Em livro, Villas Bôas diz que tuítes à véspera de julgamento de Lula foram planejados com Alto Comando do Exército

Ana Paula Ramos e Redação Notícias
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Brazil's Army General Eduardo Villas Boas looks at Brazil's President Michel Temer during a promotion ceremony for generals of the armed forces, at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil April 11, 2018. REUTERS/Adriano Machado
Brazil's Army General Eduardo Villas Boas looks at Brazil's President Michel Temer during a promotion ceremony for generals of the armed forces, at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil April 11, 2018. REUTERS/Adriano Machado

O general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército nos governos Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB), revelou em livro que postagens polêmicas feitas no Twitter na véspera do julgamento, em 2018, pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de habeas corpus do ex-presidente Lula para recorrer da condenação em liberdade, foram planejadas em conjunto com o Alto Comando do Exército.

Na ocasião, Villas Bôas afirmou, no Twitter, que a instituição “julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade”. Depois, escreveu que o Exército também defendia o “respeito à Constituição, à paz social e à Democracia”, e que a instituição “se mantém atenta às suas missões institucionais”.

“Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do País e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?”, dizia.

O texto foi interpretado, principalmente no PT, como uma pressão sobre o STF e uma ameaça de golpe, caso Lula fosse libertado.

O ex-presidente cumpria pena estabelecida pelo juiz Sérgio Moro, no processo do triplex do Guarujá.

As declarações fazem parte do livro ”General Villas Bôas: conversa com o comandante”, recém-lançado pela Editora FGV, a partir de depoimentos concedidos pelo general ao longo de cinco dias entre agosto e setembro de 2019.

Na obra, o militar afirma que as declarações foram um “alerta, muito antes que uma ameaça”.

"Externamente, nos preocupavam as consequências do extravasamento da indignação que tomava conta da população. Tínhamos aferição decorrente do aumento das demandas por uma intervenção militar. Era muito mais prudente preveni-la do que, depois, sermos empregados para contê-la. Internamente, agimos em razão da porosidade do nosso público interno, todo ele imerso na sociedade. Portanto, compartilhavam de ansiedade semelhante", descreve.

“O País, desde algum tempo, vive uma maturidade institucional não suscetível a possíveis rupturas da normalidade. Ademais, eu estaria sendo incoerente em relação ao pilar da ‘legalidade’ (citado no tuíte). Tratava-se de um alerta, muito antes que uma ameaça”, afirma Villas Bôas no livro.