Em alta no Newcastle, Kenedy fala da vida na Inglaterra e do sonho de jogar na seleção

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<em>Ex-atacante do Flu está desde janeiro no Newcastle (Divulgação/Newcastle)</em>
Ex-atacante do Flu está desde janeiro no Newcastle (Divulgação/Newcastle)

Apesar da concorrência pesada, foi um brasileiro quem mais deu dribles certos, sofreu mais faltas e conseguiu o maior número de interceptações na primeira rodada da Premier League, há uma semana. Os números positivos são de Kenedy, que pertence ao Chelsea, mas está emprestado pela segunda vez ao Newcastle. Direto de Cardiff, onde enfrenta o time da casa neste sábado – com transmissão ao vivo da Espn Brasil -, o ex-atacante do Fluminense falou com exclusividade ao Blog. No bate-papo de quase 40 minutos, ele contou das dificuldades na adaptação ao futebol inglês, da vida fora dos campos, das lições com José Mourinho, dos tempos de Chelsea, da vontade de jogar na seleção brasileira e da base, quando passou por Vasco e Atlético-MG antes de estourar no Tricolor das Laranjeiras.

BLOG: Como é sua vida na Inglaterra?
KENEDY: É bastante legal. Já consigo entender bastante do inglês, jogo no maior campeonato do mundo, recebo um carinho enorme do torcedor do Newcastle toda vez que saio na rua… Felizmente, tudo está dando certo.

Você se vira bem no inglês?
Eu nunca fui muito fã de estudar e tinha muita preguiça de fazer aulas de inglês, mas o Rafa Benitez (técnico do Newcastle) pega bastante no meu pé. Hoje, entendo praticamente tudo e também consigo me comunicar. Garanto que não morro de fome. Mas o curioso é que entendo melhor os londrinos falando do que as pessoas em Newcastle. A pronúncia é muito diferente.

Seu time teve média de 51.108 pagantes por jogo na campanha do título da Championship e, consequentemente, da volta à Premier League, em 2017. Qual o tamanho do fanatismo do torcedor do Newcastle?
A torcida do Newcastle é inexplicável. Eu nunca vi nada igual em toda a minha carreira. Os caras apoiam do início ao fim, todo jogo. E o contato nas ruas também é bem legal. Nunca vou me esquecer da forma como eles pediam que eu ficasse para essa temporada.

Com quem você mora?
Com um amigo chamado Hugo, que me ajuda com várias coisas, como dirigir. Um outro parceiro meu, o Vinícius, também fica bastante aqui. Outro dia, fui ver um jogo do Vinícius num campeonato amador de futebol que tem aqui e quase todo mundo que estava lá veio falar comigo, tirar foto… O carinho dos ingleses é bacana.

Qual avaliação faz da temporada passada pelo Newcastle?
Foi excelente. Quando eu cheguei, já na metade do campeonato, o time estava na zona de rebaixamento e terminamos em 10º lugar. E, para mim, também foi muito bacana, porque eu estava jogando pouco no Chelsea. Lembro de conversar com o David Luiz, que me incentivou a aceitar a mudança para o Newcastle.

E aí você sai da condição de reserva na lateral esquerda, no Chelsea, para titular absoluto na sua posição de origem no Newcastle?
É verdade. Felizmente, tenho jogado com bastante regularidade. E a perspectiva é ainda melhor agora, começando a temporada. O Rafa Benitez falou comigo antes da minha contratação. E ele é um cara muito parceiro. Sei que é um pouco difícil, mas o sonho é ser campeão da Premier League com o Newcastle.

Como era o dia a dia com o Mourinho no Chelsea?
Era tranquilo. E preciso reconhecer que ele acabou me ajudando, porque nos treinos, me pôs para jogar em todas as posições. Até de zagueiro. E isso acabou me dando uma noção muito maior de marcação, coisa que eu não sabia fazer. Hoje, de volta à ponta, me sinto muito mais à vontade.

Você passou por todas as categorias de base da seleção. Ainda sonha em jogar na principal?
Claro. É o sonho de qualquer jogador de futebol profissional, e eu vou trabalhar muito para aproveitar a chegada de um novo ciclo. Sei que a concorrência nessa posição é enorme, mas depende do meu futebol aqui no Newcastle. Não desisti disso, não.

Pouca gente sabe, mas você jogou no Vasco, né?
Sim. Foi mais ou menos por uma temporada, quando eu ainda tinha 11 anos. Só que acabei decidindo sair de lá. Ainda passei quase um ano no Atlético-MG até chegar no Fluminense, com 13 anos. E guardo ótimas lembranças dessa minha passagem no Fluminense, além de amigos que tenho até hoje no mundo do futebol.

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