Empate em Goiânia é uma vitória diante do que o Corinthians jogou

Alexandre Guariglia
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O torcedor do Corinthians que utilizou a noite do último sábado para ver o jogo de seu time é um herói. Precisa ser muito fanático e muito esperançoso para não mudar de canal ou sair da frente da TV, já que nestes tempos de pandemia, sair de casa não pode ser opção. Isso porque foi mais uma atuação terrível do Alvinegro, que contribuiu muito para qualidade baixíssima do empate em 1 a 1 com o Atlético-GO, em Goiânia, pela 20ª rodada do Brasileirão-2020.

Apesar do empate no início da segunda etapa, o Timão passou todo o primeiro tempo sem acertar um chute no gol. Como se não bastasse a falta de pontaria, houve a falta de finalizações. A primeira delas foi com Otero, em cobrança de falta que passou longo da trave. aos 40 minutos. Na melhor chance da etapa inicial, por exemplo, Matheus Davó hesitou para chutar, tentou driblar Jean, mas acabou desarmado pelo goleiro. Muito pouco para um clube tão grande.

Somente no segundo tempo, quando Vagner Mancini colocou o time mais no ataque é que duas finalizações atingiram a meta: uma com Fábio Santos, em cobrança de pênalti que rendeu o empate, e outra com Ramiro, que aproveitou cruzamento de Gustavo Silva e chutou para a defesa de Jean em dois tempos. O atacante, é justo destacar, ajudou a dar mais volume ofensivo com sua entrada após o intervalo, mas o ímpeto ficou mais nesse início da etapa final.

Essa inoperância no ataque, porém, não foi algo exclusivo desse duelo com o Atlético-GO, mas tem sido recorrente nos últimos jogos. Se pegarmos um recorte das cinco partidas mais recentes (Vasco, América-MG, Internacional, América-MG e Atlético-GO), o Corinthians finalizou apenas 14 vezes no alvo, média de 2,8 chutes certos por partida. A "sorte" do Timão é que dessas 14 finalizações, cinco balançaram a rede nesses confrontos citados, uma por jogo.

A atuação contra o Dragão foi uma das piores deste Brasileirão, tanto contando apenas o Alvinegro, quanto contando todos os confrontos disputados até aqui no campeonato. E tem sido sempre assim, desde Tiago Nunes, passando por Dyego Coelho e caindo no colo de Vagner Mancini. Como já foi dito neste espaço em outras ocasiões, o problema é crônico, não dos técnicos.

Se analisarmos a partida deste sábado, em termos de chances criadas, de volume de jogo e qualidade de desempenho, conseguir o empate foi uma vitória para o Corinthians. Se o árbitro Jean Pierre Gonçalves Lima não tivesse marcado pênalti de Gilvan em Fagner, é bem possível (quase certeza) que o gol não sairia. Mesmo que a equipe tenha melhorado ligeiramente na etapa final.

Por essas e outras, apesar da grandeza do Timão não permitir aceitar tão pouco, a fase do clube exige que esses pontos conquistados em circunstância tão adversas seja comemorados como uma vitória, pois em alguns jogos, como o de Goiânia, nem isso a equipe mereceria pelo que apresentou em campo. A briga no Campeonato Brasileiro ainda é contra a zona de rebaixamento e pelo andar da carruagem deve continuar assim por um bom tempo.

Número de finalizações certas do Corinthians nos últimos cinco jogos*:

- Vasco 1 x 2 Corinthians - Campeonato Brasileiro - 4 chutes no alvo
- Corinthians 0 x 1 América-MG - Ida das oitavas de final da Copa do Brasil - 3 chutes no alvo
- Corinthians 1 x 0 Internacional - Campeonato Brasileiro - 3 chutes no alvo
- América-MG 1 x 1 Corinthians - Volta das oitavas de final da Copa do Brasil - 2 chutes no alvo
- Atlético-GO 1 x 1 Corinthians - Campeonato Brasileiro - 2 chutes no alvo

*Fonte: SofaScore