Em busca da identidade ideal: entenda as diferentes faces do Santos em 2020

Fábio Lázaro*
LANCE!


Jesualdo Ferreira completou dois meses no comando do Santos no último domingo. O técnico segue em busca da equipe com uma identidade ideal. A sua palavra de ordem é “equilíbrio” e é em cima dela que o português tem instruído os seus atletas. Seja por questões técnicas ou problemas físicos, o treinador ainda não repetiu escalação e mudou bastante a ideia de jogo da primeira a décima primeira partida.

No empate em 0 a 0 contra o Red Bull Bragantino, na estreia pelo Campeonato Paulista, o Santos veio a campo com o centroavante Kaio Jorge pela ponta e Eduardo Sasha se movimentando pouco pelo centro. Ficou na conta da correria de Marinho a iniciativa ao ataque, postura que contrasta totalmente com a ideia atual de uma zona ofensiva que se movimenta bastante e vai trocando o posicionamento durante os 90 minutos. O ataque, inclusive, foi o setor que Jesualdo mais testou titulares diferentes, nove. Sendo que todos os atletas da posição já entraram em campo na temporada – embora Venuto tenha atuado na lateral-direita durante os minutos finais da derrota por 2 a 0 contra o Ituano, na sétima rodada.

Mas, foi no meio de campo que Jesualdo Ferreira promoveu as mudanças que mais surtiram efeito. Jobson, Sánchez e Pituca são os donos da posição atualmente. O camisa 8 assumiu o posto devido a lesão de Alison no clássico contra o Palmeiras, no dia 29 de fevereiro. Contudo, a ideia de jogo só ganhou consistência no segundo tempo da partida contra o Defensa y Justicia, no dia 2 de março, pela estreia do Peixe na Libertadores. Já sem Alison, Jesualdo apostou em três jogadores guardando posição na zona central, com Sánchez bem aberto pela direita, Pituca pela esquerda e Evandro por dentro, atuando tanto na cabeça de área, quanto sendo o responsável por levar a bola ao ataque.

Naquela ocasião, o time não tinha Felipe Jonatan dentro da melhor condição física e o zagueiro Luan Peres foi improvisado na lateral-esquerda. A formação do meio campo conteve as subidas dos laterais, mas deixou a equipe mais espaçada e pouco criativa. A entrada de Jobson, no lugar de Evandro, aos 13 minutos do segundo tempo, compactou o meio campo e abriu os corredores laterais, o que colaborou, por exemplo, com o estilo velocista de Soteldo, responsável pela criação dos gols que garantiram a virada por 2 a 1, na Argentina.

Na defesa, a grande questão está na lateral-direita. Salvo as questões físicas, Pará e Madson concorrem a titularidade. Se por um lado, o preenchimento central favoreceu a compactação da equipe e abriu os corredores, não podemos esquecer que a palavra de ordem de Jesualdo é “equilíbrio” e, com isso, o aspecto defensivo pesa muito, principalmente no dilema atual do técnico santista, entre manter o camisa quatro, mais seguro atrás, ou apostar na vitalidade de Madson, que gosta de apoiar ao ataque.

Manutenção desde o início

Se tem algo que Jesualdo Ferreira sempre acreditou foi sobre o posicionamento de Diego Pituca. Enquanto todos pediam o camisa 21 como primeiro volante, na posição de Alison e Jobson, o professor confiou no atleta como meia-esquerda, função diferente da que ele fez desde quando chegou ao Santos, em 2018.

Basta vermos as semelhanças das declarações do português nas entrevistas coletivas pós-empate contra o RB Bragantino, na estreia, e Mirassol, pela nona rodada do Paulistão, no último sábado, para entender o treinador.

- Pituca tem uma capacidade importante que é entrar em zonas mais ofensivas, provocando desequilíbrios que as vezes não são fáceis de controlar - disse depois de abrir a temporada.

- Sempre pensei no Pituca como interior, médio interior de características ofensivas. Box to box (volante que transita entre defesa e ataque) em 90 minutos, com qualidade física e força mental. Por que volante? Tinha que estar mais posicional – afirmou após a vitória no último sábado.

Ainda pesa contra o técnico o fator físico, que tem atingido diversos atletas do Peixe neste início do ano, já que quando o português acredita ter todos os jogadores à disposição, algum deles apresenta problemas de lesão. No entanto, há uma identidade sendo criada aos poucos e essa compreensão é totalmente necessária.

* Sob supervisão de Vinícius Perazzini


















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