendo da irregularidade, decidiu deixá-lo passar. A migração não devia tê-lo deixado entrar", disse Acevedo, por meio de uma nota no site oficial do ministério.

A acusação foi rebatida pelo diretor do departamento de migrações, Alexis Penayo, que diz ter avisado o ministério sobre a irregularidade, mas que mesmo assim recebeu ordens para permitir a entrada do brasileiro. Em meio à troca de acusações, Penayo renunciou ao cargo.

"Eu tenho as provas de que alertei o Ministério do Interior e o diretor de identificações. Enviei a eles as fotos dos passaportes e escrevi: 'não figuram no sistema'", afirmou Penayo em entrevista à rádio paraguaia ABC Cardinal.

Após a renúncia, o ministro do Interior afirmou que a conduta dele e do departamento deverá ser investigada. "Provavelmente, o diretor será indiciado pelo Ministério Público e pode ser processado", disse Euclides Acevedo.

O agora ex-diretor questiona, ainda, o fato de Ronaldinho ter sido acompanhado por uma escolta policial durante o seu deslocamento após sair do aeroporto, em vez de ter sido detido pelos policiais após o alerta que ele diz ter enviado.

"A polícia o escoltou do momento em que ele chegou até tarde da noite. Como base no que foi escoltado?", questiona Penayo.

De acordo com o comandante da Polícia Nacional do Paraguai, Sergio Resquín, a escolta foi solicitada por uma empresa chamada Grupo Beck, que pediu o apoio de duas motos e uma viatura durante o período de permanência do ex-atleta no país.

O ex-jogador foi posto em custódia pela polícia cerca de 12 horas após sua entrada no país. Os policiais encontraram ele e o irmão na suíte presidencial do hotel Yacht y Golf Club, em Lambaré, nas proximidades de Assunção.

Antes de ser chamado para prestar esclarecimentos, Ronaldinho circulou em caravana pela cidade e foi declarado como "visitante ilustre" pela Junta Municipal de Assunção.

Eles permaneceram a noite no hotel, sob custódia, e foram à sede da Promotoria contra o Crime Organizado para depor na manhã desta quinta (5). Os documentos foram apreendidos, assim como celulares.

Segundo o promotor do caso, Federico Delfino, que concedeu entrevista à imprensa paraguaia na manhã desta quinta, os números dos documentos apreendidos pertencem a outras pessoas, que foram detidas para prestar esclarecimentos. De acordo com ele, o passaporte foi expedido em janeiro deste ano, e as cédulas de identidade, em dezembro do ano passado.

Leia também