Coronavírus: Embaixador chinês repudia "teoria conspiratória" e quer cooperar com Brasil mesmo após atritos com governo

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Yang Wanming e o presidente Jair Bolsonaro, durante a cerimônia de apresentação dos novos diplomatas em Março , 2019. (Photo by Sergio LIMA / AFP) (Photo credit should read SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)
Yang Wanming e o presidente Jair Bolsonaro, durante a cerimônia de apresentação dos novos diplomatas em Março , 2019. (Photo by Sergio LIMA / AFP) (Photo credit should read SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)

Por Paulo Pacheco

A China está pronta para expandir cooperação com o Brasil, mesmo após atritos com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o ministro da Educação, Abraham Weintraub, que foi acusado de racismo e teve inquérito aberto pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

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Foram as palavras do embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo". Embora não tenha respondido diretamente sobre os ataques do filho do presidente e do ministro da Educação, o chanceler afirmou que o país asiático quer ajudar o governo brasileiro a combater o coronavírus.

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"Apesar de alguns ruídos surgidos recentemente, o que conhecemos mais são histórias comoventes de solidariedade e de ajuda mútua entre os dois povos. E ouvimos os sinceros apelos de todos os setores da sociedade, de ambas as partes, por unidade e parceria para vencer as dificuldades do momento", disse o embaixador.

"As relações sino-brasileiras possuem amplos interesses comuns, estreitas cooperações e sólida base popular e têm mantido um desenvolvimento sadio e estável. A parte chinesa está pronta para trabalhar com o governo brasileiro e os diversos setores da sociedade a fim de tirar as interferências, diminuir as divergências, aumentar a confiança mútua e expandir as cooperações, para que as relações bilaterais possam ser aprofundadas e crescer de maneira contínua, trazendo benefícios aos dois povos", complementou Wanming.

O chanceler ainda negou que a China tenha omitido os primeiros casos de coronavírus à OMS (Organização Mundial da Saúde) e repudiou versões, disseminadas até por autoridades, de que o novo coronavírus teria sido criado artificialmente por chineses como arma biológica, ou que militares norte-americanosn teriam levado o vírus ao país asiático, primeiro epicentro da pandemia.

"Acho isso uma teoria conspiratória completamente absurda, sem o mínimo escrúpulo. Tanto a OMS quanto cientistas de vários países já esclareceram, repetidas vezes, que todas as evidências disponíveis indicam que o novo coronavírus é de origem natural e impossível de ter sido criado artificialmente", rechaçou.

"Os institutos de virologia e as entidades afins na China seguem sistemas rigorosos de gestão, normas operacionais e critérios científicos que impossibilitam qualquer 'vazamento ou criação de vírus'. Quanto à especulação sobre o vírus 'made in USA', não tenho e tampouco conheço informações concernentes e, portanto, não tenho condições de comentar [um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China publicou no Twitter que militares americanos podem ter levado a doença para Wuhan, cidade do primeiro epicentro do coronavírus, no ano passado]", concluiu.

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