Em jogo com denúncia de racismo, Corinthians faz 8 a 0 no Nacional e buscará tri da Libertadores Feminina

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Em um confronto que acabou ficando lamentavelmente marcado por um caso de injúria racial contra a corintiana Adriana, o Corinthians massacrou o Nacional-URU por 8 a 0, nesta terça-feira, no estádio Manuel Ferreira, em Assunção, no Paraguai, e avançou com facilidade à final da Copa Libertadores Feminina. Campeão em 2017 e 2019, o Alvinegro buscará o tricampeonato no domingo, contra o Santa Fé, da Colômbia, em Montevidéu, no Uruguai.

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O alegado ato racista contra Adriana, apontado pelo Corinthians, ocorreu depois que ela marcou, cobrando pênalti, o sexto gol da vitória alvinegra. Outras jogadoras do Timão disseram que ouviram uma atleta da equipe uruguaia chamar a jogadora do Alvinegro de "macaca".

Durante a cobertura ao vivo do jogo por meio de sua página no Facebook, o clube escreveu: "Depois do gol, a Adriana foi chamada de "macaca" pela adversária. LAMENTÁVEL"! E logo após Grazi fechar o placar com o oitavo gol corintiano, ela comemorou com o punho cerrado, em protesto acompanhado por todo resto do elenco corintiano em uma manifestação antirracista.

CAPITÃ URUGUAIA PEDE DESCULPAS

Logo depois do confronto, na entrevista que deu na beira do gramado, a jogadora Valeria Colman, capitã do Nacional, que não foi a acusada de praticar o ato de injúria racial, chegou a se desculpar pelo ocorrido em nome do time.

– Quero publicamente pedir desculpas se alguém se sentiu ofendida por uma de nós, não era a nossa intenção - afirmou a atleta, se referindo ao ato que, logo após ocorrido, foi motivo de revolta da sua companheira Vic Albuquerque, que denunciou o alegado ato de injúria racial para a arbitragem.

ADRIANA FESTEJA VAGA NA FINAL, MAS LAMENTA EPISÓDIO RACISTA

Depois do confronto, também em entrevista no campo, Adriana comemorou a conquista da vaga na decisão da Libertadores, mas não escondeu a decepção por ter sido alvo de um ato racista por parte de uma adversária.

- Estou bem feliz primeiramente pelo resultado, buscávamos tanto chegar à final. Feliz por fazer o que eu amo dentro de campo e ajudar a equipe. A gente trabalha para isso, jogar futebol, independentemente de qualquer coisa - ressaltou a jogadora, para em seguida revelar que ela mesmo não ouviu o xingamento de teor racista, mas revelou que suas companheiras ouviram.

– Queria falar sobre o lance do pênalti, uma causa que a gente trabalha tanto para que não aconteça. Não vi o que ela falou, mas vi que quem escutou se sentiu mal, depois que as meninas me contaram, me senti mal, nunca passei por uma situação dessas - ressaltou Adriana.

- A gente trabalha para que não aconteça, numa competição assim ainda pior. Espero que ela respeite o nosso trabalho, que não aconteça com ninguém, é uma sensação horrível. Espero que ela respeite e que isso não aconteça com ninguém - completou a jogadora.

MAIS UM BAILE CONTRA O TIME URUGUAIO

As Brabas, como são conhecidas as corintianas, já haviam goleado o mesmo Nacional por 5 a 1 na fase inicial desta edição da competição continental. E agora apenas voltaram a confirmar o seu amplo favoritismo diante das adversárias uruguaias. Depois de abrirem o placar com um gol de Giovana Campiolo no primeiro tempo, balançaram as redes mais sete vezes com Diany, Vic Albuquerque, Gabi Portilho, Jheniffer, Adriana, Juliete e Grazi.

Com o novo massacre, as corintianas agora contabilizam 22 gols marcados e apenas dois sofridos em cinco partidas no torneio. Nas quartas de final, o Alvinegro já havia derrotado o Alianza Lima por 3 a 1, no último sábado, quando se manteve com 100% de aproveitamento na competição, na qual o time brasileiro soma cinco vitórias em cinco confrontos.

Nesta semifinal diante do Nacional, o Corinthians mais uma vez não pôde contar com a zagueira Erika, um dos expoentes da forte equipe feminina do clube, que sofreu uma grave lesão na véspera da partida contra o Deportivo Capiatá, do Paraguai, pela rodada final da primeira fase desta Libertadores. No último treinamento de preparação para aquele confronto, em Assunção, a jogadora rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito.

E essa vitória sobre o Nacional também servirá para as corintianas superarem o trauma da eliminação sofrida na semifinal da Libertadores do ano passado, na Argentina, onde foram derrotadas pelo América de Cali, da Colômbia, nos pênaltis, depois de um empate por 1 a 1 no tempo normal.

Antes deste revés, na edição de 2019 do torneio o Corinthians faturou o bicampeonato continental ao superar a Ferroviária por 2 a 0 em uma decisão realizada no Equador. Em 2017, quando formou uma equipe em parceria com o Audax, de Osasco, o Alvinegro levou o seu primeiro título da competição com uma vitória nos pênaltis sobre o Colo Colo, do Chile, após igualdade por 0 a 0 no tempo normal em um confronto disputado em solo paraguaio.

O colombiano Santa Fé, adversário do Timão na decisão de domingo, avançou à luta pelo título na última segunda-feira, quando eliminou a Ferroviária, atual campeã, na disputa por pênaltis depois de um empate por 1 a 1 no tempo normal em outro duelo que também foi realizado no estádio Manuel Ferreira.

A decisão desta edição da Libertadores está marcada para ocorrer no próximo domingo, no estádio Gran Parque Central, em Montevidéu, no Uruguai.

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