Embalado por 'Baby Shark', azarão busca título histórico no beisebol

ALEX SABINO
Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em momentos de tensão, algum jogador ou integrante do estafe se aproxima de Dave Martínez e coloca a mão em seu peito. É brincadeira, mas não muito. O técnico de 55 anos foi levado de ambulância para o hospital em 15 de setembro, reclamando de fortes dores no peito. Não era nada sério, mas, por via das dúvidas, ele parou de tomar café.

As tensões têm sido várias em outubro, mas o final pode ser histórico. O Washington Nationals está a duas vitórias de conquistar a World Series, a final da MLB (Major League Baseball). Na série melhor de sete jogos, venceu os dois primeiros contra o favorito Houston Astros.

O terceiro será nesta sexta (25), às 21h07 de Brasília, com transmissão da ESPN.

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Antes de iniciar o confronto, o Nationals era a maior zebra da World Series desde 2007, segundo as casas de apostas americanas. Naquele ano, o Boston Red Sox confirmou a expectativa e derrotou com facilidade o Colorado Rockies.

Na confusa história do beisebol em Washington, uma equipe da cidade não chegava na World Series desde 1933 e não vence o título desde 1924. Na época, a franquia se chamava Washington Senators, formado em 1901. A equipe mudou de nome e de cidade e hoje atua como Minnesota Twins. O Senators seria formado novamente décadas depois e se mudaria uma vez mais. Atualmente é o Texas Rangers.

O Nationals em atividade foi comprado por US$ 450 milhões (R$ 1,8 bilhão em valores atuais) em 2005 pelo bilionário Ted Lerner, como espólio do Monteral Expos.

O Astros era favorito por ter um elenco considerado mais talentoso, com mais opções e três dos melhores pitchers (arremessadores) da liga. No beisebol, o pitcher é como o quarterback no futebol americano, ou seja, a posição mais importante.

O otimismo se dava porque nos dois primeiros jogos, em Houston, o time da casa teria como arremessadores Gerrit Cole e Justin Verlander. O primeiro entrou na World Series como o jogador em melhor momento no esporte. Verlander é o que a MLB tem de mais próximo de Tom Brady, astro do New England Patriots, na NFL.

O Nationals ganhou as duas partidas e atuará as próximas três em casa. Com dois triunfos, será campeão. Se houver necessidade, os jogos 6 e 7 serão em Houston.

Não que o time de Washington seja frágil de arremessadores. Pelo contrário, os dois maiores salários da liga são de Max Scherzer e Stephen Strasburg. Somados, os astros do Nationals recebem por ano US$ 78 milhões (R$ 312,6 milhões).

Na abertura da temporada, em abril, a franquia tinha a quarta maior folha salarial da MLB: US$ 181,4 milhões (R$ 727,1 milhões), logo à frente do Astros, que paga US$ 177,4 milhões (R$ 711,2 milhões).

Nos esportes profissionais americanos, as informações sobre salários são públicas.

O Nationals investe pesado desde que foi renomeado e passou a jogar em Washington pelo desejo de Ted Lerner. Ele sonha em ver a franquia levantar o troféu da World Series e, por causa da idade, não podia mesmo esperar. Aos 94 anos, ele se afastou das operações do clube, mas seu filho continua à frente, mesmo após ter sido diagnosticado com sarcoma de células fusiformes, um tipo de câncer. Por causa da doença, amputou a a perna esquerda logo abaixo do joelho.

Os US$ 450 milhões para comprar a franquia tornaram-se um bom investimento. O estádio Nationals Park foi construído por US$ 701 milhões (R$ 2,8 bi), sendo que US$ 670,3 milhões (R$ 2,68) vieram de dinheiro público, sob a justificativa de que a arena revitalizaria uma área abandonada da capital americana.

Isso aconteceu, e os terrenos próximos ao estádio se valorizaram cerca de US$ 2,65 bilhões (R$ 10,6 bilhões) apenas nesta década. Quando isso aconteceu, os Lerner já haviam começado a construir investimentos imobiliários na região. A fortuna da família é estimada pela revista Forbes em US$ 5,3 bilhões (R$ 21,2 bilhões).

O Washington Nationais está avaliado em US$ 1,8 bilhão (R$ 7,2 bilhões).

A arrancada da equipe foi embalada por uma música que se tornou febre (também) no estádio da equipe: "Baby Shark", canção infantil sobre uma família de tubarões. A sua dança é imitada por torcedores e jogadores a cada vez que o outfielder (jogador que fica em um dos extremos do campo) venezuelano Gerardo Parra vai para a rebatida.

Quando uma corrida é anotada ou algum jogador consegue avançar uma base, ele faz o gesto com as mãos do "baby shark" para o banco de reservas.

A última vez que um time perdeu as duas primeiras partidas em casa e reverteu para vencer a World Series aconteceu em 1996. O New York Yankees virou contra o Atlanta Braves.

Ganhar o título pode significar o início de uma dinastia do Astros, vencedor em 2017 e derrotado na decisão da Liga Americana no ano passado. Mas além do moral abalado após ter sido derrotado duas vezes seguidas em casa, a equipe teve de conviver com polêmica envolvendo o assistente do gerente-geral, Brandon Taubman.

Na festa pós-classificação para a World Series, ele se virou para três repórteres mulheres que estavam no vestiário e gritou para elas: "Graças a Deus nós contratamos Osuna. Estou grato para c... que temos Osuna."

O fechador Roberto Osuna foi contratado pelo clube em julho de 2018 após ter cumprido suspensão de 75 jogos. Ele havia sido preso, acusado de agredir uma mulher. Taubman foi demitido pelo Astros nesta quinta (24).

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