Engenheiro brasileiro de Verstappen o compara a Senna: "É tipo o Ayrton, nunca vai 'levantar' o pé para deixar alguém passar"

motorsport.com

Único brasileiro a chefiar o departamento de motores de uma montadora da Fórmula 1, Ricardo Penteado tem autoridade para falar sobre aquele é apontado como o futuro multicampeão da categoria: Max Verstappen, da Red Bull. O engenheiro, que deixou a Renault no fim de 2019 para desenvolver projeto mantido em segredo, trabalhou com o piloto no começo da trajetória do holandês na F1, na Toro Rosso, ainda em 2014.

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Em entrevista exclusiva ao Motorsport.com via live de Instagram, Penteado rasgou elogios a Verstappen: "É tipo o Ayrton, nunca vai 'levantar' o pé para deixar alguém passar". Confira o imperdível depoimento na íntegra no vídeo abaixo:

"Cara, o moleque é 'pauleira'. Ele é bruto que nem o pai dele, em termos de caráter (personalidade). Não sei se o pessoal viu a live com o [Enrique] Bernoldi, mas é exatamente o que ele falou [sobre Jos Verstappen, pai de Max e companheiro do brasileiro na Arrows em 2001]." 

"Conversei muito com o Max porque eu fui engenheiro dele na Toro Rosso quando ele andou pela primeira vez de F1. Era eu o engenheiro dele, em 2014, no Japão. Conversei muito com ele e com o pai dele, aprendi a conhecer os dois. E tem histórias fenomenais."

"Eles quase saíram na porrada: pai, mãe e os moleques com o [Daniil] Kvyat em coisas de kart, sabe? Então você vê que a galera é mais bruta. Quando conversei com ele em 2014, você via que o moleque tinha não só o talento, mas acho que o Jos fez um trabalho muito bom nele de formação. De saber onde melhorar, de saber priorizar... E uma coisa que marcou muito é que ele é tipo o Ayrton [Senna] no sentido de que nunca vai ser ele que vai 'levantar' o pé."

"Tipo assim, se tiver que ir todo mundo para a brita, vai, mas não vai ser ele que vai levantar o pé, quando vai para o fight. Foi muito interessante ver que, tão novo, ele percebeu que isso era o segredo, a marca registrada dele."

"Você vê em qualquer briga na pista, às vezes até ridícula, tipo ele ir 'no fight' com o [Esteban] Ocon no Brasil (em 2018) e perder a vitória para brigar com o cara na pista. Mas você sabe que se você tiver que ultrapassar ele, ou você ultrapassa bem, ou vão terminar os dois na brita, porque ele nunca vai levantar o pé para deixar alguém passar ele. E eu lembro que, no final da temporada 2014, eu até escrevi uma mensagem para ele e falei: 'Não basta ser rápido, tem que trabalhar'."

"Quando ele viu o negócio, ele olhou assim tipo: 'Quem foi que botou isso na minha mesa?'. Quando eu falei que fui eu, você via a descontraída. Então você vê que o moleque tem aquele caráter no sentido de comportamento: é 'punk', é violento e 'toca' muito. Sanguinário."

"Você percebe justamente na maturidade dele. Quando ele chegou lá, o engenheiro de performance fez um trabalho muito bom com ele na parte de pneu. E você vê que ele já tem maturidade para entender bem disso tudo. Quando ele chegou na F1, ele tinha 16 anos e parecia que ele já tinha 22, em termos de bagagem técnica. É impressionante. Pelo fato de ele ter começado bem cedo, ele já tem muita maturidade."

"Acho que realmente é um dos caras que, se não tiver uma escolha de caminho errada como aconteceu com o Fernando [Alonso], ele vai ser campeão do mundo pelo menos uma vez. Com certeza", seguiu o engenheiro brasileiro.

Comparação entre Verstappen, Ricciardo e Kubica

"O [Robert] Kubica, com certeza absoluta, é mais inteligente tecnicamente falando. Em termos de entender motor, ele entende tudo. Em termos de engenharia em volta do carro. Na Coréia, chegou um escapamento novo e eu tive que fazer o mapa (do motor) inteiro na mão ali, na sexta-feira de manhã, e ele me ajudou muito. O cara manja muito, é técnico. E ele entende muito de regulamentação, ele é malandro, tem um raciocínio de game muito pesado."

"Mas, em termos de talento, eu acho que eu colocaria o Max um pouco mais 'na mão'. Quando você vê aquela corrida dele em Interlagos no molhado (2016), meu... É difícil achar alguém que 'toque' mais do que ele, que tenha mais autoconfiança do que ele tinha."

"A gente escutava o rádio do Daniel [Ricciardo] na mesma corrida dele e o engenheiro dele falou assim: 'Na curva 3, o Max passa por fora. Tenta por fora'. Ele tentou uma vez e falou: 'Não, não, não, estou tranquilo aqui'. Por fora, tinha menos borracha, então o carro tinha mais aderência, só que tinha mais água também, porque tinha menos carros passando, então era meio difícil ali. Mas o Max 'toca' muito", completou Penteado.

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