Emoção e vitória da Chape sobre o irmão de Medellín na final da Recopa

Chapecoense e Atlético Nacional se enfrentariam dia 30 de novembro do ano passado para iniciar a disputa pelo título da Copa Sul-Americana. Um trágico acidente com o avião da equipe catarinense na véspera, porém, fez o estádio Atanasio Girardot lotar não para uma partida de futebol, e sim para uma homenagem inesquecível aos 71 falecidos. E se há algo de bom para ser lembrado desse drama catastrófico é a união e as demonstrações de solidariedade expressas pelos colombianos. Nessa terça-feira, enfim, Chapecoense e Atlético Nacional entraram em campo para disputar um título. Dessa vez é a taça da Recopa Sul-Americana que está em jogo. Além disso, o desejo do povo de Chapecó em retribuir todo o carinho recebido em um momento doloroso.

Foram inúmeras homenagens e muitas lágrimas derramadas antes da bola efetivamente começar a rolar. Os jogadores dos dois times entraram em campo intercalados, na arquibancada não havia separação entre as torcidas, mas nada disso minimizou o anseio pela conquista de um título inédita para ambos os clubes.

Com seu tradicional uniforme verde escuro, a Chape chegou com perigo pela primeira vez aos 22 minutos e foi fatal. João Pedro, ex-Palmeiras, finalizou e Bocanegra, um dos cinco remanescentes do grupo campeão da Libertadores pelo Atlético Nacional em 2016, interceptou a bola com o braço. Pênalti que Reinaldo não desperdiçou e levou toda a torcida ao delírio na Arena Condá.

Leal e equilibrado, o confronto ficou mais aberto apenas na segunda etapa, principalmente depois que Macnelly Torres resolveu arriscar de fora da área. O camisa 10 acertou o ângulo de Arthur Moraes e contou com uma colaboração do goleiro para deixar tudo igual. Apesar da lamentação, os torcedores da Chape aplaudiram a festa colombiana em seu próprio estádio.

Mas a noite pedia uma vitória brasileira. O local que um dia teve de velar seus ídolos, nessa terça viu o zagueiro Luiz Otávio subir mais alto que todo mundo para aproveitar escanteio da esquerda e cabecear para o fundo do gol.

Em um duelo em que o resultado não é o grande protagonista, a única certeza é que Chapecoense e Atlético Nacional ainda têm mais um capítulo para escreverem juntos. Dia 10 de maio, a equipe catarinense voltará a viajar rumo à Medellín para disputar uma final, agora com a vantagem do empate, e, esperamos, com sustos a serem sofridos apenas em campo, no Atanasio Girardot.

FICHA TÉCNICA

CHAPECOENSE 2 X 1 ATLÉTICO NACIONAL-COL

Local: Arena Condá, em Chapecó (SC)

Data: 04 de abril de 2017, terça-feira.

Horário: 19h15 (de Brasília).

Árbitro: Mario Diaz de Vivar (PAR).

Assistentes: Milciades Saldivar (PAR) e Roberto Cañete (PAR).

Cartões amarelos: CHAPECOENSE: Apodi. ATL. NACIONAL Bocanegra, Diego Arias e Alexis Henríquez.

GOLS:

CHAPECOENSE: Reinaldo, aos 24 minutos do 1T, e Luiz Otávio, aos 28 minutos do 2T.

ATLÉTICO NACIONAL: Macnelly Torres, aos 13 minutos do 2T

CHAPECOENSE: Arthur Moraes; João Pedro, Douglas Grolli (Luiz Otávio), Nathan e Reinaldo; Andrei Girotto, Luiz Antônio (Noisés Ribeiro) e Dodô; Arthur, Rossi e Túlio de Melo (Wellington Paulista).

Técnico: Vagner Mancini

ATL. NACIONAL: Armani; Bocanegra, Nájera, Alexis Henríquez e Farid Díaz; Bernal (Mosquera), Diego Arias, Mateus Uribe, Macnelly Torres e Jhon Mosquera; Dayro Moreno (Aldo Ramírez)

Técnico: Reinaldo Rueda