Em imprestável Abu Dhabi, chave da corrida está na largada e na estratégia

EVELYN GUIMARÃES


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Chega a ser irritante perceber que a F1 tem de disputar sua última corrida de uma agitada temporada, ainda que o título já esteja definido, em Abu Dhabi, um circuito pouco exigente, sem pontos de ultrapassagens e com apenas uma ou duas curvas minimamente interessantes, sem falar da completa falta de carisma – e esse sentimento se agrava se colocar na balança o que foi o GP do Brasil de duas semanas atrás. Nem mesmo o curioso jejum de poles encerrado por Lewis Hamilton promoveu alguma palpitação neste sábado (30). Ao contrário, apenas ratificou a previsibilidade que esse lugar incomodamente impõe. A Mercedes manda por lá e só um golpe de sorte pode salvar essa corrida no deserto, uma vez que nem com chuva dá para contar.

De qualquer forma, o hexacampeão fez o que dele se esperava. Não deu chances a ninguém. E ainda dominou onde a Mercedes nem era tão forte: as retas. Antes da definição do grid, estava claro que Hamilton e a Mercedes tinham apenas um adversário: Max Verstappen. O inglês foi mais veloz que o jovem #33 em todos os trechos do circuito, que anulou qualquer esboço de reação. Max não teve como fazer mais, mas tudo que fez foi o suficiente para colocá-lo à frente dos carros da Ferrari, os únicos com algum traço de vantagem para tentar a primeira fila, mas os italianos, uma vez mais, perderam para si próprios.

Lewis Hamilton: alguém será capaz de parar esse homem? (Foto: Mercedes)


O ponto é que Lewis foi perfeito, usando cada metro de Yas Marina, mas, principalmente, sendo forte nos trechos em que o W10 é muito bom, ou seja, no terceiro setor. A estratégia também anda ao lado dos campeões. Desde sexta-feira, a Mercedes apresenta um ritmo amplamente consistente, especialmente com os pneus duros. Essa é uma corrida de apenas um pit-stop. De acordo com a Pirelli, o primeiro stint – no caso do britânico, que larga de pneus médios – pode ir até a volta 18. Depois disso, é calçar com os compostos brancos – ninguém foi mais veloz que Hamilton com esses pneus. 

Ainda assim, a chave para uma prova mais agitada está nas mãos de Verstappen e da Red Bull. O holandês, que vem embalado pela vitória em Interlagos, tem na largada um momento crucial, e ele tem sido preciso neste quesito, como aconteceu no Brasil e em Austin. Ganhar a posição do pole nos primeiros metros pode mudar a história da corrida, porque o trunfo de Max também está no melhor ritmo com os pneus médios. Sim, Hamilton e Verstappen estão em táticas semelhantes e têm carros que rendem bem nos mesmos setores. Pode ser uma divertida reedição do que aconteceu na capital paulista. 

E apesar da superioridade geral da Mercedes, Verstappen conseguiu ser ligeiramente mais rápido em retas. De toda a forma, a largada e a estratégia dos taurinos são os pontos essenciais para o domingo. Praticamente, a única oportunidade para quebrar a sequência de vitórias dos prateados.

"Não acho que vai ser fácil, mas vamos fazer tentar algo como equipe", disse Verstappen, "Vamos tentar pressioná-los. É preciso ser realista, e eu acho que a Mercedes é muito rápida. Mas ainda há muitas chances amanhã, para vermos o que acontece" completou.

A Ferrari cometeu erros de estratégia e não parece forte oo bastante em Abu Dhabi (Foto: Ferrari)


Mas e a Ferrari? Bem, a Ferrari não pode ser descartada, claro. Mas os vermelhos ainda seguem nesse calvário de erros bobos e decisões desastrosas. A escuderia não tinha realmente chance de pole, mas havia alguma possibilidade de primeira fila. Só que isso caiu por terra no péssimo cálculo de tempo no momento de mandar seus dois pilotos à pista no fim do Q3, a fase decisiva da classificação. Sebastian Vettel e Charles Leclerc se viram presos atrás de Alex Albon e Carlos Sainz. Mesmo assim, Leclerc ainda foi melhor que o colega de time. Mas foi pouco perto do que a Ferrari rende – embora não mais como nas corridas do início da segunda fase do campeonato – nas retas de Yas Marina. 

Resultado: ambos partem da segunda fila do grid, ainda com a memória viva do que aconteceu em Interlagos. A diferença é a estratégia. De última hora, a equipe italiana decidiu dividir a tática. Leclerc larga de pneus médios, enquanto Vettel sai de vermelhos – compostos que se desgastam mais rápidos, embora mais velozes. Só que a Ferrari vem um fim de semana em que está preocupada com a degradação. Ou seja, um pouco de drama nunca é demais.

A simulação de corrida durante os treinos livres mostrou que o carro prata tem um ritmo de até 0s5 melhor em relação à Red Bull. Para a Ferrari, a diferença é de 0s6. Mas aí não entra algo que pode também colocar algum tempero: a temperatura dos pneus no fim de tarde e começo de noite no deserto. 

Bottas vem de trás e pode ser o elemento de diversão da prova em Abu Dhabi (Foto: Mercedes)


“Com uma ampla janela de pit-stop, amanhã será uma corrida tática. A estratégia já começou com a Ferrari adotando uma abordagem diferente dos demais com Vettel, optando o pneu macio na segunda fase da classificação. Os pilotos que largam de pneus médios devem fazer um primeiro stint mais longo, mas quem sai de macios – a maioria do top-10 – deve ter um ritmo mais rápido no começo da corrida”, confirmou Mario Isola, diretor da Pirelli, a fornecedora única de pneus.

“Sob condições de corrida, a diferença de desempenho entre médio e macio deve ser algo em torno de 0s5 por volta. Isso fornece uma mistura interessante, por isso, em última análise, a estratégia vai fazer a diferença”, completou.

Portanto, apesar de parecer aborrecidamente previsível, Abu Dhabi tem uma pontinha de esperança, lembrando que Valtteri Bottas larga do fim do grid, e isso também pode ser um elemento de relativa diversão. Só que, de novo, não dá para a corrida derradeira da F1 ter um palco com tão pobre de opções.


A largada do GP de Abu Dhabi acontece neste domingo às 10h10 (horário de Brasília). O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO e em TEMPO REAL.



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