Em baixa? Jornalista comenta clima na Irlanda para volta de Conor McGregor

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Conor McGregor está na seca de vitórias desde 2016 (Jeff Bottari/Zuffa LLC/Getty Images)
Conor McGregor está na seca de vitórias desde 2016 (Jeff Bottari/Zuffa LLC/Getty Images)

Conor McGregor ainda é o lutador de MMA que mais movimenta sites especializados e fãs em redes sociais, mas o atleta irlandês já gozou de maior prestígio em sua terra natal.

A sete dias do seu aguardado retorno ao octógono diante de Donald Cerrone no UFC 246, em Las Vegas, “O Notório” não deve atrair a mesma multidão de animados irlandeses à “Cidade do Pecado” na próxima semana. Quem garante é Peter Carroll, principal repórter de MMA do país de McGregor.

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Um exemplo da queda no interesse é a desinformação. Segundo Caroll, nem todos sabem que McGregor tem luta marcada para o próximo sábado. O principal jornal do país chegou ao cúmulo de errar a data do combate e o nome do adversário nos últimos dias, se referindo a “Cowboy” como “Michael Cerrone”. Os principais veículos de imprensa da Irlanda não enviarão repórteres a Las Vegas dessa vez, oposto do que aconteceu no auge da carreira do atleta.

“Conor McGregor ainda é o atleta mais famoso da Irlanda, mas a idolatria que levou milhares a Vegas para vê-lo durante sua ascensão no UFC diminuiu bastante ao longo dos últimos dois anos,” Carroll contou ao blog. “Embora todos no país saibam quem ele é, parece que não estão mais acompanhando sua carreira como faziam em 2015 e 2016.”

McGregor não vence desde 2016, quando se tornou o primeiro campeão duplo da história do UFC ao nocautear José Aldo e Eddie Alvarez. De lá para cá, acumulou derrotas para Floyd Mayweather, nas regras do boxe, e Khabib Nurmagomedov. Os dois cinturões que conquistou no UFC foram destituídos sem que ele ao menos tentasse defendê-los.

O que também contribuiu para sua queda de popularidade, explica Carroll, é a enxurrada de problemas que o astro irlandês enfrentou do lado de fora das jaulas. Além de declarações polêmicas antes das lutas com Mayweather e Nurmagomedov, o lutador enfrentou acusações de agressão e até abuso sexual.

“A maioria dos jovens irlandeses o admiravam em 2015, o viam como exemplo a ser seguido por uma geração de irlandeses que se viam em meio a uma recessão. Agora, entre a população em geral, parece que seu comportamento fora do octógono é um tópico maior que sua carreira de lutador”, conta o jornalista. “Até mesmo seus fãs mais fervorosos não conseguem defender suas atitudes fora da jaula”.

Carroll ainda acredita que a população irlandesa possa se interessar novamente por McGregor a tempo de assistí-lo em ação contra Cerrone, mas sente um clima diferente a dias do UFC 246.

“Não sei se é surpreendente, uma vez que ele não está lutando por um título mundial e a atitude do público com relação a ele tem mudado”, conta Carroll, que viajará a Las Vegas para cobrir o evento. “Sinto que o país inteiro estava assistindo suas lutas um tempo atrás, e ele sempre fez questão de falar (dos irlandeses) em suas entrevistas pós-luta. Será interessante ver se ele agirá da mesma forma depois de uma vitória sobre o Cerrone, falando sobre seu povo”.

McGregor, que completou três anos sem triunfos em novembro, é o favorito nas casas de apostas contra “Cowboy”. Sem “pachequismo”, Carroll acredita em vitória por nocaute do compatriota no próximo sábado, mas não subestima o experiente adversário.

“Eu acho que essa é a luta perfeita para o McGregor”, analisa o jornalista. “Dito isso, como ele tem dado poucas entrevistas, seus comentários e de seu treinador, John Kavanagh, não me encheram dessa confiança toda. Enquanto McGregor fala sobre estar afiado novamente, Kavanagh diz que ele terá uma performance tão perfeita quanto a que teve diante de Eddie Alvarez. Ainda acho que McGregor vence por nocaute no segundo round, mas não acho que será essa moleza que todos estão pensando. Se McGregor perder essa luta as pessoas dirão que ele está acabado, o que eu acho extremamente desrespeitoso com o Donald Cerrone”.

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