Em sua despedida dos gramados, Pelé foi campeão nos Estados Unidos

Pelé mudou o futebol dos Estados Unidos (Divulgação/New York Cosmos)


No dia 28 de agosto de 1977, aos 37 anos, Edson Arantes do Nascimento, ou simplesmente Pelé, pendurou as chuteiras da forma como merece um gênio à sua altura: sendo campeão. Vestindo a camisa verde e o calção branco do Cosmos, de Nova York, o Rei venceu o Sounders, de Seattle, por 2 a 1, e conquistou o troféu da Liga Norte Americana de Futebol (NASL). Apesar de não ter balançado as redes na ocasião, o último jogo foi especial.

Pelé, que lutava contra um câncer no intestino, faleceu nesta quinta, 29 de dezembro, após sofrer falência múltipla de órgãos.

Naquele 28 de agosto de 1977, o palco da despedida do maior craque do futebol mundial foi o Civic Stadium, atual Providence Park, um estádio de beisebol adaptado e que recebeu 35.548 torcedores. Os sortudos presentes puderam dar adeus ao ídolo brasileiro que decidiu que aquele momento era o da aposentadoria.

Campeão de três Copas do Mundo, duas Copas Roca, duas Libertadores da América, cinco Taças Brasil e uma Taça Roberto Gomes Pedrosa - estes, mais tarde, viriam a ser unificados como campeonatos brasileiros - e dez canecos do Campeonato Paulista. Essas são só alguns dos títulos de Pelé ao longo de sua vitoriosa carreira.

Dentro das quatro linhas, o Rei era imparável e, para muitos, também incomparável. Mas nem toda magia que vinha de seu maior talento era capaz de fazê-lo eterno como atleta.

O último adeus

Trinta e quatro dias após a conquista desse título, viria a despedida definitiva do Rei. Em amistoso entre Cosmos e Santos aconteceu em Nova York. O gênio da bola atuou meio tempo por cada equipe e acabou marcando um gol de falta a favor do Cosmos, que venceu o amistoso por 2 a 1.

Ao fim do confronto, o Rei deu uma volta olímpica no Giant Stadium, segurando bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos, e despediu-se dos 75.646 espectadores, entre eles, o lendário campeão mundial de boxe Muhammad Ali. O estádio, então, pode aplaudir o maior de todos os tempos.