Em live, Bolsonaro afirma, erroneamente, que quem contraiu o coronavírus já está imunizado

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Brazilian President Jair Bolsonaro delivers a speech during the announcement of sponsorship of olympic sports team by the state bank Caixa Economica Federal at Planalto Palace on June 1, 2021. - Brazil's President Jair Bolsonaro said on Tuesday that, if it depends on his government, his country will host the 2021 Copa America, in a bid to reduce uncertainty over the hosting of the world's oldest national team tournament. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto (EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou, de forma equivocada, que quem contraiu o coronavírus já está "imunizado". A frase foi dita em sua live semanal, nesta quinta-feira (17).

Bolsonaro fez a afirmação enquanto defendia o estudo que ele disse ter proposto ao Ministério da Saúde para a desobrigação do uso de máscaras "por quem já tenha sido infectado ou vacinado".

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Países como Estados Unidos e Israel desobrigaram vacinados de utilizarem máscaras em determinados espaços, mas contam com uma taxa muito maior de imunizados em relação ao Brasil – o País tem pouco mais de 10% de sua população devidamente imunizada com as doses necessárias das vacinas e ainda registra uma média móvel de mais de 2.000 mortes e 70 mil casos por dia.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, as máscaras são necessárias para controlar a pandemia. Quem já foi contaminado corre o risco de sofrer uma segunda infecção e pode transmitir o vírus para outras pessoas; é o mesmo caso dos vacinados.

Apesar disso, Bolsonaro defendeu sua ideia e provocou aqueles que se opuseram, se referindo a essas pessoas como "negacionistas", além de divulgar informações equivocadas sobre a doença.

"Recomendei um estudo pra desobrigar o uso de máscara a quem, porventura, já tenha sido infectado ou vacinado. Quem tá contra é negacionista, porque não acredita na vacina", provocou. "Você me considera vacinado porque peguei o vírus? Com certeza", disse o presidente a um de seus auxiliares na live.

Na sequência, Bolsonaro disse que a vacina se constitui de um vírus morto, ou inativado, que é inserido no organismo para a criação de anticorpos contra a doença, fazendo uma comparação com aqueles que foram infectados pelo próprio coronavírus.

Ele ainda afirmou, sem citar evidências ou estudos científicos, que quem foi infectado está mais protegido do que aqueles que se imunizaram via vacina.

"Eu estou vacinado, entre aspas. Todos que encontraram o vírus estão vacinados, até de forma mais eficaz do que a própria vacina. Quem contraiu o vírus não se discute: esse tá imunizado. Quem tomou a vacina... como a eficácia, por exemplo, da Coronavac é de 50%... esse tem que tomar uma segunda dose e talvez uma dose de reforço ainda."

"Enquanto eu for presidente, vamos lutar pra que o cidadão de bem tenha armas e seja desobrigado a usar máscara, com parecer favorável do Ministério da Saúde nesse sentido", completou Bolsonaro, que passou a primeira parte da live defendendo maior acesso da população à posse e ao porte de armas – uma das principais bandeiras do seu governo.

O presidente também voltou a afirmar que vetará o projeto, atualmente em tramitação no Congresso, que criaria o CSS (Certificado de Imunização e Segurança Sanitária), com a permissão de que pessoas vacinadas ou que tenham testado negativo para a covid-19 acessem espaços públicos e privados independentemente das medidas de restrição adotadas. Para Bolsonaro, o projeto obriga as pessoas a tomarem a vacina.

"Nosso propósito é caso passe vetar isso, porque nós primamos pela liberdade. Não se pode obrigar uma pessoa a tomar a vacina. Se alguém quiser demitir alguém alegando que ela não tomou vacina, até por justa causa, isso pode ocorrer", criticou.

Mudança para o Patriota

Na live desta quinta, Bolsonaro também defendeu novamente o projeto que institui o comprovante impresso do voto, desferindo ataques ao ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, opositor da medida, e colocando em dúvida o sistema eleitoral do país em relação à votação presidencial do próximo ano.

Apesar de dizer que ainda não é um candidato confirmado à reeleição, Bolsonaro, sem partido desde sua saída do PSL, disse que a entrada em uma nova sigla "tem que ser muito bem conversada". "Mas está bastante avançada a minha ida para um partido pequeno", disse, em provável referência ao Patriota, que recentemente filiou seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (RJ).

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