Elite do futebol europeu testa e avalia volta do público aos estádios

BRUNO RODRIGUES
Folhapress
PARIS, FRANCE-JULY 21: Ultra fans of Paris Saint-Germain wear a mask and respect the sanitary rules for COVID-19 during the Friendly match between Paris Saint Germain and Celtic at Parc des Princes on July 21, 2020 in Paris, France. (Photo by Xavier Laine/Getty Images)
PARIS, FRANCE-JULY 21: Ultra fans of Paris Saint-Germain wear a mask and respect the sanitary rules for COVID-19 during the Friendly match between Paris Saint Germain and Celtic at Parc des Princes on July 21, 2020 in Paris, France. (Photo by Xavier Laine/Getty Images)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A goleada de 9 a 0 do Paris Saint-Germain sobre o Le Havre em amistoso no último dia 12 devolveu à elite do futebol europeu algo que a pandemia havia proibido até aqui: torcedores nas arquibancadas.

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Como parte do plano de flexibilização do governo francês, um público de 5.000 pessoas foi autorizado a comparecer ao estádio Océane - que tem capacidade para 25 mil espectadores - para assistir ao triunfo da equipe parisiense, declarada campeã nacional após a suspensão da liga de futebol no país e que se prepara para as fases finais da Champions League.

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Nesta sexta (24), às 16h, o PSG, que também fez um amistoso o Celtic na última terça (21), voltará a campo para o seu primeiro jogo oficial desde março. O time de Neymar, Marquinhos e Thiago Silva enfrentará o Saint-Étienne na final da Copa da França, com até 5.000 torcedores no Stade de France, que tem capacidade para 80 mil pessoas (Fox Sports transmite).

Se, no amistoso contra o Le Havre, o grito de gol foi uma exclusividade do PSG e de seus torcedores, a alegria de retornar aos campos foi compartilhada pelas duas torcidas. "Nós não damos a mínima para o PSG. Esse jogo foi uma forma de estar novamente com nossos amigos", afirmou Johan Vattier, presidente da torcida Les Barbarians, do Le Havre.

Os espectadores precisaram usar máscaras para entrar no estádio, mas dentro do local muitos a deixaram de lado. O público também foi recomendado a manter distância entre as pessoas. Grupos de amigos ou familiares puderam se sentar juntos.

A ministra de Esportes da França, Roxana Maracineanu, compareceu ao jogo e avaliou a experiência como um sucesso. "Estou contente que o futebol na França pôde retornar de maneira popular, com mais gente nos estádios. [A França] É o único país do oeste europeu que pode fazê-lo", disse Maracineanu.

De fato, a França foi o primeiro país entre os que abrigam as grandes ligas europeias de futebol a permitir o retorno de pessoas às partidas. Mas não deverá ser o único nos próximos meses.

A Bundesliga já discute com o Ministério da Saúde alemão a possibilidade de trazer de volta os torcedores na próxima temporada, e a Inglaterra também estuda a volta gradual do público à Premier League.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, manifestou o desejo de reabrir parcialmente os estádios da elite inglesa a partir de outubro, com o início da próxima temporada da competição. Além do monitoramento da Covid-19, o plano dependerá também do sucesso de eventos-teste em outros esportes, que receberão torcedores e servirão de modelo para avaliar a eficácia da reabertura.

Para os dias 26 e 27 deste mês, estão programados dois amistosos de críquete no sul de Londres com a presença limitada de espectadores. O Campeonato Mundial de Sinuca, que acontecerá no dia 31, em Sheffield, também receberá torcedores.

Mas o acontecimento esportivo que gera mais expectativa entre os eventos-teste será o Glorious Goodwood, festival de corrida de cavalos que acontece em West Sussex, sudeste do país, cuja organização afirmou que poderá reunir cerca de 5.000 pessoas.

O plano de Boris Johnson apela ao bom-senso da população, que deverá seguir uma espécie de código de conduta para poder retornar aos jogos em segurança. O que não garante que esses eventos, apesar dos esforços da organização, estarão totalmente seguros.

Por exemplo, os ingleses que tiveram algum sintoma da Covid-19 ou que estiveram em contato com alguém infectado não poderão ter acesso a esses jogos. Mas quem é que garante isso, principalmente após as cenas de comemoração do título do Liverpool pelas ruas da cidade, no fim de junho?

Até quarta (22), o Reino Unido acumulava 296.377 infectados e 45.501 óbitos.

Esse voto de confiança no comportamento individual e coletivo da população mostrou faces bastante distintas em dois países que estão recebendo torcedores nos estádios para os jogos de suas ligas nacionais.

No Japão, a primeira divisão do país foi retomada e, desde o dia 10 deste mês, os clubes mandantes estão autorizados a receber até 5.000 torcedores ou a metade da capacidade de seu estádio -o que for menor.

Os espectadores têm a temperatura medida na entrada, são obrigados a usar máscaras e, além do distanciamento entre eles nos assentos das arquibancadas, há recomendação para que não celebrem efusivamente os acontecimentos da partida, como nos gols, por exemplo.

As imagens dos estádios japoneses, com seus torcedores devidamente sentados e distantes uns dos outros, indicam que o protocolo de cuidados tem sido seguido à risca por quem comparece aos jogos.

Já na Rússia, onde também se permite o acesso de torcedores aos estádios, há medidas semelhantes, como a medição de temperatura e a obrigatoriedade das máscaras, mas a marcação dos lugares que podem ou não ser usados nem sempre são respeitadas, especialmente nos setores em que ficam as torcidas organizadas.

Para a próxima temporada, a Rússia liberará a metade da capacidade de seus estádios para a elite do futebol no país, que já superou a marca de 795 mil casos confirmados de Covid-19 e registrou mais de 12.892 mortes -os números não são totalmente confiáveis, de acordo com a comunidade científica internacional.

Assim como os russos, os japoneses pretendiam abrandar as políticas de restrição ao esporte em agosto. Há também uma urgência de testar variáveis e modelos de olho nos Jogos Olímpicos de 2021, que já foram adiados em razão da pandemia.

Contudo, o aumento recente de casos e a preocupação com uma possível nova onda de contágios acendeu o alerta nas autoridades, que preferiram adotar cautela neste momento.

"O governo ainda não determinou nenhuma diretriz clara, mas eu posso sentir um forte senso de urgência. Há uma grande possibilidade de que o número de casos continue crescendo, e o humor nacional ainda está cauteloso com relação a sediar grandes eventos", afirmou Mitsuru Murai, presidente da J-League.

A força-tarefa conjunta que reúne as ligas profissionais de futebol e de beisebol se reunirá na próxima segunda-feira (27), a fim de discutir as possibilidades de retorno gradual do público aos estádios.

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