"Em família", espanhol Félix Sánchez comanda o Catar em sua estreia em Mundiais

Se a seleção do Catar representa "uma família", como dizem os jogadores, Félix Sánchez, que foi comandante na base antes de passar a treinar a equipe principal em 2017, ocupa o papel de patriarca.

Assim como Luis Enrique e Pep Guardiola, Sánchez começou sua carreira como treinador nas categorias de base do Barcelona, no seu caso a partir de 1996.

Dez anos depois, fez as malas rumo ao Catar a convite de Josep Colomer, ex-diretor do centro de treinamento do time catalão que havia sido contratado pela prestigiada Academia Aspire, fundada em 2004 com o objetivo de identificar e desenvolver futuros atletas cataris.

"No 'Barça' me senti privilegiado, mas vi que não podia mais crescer como treinador", explicou o espanhol em 2019, em entrevista à revista Panenka.

Quando viu a chance de fazer parte da Aspire, viu "uma oportunidade de progredir", acrescentou.

O atual treinador do Catar aproveita que os alunos moram e estudam perto da academia para organizar melhor os treinos diários, "mais do que normalmente se faz na Europa", disse.

Quatro anos após chegar ao pequeno país do Golfo Pérsico, em 2010, o Catar foi confirmado como a sede da Copa do Mundo de 2022 e apostou na 'escola espanhola' de Félix Sánchez e seus três assistentes (Sergio Alegre, Alberto Méndez-Villanueva e Carlos Domenech Monforte) para acompanhar toda uma geração.

Em 2013, Sánchez foi promovido ao banco da equipe Sub-19, com a qual foi campeão asiático em 2014. Cinco de seus jogadores da época já estavam com ele no primeiro torneio que participou com a Aspire Academy.

- "Relação amistosa e familiar" -

A vantagem de conhecer os jogadores mais jovens é uma grande aliada de Sánchez, à medida que acompanhou as categorias Sub-20 e Sub-23 ao longo de sua trajetória na Aspire, até se tornar técnico da seleção principal em 2017.

Após a conquista da Copa da Ásia em 2019, Sánchez quer alcançar levar a seleção catari pelo menos até as oitavas de final do Mundial. Para isso, precisa passar pelo Grupo A, que além dos donos da casa tem Equador, Senegal e Holanda.

Ahmad Al Tayek, comentarista da rede esportiva do Catar Al Kass, descreve Sánchez como um homem "sem emoções excessivas", nem na vitória nem na derrota, "e que está presente com seus jogadores como se fosse um deles". É também, diz ele, “capaz de corrigir rapidamente erros individuais e coletivos”.

O jornal catalão Mundo Desportivo analisa que o sucesso no trabalho do treinador "foi obtido com o mesmo futebol que ele ensinou por dez anos nas categorias de base do Barcelona", em um estilo de jogo "com base na posse de bola, na mobilidade dos jogadores e nos dois extremos (os craques Akram Afif e Almoez Ali) para abrir ao máximo o campo", destaca.

Já o técnico do Barcelona, Xavi Hernández, ressalta que "seu estilo é ofensivo, mas ele pode se adaptar se não tiver a bola. Defensivamente funciona bem", conta o ex-ídolo catalão, que também já foi jogador e comandou o time catari Al Sadd.

A presença de Félix Sánchez nas categorias de base do Catar "contribuiu para criar uma relação amistosa e familiar", destaca Abdullah Mubarak, técnico do Al Markhiya. "Isso permite conhecer suas capacidades, a situção e o estado mental de seus jogadores", acrescenta.

"Ele se comporta com eles como um irmão dentro de uma família, o que dá ao time uma maturidade dentro e fora de campo que serve para fazer uma grande diferença", finaliza.

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