E-mails revelam articulação contra Carlos Ghosn na Nissan

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Carlos Ghosn fala em conferência para a imprensa em Beirute, no Líbano. (Foto: Mahmut Geldi/Anadolu Agency via Getty Images)
Carlos Ghosn fala em conferência para a imprensa em Beirute, no Líbano. (Foto: Mahmut Geldi/Anadolu Agency via Getty Images)

Novas revelações do caso Carlos Ghosn revelam que o executivo brasileiro, celebrado como um dos maiores da indústria automobilística, mas preso por suposta ocultação de bens e outros desvios de conduta na montadora japonesa Nissan, sofria uma campanha de ataques de altos executivos da empresa, que queriam vê-lo fora. Os e-mails, revelados por fontes anônimas à Boomberg, dão força à versão de Ghosn, de que ele seria alvo de uma armação para tirá-lo do poder. 

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Em um desses e-mails internos, que até então corriam sob sigilo, o executivo Hari Nada, parte dos altos quadros da montadora, sugere que as ações de Ghosn deveriam ser “neutralizadas antes que fosse tarde demais”. Depois, Nada firmaria um acordo com promotores para testemunhar contra o antigo líder da Nissan. 

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As ações que Nada citam são as tentativas de Ghosn, na época, de ampliar a integração entre a Nissan e a Renault, montadora francesa que em 1999 adquiriu 37% da Nissan, em um resgate da empresa japonesa que passava por dificuldades financeiras. A aliança permitiu que a Renault nomeasse executivos da Nissan, e acabou por levar Ghosn ao cargo de presidente executivo em 2001, período que consagrou o executivo por conta de seus resultados positivos. 

Ao mesmo tempo, a aliança – revela os e-mails publicados pela Bloomberg – deu origem também a uma disputa de poder na esfera executiva. Segundo o que mostra o material interno, havia uma esforço de altos funcionários da Nissan de remover Ghosn para “estancar” a influência política da estrangeira Renault e evitar uma consolidação ainda maior. De fato, após a prisão do brasileiro, o arco foi renegociado. 

Parte central da campanha revelada nos e-mails, Nada viajou ainda ao Brasil e ao Líbano, país onde Ghosn tem cidadania, para tentar acumular provas contra Ghosn. 

As revelações devem agora movimentar ainda mais e dar novos capítulos a um caso já extraordinário pela notoriedade das figuras envolvidas e a dramaticidade dos eventos, que incluiu uma fuga espetacular de Ghosn do Japão para o Líbano, em 2019, onde reside atualmente, e aguarda o julgamento de um pedido de extradição do governo japonês. 

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