Embalado por 'Baby Shark', time da MLB busca título histórico

ALEX SABINO
Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em momentos de tensão, algum jogador ou integrante do estafe se aproxima de Dave Martínez e coloca a mão em seu peito. É brincadeira, mas não muito. O técnico de 55 anos foi levado de ambulância para o hospital em 15 de setembro, reclamando de dores no peito. Não era nada sério, mas, por via das dúvidas, ele parou de tomar café.

As tensões têm sido várias em outubro, mas o final pode ser histórico. O Washington Nationals está perto de conquistar a World Series, a final da MLB (Major League Baseball), principal liga de beisebol do planeta. Na série melhor de sete jogos, venceu os dois primeiros contra o favorito Houston Astros -0 terceiro seria nesta sexta (25), após a conclusão desta edição.

A última vez que um time perdeu os dois primeiros jogos em casa e levantou a taça foi em 1996. O New York Yankees bateu o Atlanta Braves.

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A arrancada da equipe foi embalada por uma música que se tornou febre (também) no estádio da equipe: "Baby Shark", canção infantil sobre uma família de tubarões.

A sua dança é imitada por torcedores e jogadores a cada vez que o outfielder (jogador que fica em um dos extremos do campo) venezuelano Gerardo Parra vai para a rebatida. Quando uma corrida é anotada ou algum jogador consegue avançar uma base, ele faz gesto com as mãos do "baby shark" para os reservas.

Antes de iniciar o confronto, o Nationals era a maior zebra da World Series desde 2007, segundo as casas de apostas americanas. Naquele ano, o Boston Red Sox confirmou a expectativa e derrotou com facilidade o Colorado Rockies.

Na confusa história do beisebol em Washington, uma equipe da cidade não chegava à World Series desde 1933 e não vence o título desde 1924. Na época, a franquia se chamava Washington Senators. Mudou de nome e de cidade e atua hoje como Minnesota Twins. Os Senators foram formados de novo décadas depois e se mudariam uma vez mais, virando Texas Rangers.

Os Nationals em atividade foram comprados por US$ 450 milhões (R$ 1,8 bilhão em valores atuais) em 2005 pelo bilionário Ted Lerner, como espólio do Montreal Expos.

Os Astros eram favoritos por ter um elenco considerado mais talentoso, com mais opções e três dos melhores pitchers (arremessadores) da liga. No beisebol, o pitcher é considerado o jogador mais importante da equipe.

O otimismo se dava porque nos dois primeiros jogos, em Houston, o time da casa teria como arremessadores Gerrit Cole e Justin Verlander. O primeiro entrou na World Series como o jogador em melhor momento no esporte, e o segundo é o que a MLB tem de mais próximo a Tom Brady, astro do New England Patriots seis vezes campeão da NFL.

Não que o time de Washington seja frágil de pitchers. Pelo contrário, os dois maiores salários da liga são de Max Scherzer e Stephen Strasburg. Somados, os astros dos Nationals recebem por ano US$ 78 milhões (R$ 312,6 milhões).

A franquia de Washington investe pesado desde que foi renomeada e passou a jogar na capital americana pelo desejo de Ted Lerner. Ele sonha em ver o time levantar o troféu da World Series e, por causa da idade, não podia mesmo esperar. Aos 94 anos, ele se afastou das operações do clube, mas seu filho continua à frente, mesmo após ter sido diagnosticado com câncer.

Os US$ 450 milhões para comprar a franquia tornaram-se um bom investimento. O estádio Nationals Park foi construído por US$ 701 milhões (R$ 2,8 bi), sendo que US$ 670,3 milhões (R$ 2,68) vieram de cofres públicos, sob a justificativa de que a arena revitalizaria uma área abandonada da capital americana.

Isso aconteceu, e os terrenos próximos ao estádio se valorizaram em cerca de US$ 2,65 bilhões (R$ 10,6 bilhões) nesta década. Quando isso aconteceu, os Lerner já haviam começado a construir imóveis na região. A fortuna da família é estimada pela revista Forbes em US$ 5,3 bilhões (R$ 21,2 bilhões). A franquia hoje é avaliada em US$ 1,8 bilhão (R$ 7,2 bilhões).

Para os Astros, campeões em 2017 e derrotados na final da Liga Americana de 2018, ganhar o título pode significar o início de uma dinastia. Mas, além do moral abalado, a equipe enfrenta polêmica envolvendo o assistente do gerente-geral, Brandon Taubman.

Na festa pós-classificação para a decisão, ele se virou para três repórteres mulheres que estavam no vestiário e gritou para elas: "Estou grato para c... que temos Osuna."

O fechador Roberto Osuna foi contratado em julho de 2018, após suspensão de 75 jogos. Ele havia sido preso, acusado de agredir uma mulher. Taubman foi demitido pelos Astros na quinta-feira (24).

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