Em Portugal, Sylvinho se junta brasileiros ex-Celta e desenha futuro como treinador

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Sylvinho quer alçar novos voos como treinador. Foto: Ronny Hartmann/AFP via Getty Images
Sylvinho quer alçar novos voos como treinador. Foto: Ronny Hartmann/AFP via Getty Images

Lisboa (POR)

A cada segunda-feira de folga, Sylvinho não costumava pensar duas vezes: pegava a sua família, se reunia com os colegas Doriva e Edu Schmidt e, em menos de duas horas, faziam a viagem de carro entre Vigo, na Espanha, e Porto, em Portugal. Esse era um dos passatempos preferidos da legião de brasileiros que atuava pelo Celta no início dos anos 2000.

Praticamente duas décadas depois, eles estão agora todos ligados no futebol.

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Ex-auxiliar da seleção, Sylvinho está livre no mercado desde que deixou o comando do Lyon em outubro de 2019. Após sua primeira experiência como treinador principal, ele decidiu estabelecer residência no mesmo Porto que tanto visitou no passado e se encontra no aguardo de uma chance para voltar a trabalhar. Para isso, fechou acordo com o ex-atacante Edu, que assumiu como o seu empresário ao lado do antigo lateral-esquerdo Fábio Aurélio.

Doriva, por sua vez, topou o seu convite e se juntou recentemente como assistente à comissão técnica que Sylvinho desenha para o seu próximo desafio nos bancos de reservas.

Os três amigos de Vigo estão assim mais uma vez reunidos.

“Quem está levando as coisas para mim são o Edu e o Fábio, dois ex-atletas, um cunhado do outro e que possuem faz algum tempo uma empresa no Brasil em expansão para a Europa. A confiança neles vem lá de trás”, conta Sylvinho ao Yahoo Brasil.

“O mesmo vale para o Doriva. Em uma viagem pelo Brasil, fui conversar com ele e falei: ‘Doriva, queria te colocar como auxiliar num grupo que estou formando para o futuro’. Fiquei feliz porque é um cara que está ajudando e vai ajudar muito nessa construção. Aconteceu num momento em que ele já tinha feito algumas coisas na carreira e aceitou”, prossegue.

Ainda houve espaço para mais um contemporâneo dessa época no entorno, mesmo que com um papel mais informal.

Em suas passagens pelo Porto para descansar e relaxar na pausa da Liga Espanhola, Sylvinho chegou a cruzar em restaurantes com Deco, que acabou tendo peso agora em sua escolha para viver em Portugal.

Sylvinho quando comandava o time do Lyon. Foto: Philippe Desmazes/AFP via Getty Images
Sylvinho quando comandava o time do Lyon. Foto: Philippe Desmazes/AFP via Getty Images

“Pouca gente sabe, mas eu conheço o Deco desde mais ou menos 1995, quando me profissionalizei no Corinthians. Ele era do sub-18 e subia para treinar com a gente no time de cima. Chegava com a cara cheia de espinha, mas era um talento, uma qualidade inegável. Depois, a gente nunca sabe onde vão os atletas, claro”, relembra o ex-jogador de 47 anos.

“Quando vínhamos para o Porto, em uma carreata com dois, três brasileiros, encontrei ele vez ou outra”, completa.

O ex-companheiro de Barcelona foi fundamental para que Sylvinho se decidisse pelo Porto em detrimento de Madri após passarem férias com suas famílias na região paradisíaca do Algarve, em Portugal. Foi ele o encarregado por auxiliá-lo com todas as burocracias que envolvem a mudança de país.

Agente de diversos nomes de destaque no futebol europeu, como Fabinho, do Liverpool, e Raphinha, do Leeds, o craque luso-brasileiro virou o seu vizinho e tem a sua autorização para procurar novas oportunidades também.

“É legal estar protegido no mercado, gosto disso, porque caso contrário, te bombardeiam de ligação o tempo todo. Não pega bem entre os clubes, fica uma coisa indelicada, exagerada, exposta demais. Tem que ter paciência para esperar o momento certo. É duro, mas é isso que acontece”, explica.

Com uma série de viagens marcadas ao redor do continente, Sylvinho teve de adiá-las em função da Covid-19. Ele segue, ainda assim, em compasso de espera por um projeto interessante para dirigir.

A princípio, a sua ideia é continuar no velho continente.

“Eu poderia ter feito o movimento contrário, fixado residência em São Paulo e vindo esporadicamente para a Europa, mas a pandemia deixou as coisas muito mais incertas e pensando em meu filho de 15 anos, preferi que ele tenha o final da escola num colégio internacional na Europa. Depois, se ele quiser fazer faculdade no Brasil, na Austrália ou em outro lugar, é do jogo. Mas, nesse momento, ficamos mais perto da prole”, conclui, aos risos.

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